Krishan Agarwal, presidente da Melrose.com, comércio online de relógios de luxo, revelou a uma sala cheia de empresários de venda eletrônica que o Facebook tinha ajudado a sua empresa a gerar cerca de 25% mais vendas em dois anos. A Melrose gastou menos de 1.500 dólares em anúncios publicitários no Facebook durante esse período. Todo o resto que a empresa fez na mídia social foi gratuito. Algumas das ferramentas gratuitas são muito melhores do que os anúncios publicitários no Facebook, explicou Krishan na Internet Retailer Conference & Exhibition em Chicago.
A experiência da presidente atinge o centro dos problemas enfrentados pelo Facebook Inc à medida que tenta transformar sua rede gigante global numa máquina de fazer dinheiro. Os anunciantes adoram a plataforma, mas não veem necessariamente a vantagem em gastar dinheiro com publicidade.
O Facebook espera dissipar algumas das dúvidas com novos formatos de anúncios que oferecem um melhor acompanhamento do comportamento do cliente. A rede também começou inserir publicidades diretamente no News Feed, fluxo de atualizações que todos os usuários recebem, o que deverá ajudar a empresa a lidar com o desafio de apresentar anúncios em dispositivos móveis.
Mesmo assim, os analistas consideram que, a longo prazo, o Facebook poderá ter que começar a cobrar por serviços que são atualmente gratuitos. As preocupações com a dependência das empresas nas ofertas publicitárias que, ao contrário do rival Google, não provaram ser fundamentais para os clientes, ajudaram a eliminar 25 mil milhões de dólares ao valor de mercado da rede social após a sua entrada em bolsa. Eles estão com enormes dificuldades porque a maior parte do seu negócio é baseada no crescimento de publicidade, afirmou Sucharita Mulpuru, da Forrester Research, que completa: por que comprar a vaca quando pode tirar o leite de graça?.
A experiência dos empresários de comércio eletrônico, que abrangem uma grande parte do mercado de publicidade online e são um setor crucial para o Facebook, fornece uma visão clara do desafio publicitário. Com todos os recursos gratuitos do Facebook, os empresários não precisam se preocupar se funciona muito bem. Mas a partir do momento em que pagam um centavo, tem que haver responsabilidade, indicou Fiona Dias, diretora de estratégia na ShopRunner, uma empresa de transporte e-commerce detida parcialmente pelo eBay.
Katie Ennis, responsável de comércio eletrônico da RCC Western Stores (empresa de vestuário), contou que utilizava anúncios publicitários no Facebook até que um dia que analisou o retorno do investimento em comparação com outros meios de publicidade que a empresa utilizava. As conversões simplesmente não existiam. As pessoas às vezes clicavam nos anúncios, mas não compravam, explicou. Então paramos completamente de fazer anúncios no Facebook no início deste ano.
Após cerca de um mês, a RCC Western registrou um declínio nas vendas. A empresa voltou a exibir anúncios na mídia social e as vendas recuperaram-se. Por consequência, os anúncios no Facebook estão tendo efeito, mas não tenho a certeza como e não conseguimos medi-lo, referiu Ennis.
A Giantnerd foi uma das primeiras empresas a adotar o projeto Open Graph do Facebook, que permite aos compradores gostar, querer ou possuir produtos na página da empresa. Quando os clientes clicam nesses botões, essas recomendações são partilhadas com os amigos através da timeline.
O Facebook destacou o sucesso do Giantnerd em um blog de junho, apontando que o tráfego do website proveniente da rede mais do que triplicou após a empresa integrar o Open Graph, que se trata de um serviço gratuito. No entanto, Randall Weidberg, diretor executivo da Giantnerd, foi menos entusiástico em relação aos anúncios publicitários tradicionais pagos no Facebook: Eles têm o seu lugar, mas não terão resultados surpreendentes, disse o responsável durante a conferência.
PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO










