Da era da pedra à era do laser, as evoluções do beneficiamento jeanswear

Literalmente da era da pedra à era do laser, a tecnologia da lavanderia jeanswear evolui de maneira continua desde 1990, quando foram inseridos os primeiros beneficiamentos a laser na cadeia de produção. Na década de 90, o laser começou a substituir técnicas convencionais, que eram também danosas ao meio ambiente e aos trabalhadores, por processos livres de água e livre de químicos, produzindo efeitos de desgastes, substituindo lixados e outros efeitos de vintage, além de efeitos de estamparia.


Nós conversamos com Gilberto Oliveira, engenheiro industrial do Grupo GB Customização que nos contou um pouco mais sobre o avanço das tecnologias dentro do segmento de lavanderia, principalmente no Brasil, além de contar em detalhes o funcionamento de sistemas como laser, ozônio e jet water.


Segundo Gilberto, as máquinas de beneficiamento a laser lá dos anos 90 ainda estão em constante aperfeiçoamento em busca de substituir completamente as técnicas manuais e químicas. O equipamento a laser, para quem não conhece, funciona da seguinte maneira: os raios laser queimam a superfície da fibra, corroendo o corante e provocando efeitos que anteriormente eram obtidos por processo manual de lixamento, pulverizações com produtos químicos e outras técnicas que geravam grande demanda de consumo energético e água.


Nos anos 2000, a grande novidade passou a ser as máquinas de ozônio, que estavam em fase de desenvolvimento. Assim como o “jet water” , tecnologia também desenvolvida no começo da década passada, a máquina de ozônio dispensa o uso quase total de água para se obter efeitos de clareamentos e envelhecimento.


No caso do ozônio, as máquinas extraem o oxigênio (O2) do ar e transformam o oxigênio em ozônio (O3) – um gás que tem as mesmas propriedades oxidantes que o cloro e que o permanganato, os clareadores usados no beneficiamento jeans em todo o mundo. O ozônio clareia o jeans em processo a seco, sem a presença de água, ou para efeitos especiais com uma pequeníssima fração de água.


Já o jet water consiste em uma recirculação de água pelo centro do cesto da lavadora, que, combinado com uma semi centrifugação, provoca a circulação da água pela fibra de maneira mais intensa, diminuindo drasticamente a quantidade de água necessária para os enxágues e banhos de limpeza.





O engenheiro afirma que, quando essas três tecnologias são associadas (laser, ozônio ejet water), os resultados são extremamente sustentáveis, saindo de um consumo de água de 60 a 140 litros por calça para 7 a 25 litros por peça. Isso é claro, usando técnicas operacionais que neste momento encontram-se em pleno desenvolvimento, e com certeza, ainda não apresentam os possíveis melhores resultados destas novas tecnologias.


Quando relembramos o jato de gelo (ou ice finishing), que apareceu com força em 2013 para substituir o jato de areia, Gilberto afirma que o grande problema dessa tecnologia é o altíssimo custo do equipamento e dos insumos usados. Devido a isso, e a baixa produtividade, ela afirma ser mais interessante unir os beneficiamentos a laser e ozônio para atingir os mesmo resultados.


Mas mesmo com todas essas tecnologias, a maioria das técnicas tradicionais de lavanderia ainda é usada hoje. Gilberto ressalta que as novas técnicas estão em fase de implementação, mas já podemos esperar para um futuro próximo a substituição de pedras por enzimas e por ozônio, assim como o ozônio tomando o lugar também dos processos de clareamento com cloro e permaganato, assim como processos de limpeza geral (alvejamentos). Já o laser deve substituir puídos e esgarçados feitos com lixas e estiletes. Lixados, bigodes, esgarçados manuais também devem ganhar, em breve, processos automatizados.


Entre as técnicas tradicionais, e principalmente manuais, mais difíceis de serem abandonadas está o tradicional efeito used. Devido ao seu alto teor de branqueamento, o processo tecnológico ainda fica difícil, mas existem técnicas em desenvolvimento, como laser combinado com ozônio, que viabilizarão isso no futuro. Gilberto ressalta que um tecido adequado também contribui sensivelmente, como já ocorre no exterior.


Para o engenheiro, o maior desafio da implementação dessas novas tecnologias é, por exemplo, “a quebra de paradigmas da clientela em relação a preceitos brasileiros de qualidade, que enxergam detalhes que não são importantes no produto jeanswear, tais como peças customizadas idênticas, e passadoria de peças altamente customizadas, sendo que a passadoria não influencia no contexto da peça”, explica ele.


Outro grande desafio são tecidos adequados às novas técnicas de beneficiamento, como, por exemplo, produtos com tingimento altamente superficial, que possibilitem efeitos limpos e sem migração. Porém, Gilberto finaliza se mantendo otimista: “estamos nos adequando ao que já ocorre na Europa e EUA. Devagar, mas estamos”.

MARINA COLERATO | FOTOS: JEANOLOGIA | VÍDEO: GRUPO GB CUSTOMIZAÇÃO