Desafios e inovações na lavanderia denim são pauta em live

Como parte da série de lives “O Futuro da Moda”, que tem apoio do Guia JeansWear, a Fashion Innovation Bureau (FIB) reuniu grandes nomes da indústria para discutir as “Novas Tecnologias e Processos Sustentáveis na Lavanderia Jeanswear“. A transmissão segue disponível no Youtube – confira aqui.

O bate-papo online contou com a participação de Manuel Pizarro, fundador e CEO da lavanderia portuguesa Pizarro, Hiago Martins, coordenador de desenvolvimento da Lavanderia Cristal, e Marco Brito, CEO do grupo GB Customização. A mediação ficou à cargo de Américo Guelere, da FIB.

Conhecido por sua inovação e ícone no setor de lavanderia, Manuel Pizarro iniciou a conversa apontando que tem acompanhado as lives realizadas aqui no Brasil nos últimos meses e não deixou de afirmar que considera o país como sua “segunda casa”. Voltando-se para a sustentabilidade, o português calcou sua opinião nos últimos 15 anos dos quase 38 que atua na indústria.

“Temos uma convicção, temos uma estratégia e temos um rumo no futuro que queremos seguir […] Nós começamos (em 1983) éramos uma lavanderia como todas, e nos anos 90 os nossos clientes nos obrigaram a mudar. Então, ou a Pizarro dava o salto e quer ser a melhor do mundo ou um dos melhores do mundo, e para isto tem que se pensar em uma estratégia definida. Começamos a automatizar a fábrica toda, e quando se fala de sustentabilidade, se fala em automação”, comentou Pizarro.

“Hoje não temos ninguém que toca em produtos químicos, controle de resíduos industriais, uma equipe que ajuda a controlar o que entra e o que sai dentro da fábrica. E tudo isso é sustentabilidade“, completou.

O CEO da lavanderia portuguesa também ressaltou que para alcançar esta sustentabilidade desejada pela indústria, é preciso investimento. “Como consigo a sustentabilidade, se eu não tenho controle do vapor? Do ar comprimido? Como vou ser sustentável, se tenho um ambiente de trabalho ruim? Se não tenho controle da minha operação? É preciso pensar nisso hoje, depois são detalhes“, exemplificou Manuel Pizarro.

Seguindo o fio deixado pelo português, Marco Britto destacou que quando se pensa em atitudes sustentáveis, é preciso pensar além da preservação do meio-ambiente com técnicas menos agressivas. “Ultimamente quando se fala de sustentabilidade, o foco é o ambiental. É usar menos química, pouca água. Mas não podemos esquecer que sustentabilidade é pelo menos três pilares: o ambiental, o social e o econômico”, detalhou.

Os desafios para se enquadrar nos três pilares indicados, contudo, ainda são muitos. “A situação hoje no Brasil é bem adversa para desenvolver uma sustentabilidade econômica. Um laser temos que importar, não temos essa tecnologia aqui. Existe uma situação no país que, para nacionalizar uma máquina, gasta-se de 50 a 60% do seu custo. Por exemplo, se uma máquina custa 200 mil euros, esta máquina no Brasil vai custar no mínimo 300 mil euros. A própria legislação, com impostos, inviabiliza a inovação das lavanderias brasileiras a nível de sustentabilidade”, disse Marco Britto.

Hiago Martins, da Lavanderia Cristal, também ressaltou que entre os três pilares da sustentabilidade, nenhum caminha sozinho. O coordenador de desenvolvimento ressaltou como a sua empresa tem atuado para seguir este caminho (ainda desafiador) na indústria.

“De uns seis anos para cá, nós mudamos para uma planta nova, que construímos completamente do zero. Pensando muito nos recursos hídricos, na parte de abastecimento de água, de chão de fábrica para ser o mais operacional possível, sem muito vai e vem, e com as tecnologias vindo em seguida. Acredito que o controle é o mais importante, uma lavanderia não é nada sem uma automação“, disse Hiago.

Já nas considerações finais, Manuel Pizarro indicou que, ao contrário do que alguns experts da área apontam, o Brasil deve conviver com grandes lavanderias da Europa e dos Estados Unidos durante muito tempo. As inovações seguiram acontecem em diversas partes do mundo e a “palavra de ordem” é união.

O Brasil tem tudo para dar certo […] Temos que ter força para passar por esta pandemia, pedir que passe o mais rápido possível porque não é fácil levantar com esta bomba, que é uma autêntica bomba. Ninguém está imune a isto, não sabemos o que vai acontecer, temos fé e esperança, mas vai demorar um pouco. Que tudo passe rápido”, finalizou Manuel.

Fonte: Thaina Barros | Fotos: Reprodução