Economia criativa, inovação e tecnologia conduzem Brasil Eco Fashion Week

A quarta edição do Brasil Eco Fashion Week aderiu ao formato online, com uma programação repleta painéis de conversa, workshops e desfiles transmitidos ao vivo entre os dias 18 e 28 de novembro. O evento, que já concluiu grande parte de sua programação, apresentou novas propostas para este segmento que promove desenvolvimento social e econômico.

TA Studio

Ao todo, o BEFW reúne 33 painéis de conversa, 13 workshops e 18 desfiles que apontam realizações no segmento de moda sustentável. Todos transmitidos no site do evento e também em seu canal oficial no YouTube.

A abertura do evento contou com o painel “A Economia Criativa como estratégia de desenvolvimento sustentável“, apresentado pela doutora Claudia Sousa Leitão, especialista em Economia Criativa, pesquisadora de Indústrias Criativas da Universidade Estadual do Ceará, e consultora da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

“Enquanto a confecção é um setor tradicional da indústria, o design de moda é o que vem transformando essa indústria”, firmou a especialista na apresentação, ressaltando a importância de refletir sobre as contribuições do setor para a sustentabilidade do planeta. “A moda, enquanto setor criativo, deve se comprometer com o desenvolvimento sustentável que valorize e proteja a biodiversidade cultural”.

Outro tema abordado foi o “EcoDesign brasileiro e Mercados Globais“, em painel mediado por Geni Rodio, consultora de moda e mercado da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Entre as integrantes, estiveram a CEO da marca paraibana Natural Cotton Color, Francisca Vieira, e a consultora criativa e representante da Frasson Gallery Magazine e Dossier Arts and Fashion, Alexandra Bismark.

Além disso, os parceiros corporativos Renner e Sebrae Nacional – apoiadores desde a primeira edição do BEFW – trouxeram para o evento o case “Encadeamento Produtivo e Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS’s) na cadeia de fornecimento” com a participação de Eduardo Ferlauto e Vinicios Malfatti, da Renner e Renato Perlingeiro Salles Junior do Sebrae. Os painelistas dialogaram sobre práticas que têm como objetivo o desenvolvimento de pequenas e médias empresas para temas como qualidade e sustentabilidade, eficiência, cooperação e inovação.

Houveram ainda mais orientações para conquistar espaço no mercado com o painel “A busca por sustentabilidade no consumo online de Moda“, pelo Mercado Livre. O maior marketplace da América Latina é patrocinador do evento, e será representado na programação pelo supervisor de Marketplace de Moda e Esporte, Tiago Corrêa. Ele destacou como funciona a nova aba “Consumo Consciente” da plataforma, e apresentou resultados de pesquisas de tendência de consumo para o mercado “verde”.

O tema “Gestão 4.0 no desenvolvimento de produtos” também foi abordado, com Michele de Sousa, do Senai Cetiqt, Matheus Fagundes, da Audaces e Carolina Pires, da Lupo, trocaram informações sobre como a gestão de processos, alinhada à tecnologia e inovação conduzem a moda para o caminho da sustentabilidade. O painel tem mediação de Fernando Pimentel, presidente da Abit.

Mercado Eco

Entre os principais destaques desta edição da BEFW foi a realização do Mercado Eco, um espaço para venda de vestuário e acessórios de slow fashion. A novidade é realizada através do aplicativo “Brasil Eco Fashion”, que pode ser baixado no celular, nas lojas Google Play e Apple Store, ou acessado em brasilecofashion.com.br/mercadoeco.

O espaço estimula a transparência na cadeia produtiva, entre as cerca de 60 marcas selecionadas. Entre elas estão Tiê Moda Sustentável, Laluz Brasil, Misnella, O jardim, Nós mais Eu, Coletivo Des, Razão Social, Wendyel Borin, Thami Smidi, Paula Feber e Dona Rufina – trazendo diversidade de produtos, elaborados em processos produtivos com práticas de responsabilidade ambiental e social.

Marcas responsáveis na passarela

Os desfiles da Brasil Eco Fashion Week serão realizados entre os 26 e 28 de novembro, completando a programação da atual edição do evento – confira a programação completa aqui.

A passarela online do BEFW conta com a presença internacional da Afroricky, de Maputo, Moçambique. A estilista Ricância Agira apresenta uma coleção com uso de algodão orgânico colorido da Paraíba, tons tingidos com vegetais e aplicações de recortes em capulana – print africano que é patrimônio de seu país.

Outro destaque é a cooperativa Justa Trama fará sua estreia na passarela depois de mais de 20 anos atuando com agricultura familiar no cultivo do algodão orgânico. Também da região Sul do país, desfila Eneas Neto, com seu trabalho diferenciado em seda brasileira e modelagem de baixo resíduo.

Do Sudeste, a grife paulistana Manuí Brasil apresenta sua cartela de cores autoral em tingimento natural, e a marca mineira Ronaldo Silvestre desfila apresentando os resultados desenvolvidos em seu Instituto Iti. O Rio de Janeiro marca presença com os desfiles da TA Studio e da Movin. A Nalimo, marca da estilista indígena e produtora Day Molina, também do Rio, apresenta um desfile urbano e contemporâneo.

Fashion films

Vale destacar que a quarta edição do BEFW traz quatro fashion films que serão exibidos antes dos desfiles. No dia 26, será exibido o videomanifesto Água, do festival Trama Afetiva, com direção criativa de Jackson Araújo. Na sequência, o vídeo da Contextura sobre o ambiente que inspirou a coleção Weel-being, com conceito “fruição intimista de profusão de texturas e harmonia de cores e formas”.

No dia 27, será a vez do curta Epifania, da marca Silvério, um estudo sobre a vulnerabilidade das relações interraciais em cenário pandêmico. Na sequência, o documentário Geova – Mundo em Recriação, uma realizacão da ABZ Lab, conexão criativa por Augusto Bezerril. Em cena, o estilista Geova Rodrigues que mostra o processo criativo desde a máquina de costura ate o ponto de venda em Nova Iorque.

Fonte: Redação | Fotos: Divulgação