Consumidor é apontado como herói na jornada pela sustentabilidade na IntegrAbit

Na última sexta-feira, a IntegrAbit reuniu Holly Syrett, gerente sênior de sustentabilidade da Global Fashion Agenda, Guilherme Weege, CEO do Grupo Malwee, e Vanessa Mathias, da empresa de pesquisa de tendências White Rabbit, para discutir a comunicação com o consumidor e qual o papel das marcas nesta jornada. O painel foi realizado no segundo dia da versão digital do evento e contou com a participação de Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

O painel foi iniciado por Holly Syrett, que indicou que é preciso atrair indústrias para reverem e reduzirem a velocidade de produção sem reduzir receitas. A matemática visa o redesenho de valor: consumo x custódia de valor das roupas. Em outras palavras, pensar no valor da roupa durante todo o ciclo de vida. De acordo com a palestrante, a cada cinco peças de roupa, três vão parar no lixo em menos de um ano.

“Acreditamos que a moda pode ser melhor, e precisamos encontrar mais oportunidades para a sustentabilidade e negócios prósperos. É hora de um novo modo de pensar, um novo fluxo […] Por que vender as suas roupas uma vez, se é possível vender a mesma camisa cinco vezes? Por que não melhorar a qualidade para que a peça possa ser revendida, refeita ou alugada? Devemos nos fazer essas perguntas”, disse Holly.

Na sequência, Guilherme Weege enfatizou que não se pode ter um telhado de vidro, é preciso “conscientizar a empresa, criar metas, para poder ser transparente com o consumidor na hora de comunicar ações sustentáveis”.

A transparência tem sido ponto chave no mercado para os consumidores mais jovens, que compram roupa já pensando no valor de revenda, considerando a qualidade e durabilidade de cada peça. “O que nós enxergamos é que, com este consumidor estando mais atento, precisamos estar mais sustentáveis e fazer com que esta comunicação seja direta, sem rodeios, informando”, detalhou Weege.

“O consumidor tem que ser o herói desta jornada (pela sustentabilidade), é preciso buscar o seu engajamento. A indústria esta mudando com novos maquinários, redução de uso de água, mas caso o setor seja pressionado pelos seus consumidores, esta mudança não leva 20 anos, apenas cinco“, completou.

Ressaltando a nova campanha de comunicação da Malwee, Guilheme Weege declarou que “não dá para trocar de planeta como quem troca de roupa” e alertou que 70% do que guardamos no guarda-roupa não é usado ao longo do ano. “Temos que conscientizar o nosso consumidor, mas saber que o greenwhashing (consumidores que investigam se as empresas são sustentáveis mesmo) só cresce”, afirmou o CEO.

Vanessa Mathias, última palestrante a se apresentar no painel, explorou o tema da comunicação com mais transformações que a sociedade está passando e que as empresas serão cobradas. Ela indicou transformações como economia renovativa, diversidade, inclusão, desmatamento, produção de pequenos, era do pós-propósito, economia circular, dentre vários outras.

“As empresas precisam sair do Consumer Centric para o System Centric, não dá para ‘desver’, não dá para a consciência regredir”, indicou Vanessa. “Só há um caminho claro: o tempo chegou”, acrescentou.

Fonte: Thaina Barros | Fotos: Reprodução