Empresa japonesa mantém viva ‘arte perdida’ na produção do índigo

Do plantio ao tingimento, a empresa Buaisou mantém os processos tradicionais da produção do índigo. A empresa japonesa comandada pelo quarteto Yuya Miura, Kakuo Kaji com Sakura, Tadashi Kozono e Ken Yuki preserva uma “arte perdida”, em um lugar onde a tonalidade denim é uma das mais populares do país.

Tudo começa no um hectare de terra disponível na empresa, onde a planta índigo é cultivada e colhida. Na sequência, os fabricantes as secam em ambientes fechados e depois as compostam para iniciar um processo de fermentação que eventualmente produz uma substância chamada sukumo, a base do corante índigo natural.

O sukumo é misturado com lixívia de madeira, farelo de trigo e cal de casca, no que eles chamam de “cubas infernais”, tanques nos quais mergulham fios e tecidos repetidamente para alcançar os tipos de blues. “É incrível”, apontou Kaji, em entrevista à Revista Airbnb. “A partir dessas plantas verdes, posso criar esse azul profundo“, completou.

O processo, conhecido como aizome, já é realizado no Japão desde o início do século 19. Na época, mais de dois mil produtores de sukumo operavam na região e o ai, ou azul, se tornou a cor de assinatura do Japão, aparecendo em quimonos, lenços, cobertores de trapos e até sacos de grãos (diz-se que o índigo atrai pragas).

Este modo de produção do índigo acabou decrescendo no início do século 21, quando quase todos esses produtores haviam fechado e a indústria têxtil, em grande parte, mudou para o índigo sintético. A Buaisou apostou neste modelo a partir de 2012, quando Kaji, que estudou sob sukumo com o mestre Osamu Nii, elevou o número de operações índigo para seis.

Os tecidos tingidos no grupo são cobiçados por nome como Blue Bottle Coffee, que tinha sacolas de lona da Buaisou, até artistas como Gabriel Orozco e Asao Tokolo, que projetaram o logotipo com padrão índigo para as Olimpíadas de Tóquio em 2020. A Buaisou também tinge para algumas marcas de moda selecionadas, incluindo o arauto Drake’s e o designer Mihara Yasujiro.

Vale destacar que o denim japonês se tornou uma mercadoria quente, elogiado em todo o mundo por suas cores brilhantes e pela meticulosidade de sua construção. A indústria está sediada algumas horas ao norte de Tokushima, através do Mar Interior de Seto, na pequena cidade de Kojima, a “terra santa” do jeans desde os anos 1960. Dezenas de fábricas e oficinas operam no país, produzindo para rótulos nacionais e internacionais, como Gucci, Balenciaga e Armani.

Em Kojima, o modelo tradicional de produção denim é terceirizar cada estágio da construção para uma oficina diferente. Yoshinori Hasuoka, o “mais azul” entre o quarteto, colocou tudo sob o mesmo teto, dando a ele o controle de Buaisou sobre todos os aspectos da construção.

“É uma coisa rara, um pássaro raro, ter a coisa toda em um campo”, disse ele.

Fonte: Redação | Fotos: Carol Sachs

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