Um primeiro dia muito intenso e um segundo acima das expectativas. Enquanto os visitantes continuavam a circular, aglomerando-se aqui e ali, em diferentes stands, os expositores da Denim Première Vision esfregavam as mãos. A opinião geral é que esta nova edição milanesa da feira têxtil especializada no tecido azul, organizada de 22 a 23 de novembro nos grandes espaços do Superstudio Più ao sul da cidade, na Via Tortona, foi um sucesso.
Ao lado da maioria dos italianos, os expositores viram muitos compradores internacionais, incluindo novos clientes, da França, Alemanha, Holanda, Escandinávia e até Estados Unidos. Muitas maisons de luxo fizeram a viagem, vindas da Kering ou LVMH, mas também marcas de gama média-alta, bem como gigantes do mercado de massa.
“Estamos atendendo a todo o mercado, mas com atenção especial à qualidade. Os nossos expositores são todos de excelência nas suas áreas, caminhando cada vez mais para os segmentos premium e luxuoso”, afirma o curador da feira, Fabio Adami dalla Val, denotando também a qualidade muito elevada dos visitantes desta edição. “A forte procura pelo denim por parte das marcas de luxo confirma-se e continua, porque é um material que permite abranger todos os segmentos do mercado, ao mesmo tempo que capta os clientes mais jovens. O denim é, de fato, o único tecido que pode ser usado para tudo, desde smoking até agasalho”, enfatiza.
Como em todas as sessões, o evento dedicado às coleções para a primavera-verão 2025 oferece um panorama do que há de melhor na indústria do denim, do fio à tecelagem, passando pelas lavagens e acessórios. Tudo com uma atenção especial aos processos eco sustentáveis. “A Denim Première Vision tornou-se uma referência, cada vez mais identificada como um evento onde se podem encontrar produtos inovadores, de qualidade e eco responsáveis. Temos uma oferta em termos de expositores que não existe em mais lado nenhum”, afirma o curador, que observa também como o momento é particularmente estimulante para o setor. “Nunca antes tivemos tanta oferta de elementos inovadores, incluindo novas fibras, máquinas e tecnologias!”
Estavam presentes a maior parte dos operadores italianos de ganga que abraçaram a causa ecológica, como a PureDenim, bem como as empresas internacionais mais avançadas, desde o lavador de ganga de Bangladesh, M&J Group, que desenvolveu um software para rastrear os seus produtos e medir o seu consumo de recursos naturais, até ao fabricante turco Isko, que anunciou para a ocasião a criação da Re&Up, uma plataforma tecnológica destinada a ser instalada em todo o mundo para recolher peças de vestuário usadas dos seus clientes, a fim de separar e recuperar as fibras misturadas para reutilização.
O gigante da ganga também apresentou o projeto Rad Rags realizado pelo seu centro de investigação italiano Creative Room Italia, que desenvolveu o padrão perfeito para minimizar o desperdício de tecido para seis modelos típicos de ganga (dois casacos e quatro calças de ganga). A empresa utiliza os restantes 1% a 2% de desperdício para enobrecer a peça de vestuário. “Hoje em dia, se quisermos trabalhar com marcas de luxo, uma abordagem sustentável é essencial”, afirma Sebla Onder, gestora de sustentabilidade da tecelagem turca Orta, que enveredou pelo caminho ecológico há 20 anos, começando com algodões certificados. “A procura das marcas mudou; continuam desejando novas tecnologias e novas cores. Mas quando se trata de preços, estão sempre à procura do mais baixo”, salienta.
“As marcas estão cada vez mais focadas na vertente sustentável, seja nos materiais, nos tipos de tratamentos ou acabamentos ou nos agentes químicos”, confirma Paolo Marcenta, gestor de Compras do FashionLab, especialista em denim recomprada no ano passado pela Chanel. “A grande tendência que está surgindo é a procura por tecidos com maior espessura, a ideia é permanecer num universo muito rígido e sem elastano”, observa. “As marcas estão todas orientadas para o 100% algodão com um peso significativo”, acrescenta Francesca Polato, responsável pela comunicação e marketing da histórica tecelã Berto Industria Tessile. “Este tipo de tecido tem melhor toque visual e tátil e, acima de tudo, dura mais tempo, sendo percebido como mais durável”, explica.
Outras tendências incluem a procura de tecidos de ganga jacquard e estampados, que ganharam impulso ultimamente graças às novas tecnologias, bem como efeitos de texturas, como veludo ou couro. Estas novidades são expostas no novo espaço Fashion Forum, onde a Denim PV criou pela primeira vez uma verdadeira coleção de roupas com uma seleção de expositores.
“Isso ajuda a dar um rumo claro às tendências em termos de estilos, materiais, inovação e uso”, afirma Fabio Adami dalla Val, que promove desde há sete anos o Denim PV com “tudo o que há de melhor no mundo do denim”, não só através dos 69 expositores, incluindo 23 empresas italianas e 18 turcas, mas também criando momentos de intercâmbio através de conferências e seminários ou ocasiões como coquetéis, workshops, etc., e espaços de inspiração como o Denim Fashion District.
Os organizadores reuniram neste espaço 10 marcas de moda, que apresentam as suas coleções de jeans em instalações muito curadas. Entre elas, encontram-se alguns dos maiores nomes do setor, reconhecidos pela sua criatividade, como os italianos Adriano Goldschmied e Maurizio Massimino, e a marca alemã de overcycling Fade Out Label, bem como designers emergentes, como a ítalo-russa Anna Galaganenko e a jovem marca Gimmi, especializada em cânhamo. “É verdade que este salão não se destina principalmente aos compradores de moda. Os showrooms não vêm para cá. Mas para uma pequena marca como a minha, dá visibilidade e mostra que pertenço ao ecossistema do denim, ao mesmo tempo que me põe em contato com os mais importantes players do denim”, confidencia o fundador Francesco Vantin.
As duas próximas edições da Denim PV serão realizadas novamente em Milão, nos dias 5 e 6 de junho e 4 e 5 de dezembro de 2024. “Mantemos o nosso conceito de feira itinerante, mas temos de ir onde faz sentido para permitir que as empresas do setor façam negócios. Num momento de extrema mudança e incerteza, como o que estamos vivendo hoje, queremos dar aos nossos expositores e a nós próprios um pouco mais de estabilidade, o que nos permitirá cuidar ainda mais das próximas edições”, conclui Fabio Adami dalla Val.
Fonte: Dominique Muret | Foto: Divulgação









