Denim com propósito: Mariette Hoitink visita a Denim City São Paulo e reforça laços entre Brasil e Holanda

Durante a Semana de Lançamentos Inverno 2026 da Denim City São Paulo, o espaço recebeu uma visita especial: Mariette Hoitink, co-fundadora da House of Denim e gestora da Denim City Amsterdam, e uma das principais vozes globais quando o assunto é inovação responsável no universo do jeans. Sua presença marcou dias de troca intensa de ideias, experiências e visões sobre o futuro do denim – com foco em sustentabilidade, colaboração e educação.

“A visita da Mariette ao Brasil foi um momento marcante para a Denim City São Paulo. Ela teve uma imersão profunda no nosso ecossistema: participou da Semana de Lançamentos, visitou empresas como a Canatiba e a PLI Emphasis, dialogou com o nosso time de professores e conheceu projetos como o Cotton Move. Encerramos com a palestra ‘Towards a Brighter Blue,’ que sintetiza seu olhar visionário sobre o setor. Essa conexão entre São Paulo e Amsterdã fortalece nosso propósito de promover educação, inovação e sustentabilidade no universo do denim.” — Fernando Lutz, CEO da Denim City São Paulo

Um Diálogo Azul Global

Durante sua inspiradora palestra na Denim City São Paulo, Mariette compartilhou a trajetória e o impacto da House of Denim Amsterdam, iniciativa que fundou há 15 anos com a missão de transformar o setor jeanswear através de uma abordagem ética, criativa e colaborativa. “Por um azul mais brilhante” é o lema da instituição, que abriga a primeira e única escola do mundo dedicada exclusivamente ao denim: a Jean School.

“Amsterdam tem a maior densidade de marcas de denim do mundo, como G-Star Raw, Scotch & Soda e Denham, mas não possui toda a cadeia de produção como o Brasil. Por isso, dependemos da Turquia e Ásia para finalizar as peças”, explicou. “Aqui, encontrei um ecossistema completo, e isso é extremamente valioso.”

Reflexões sobre o Futuro da Moda

A fala de Mariette também abordou os desafios urgentes enfrentados pela indústria da moda. “Quando fundamos a House of Denim, a sustentabilidade já era uma preocupação. Hoje, com o avanço da ultra fast fashion, precisamos nos perguntar: é normal que uma camiseta custe menos do que um sanduíche?”, provocou.

Ela reforçou a importância da transparência em toda a cadeia produtiva e destacou que, embora muitas empresas já contem com departamentos de responsabilidade socioambiental, é necessário acelerar as mudanças. “Se queremos um mundo mais sustentável, precisamos saber de onde vem o nosso algodão, como a peça foi feita e para onde ela vai.”

Nesse contexto, a fala de Adriano Goldschmied, fundador da Diesel, Replay, Agolde, AG e conhecido como “padrinho do denim”, ecoa como um alerta poderoso: “O mundo precisa de comida e água… não de outro par de jeans.” A frase sintetiza a urgência de repensar o consumo e a produção no setor da moda, colocando o essencial em primeiro plano.

Iniciativas que Inspiram

Mariette apresentou as várias frentes da House of Denim: da Embaixada do Índigo — que conecta profissionais do setor globalmente — ao “Arquivo Vivo”, que guarda peças doadas por nomes como Tommy Hilfiger e até mesmo o ex-primeiro-ministro da Holanda. “O jeans usado de alguém é como um passaporte. Ele carrega a história de quem o vestiu”, afirmou.

Entre as iniciativas ligadas à House of Denim estão também a renomada feira Kingpins Show, que acontece há mais de dez anos em Amsterdam, e a Kingpins Transformers, encontros voltados a dar mais espaço para as mulheres na indústria do denim, ainda predominantemente masculina.

Conexão Brasil-Amsterdam

A visita também reforçou o elo entre Amsterdam e São Paulo, únicas cidades no mundo a abrigar unidades da Denim City. Inaugurada em 2020, a unidade brasileira, assim como a holandesa, promove a educação e a inovação no setor, com masterclasses, workshops, loja, atelier, lavanderia sustentável e com o diferencial de sediar duas edições anuais da Semana de Lançamentos, reunindo as principais tecelagens do país.

“Sou de Amsterdam, minha vida é totalmente diferente, mas nós temos esse mesmo sangue azul. Isso é incrível! Estou mais do que disposta a colocar quantos esforços forem necessários para fazer com que a Denim City São Paulo seja o principal destino do denim no Brasil”, declarou Mariette.

O Valor do Jeans que Fica

Mariette finalizou sua fala com um convite à reflexão sobre consumo. “Não há nada de errado com a moda acessível. O problema está no excesso de produção e na pressão para o consumo desenfreado.” Ela revelou que gosta de usar jeans com mais de 10 anos, porque acredita que com o tempo ele se molda ao corpo e à história de quem o veste.

Com iniciativas como a Denim City São Paulo e conexões como a promovida pela visita de Mariette Hoitink, o futuro do denim parece cada vez mais azul — e brilhante.

Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação