Engajamento e e-commerce humanizado na superação da crise no grupo Soma

Roberto Jatahy, CEO do grupo Soma que engloba seis marcas no Brasil, como Animale, Farm, Maria Filó, A.Brand, Cris Barros, Foxton, conversou com a jornalista Lilian Pacce sobre a crise do novo coronavírus e como a companhia tem lidando com o cenário imposto pela pandemia. A empresa, que mantém o DNA das marcas com o diretor criativo de cada uma, teve início com a união entre a Animale, que colaborou com seu modelo de gestão, e a Farm, com sua cultura digital e que estava se preparando para abertura de capital.

A empresa mantém mais de sete mil funcionários (25 a 30 mil empregos indiretos) e mantém todas as lojas físicas fechadas até aqui. Logo no começo da pandemia, a primeira preocupação foi de preservar a equipe e mantê-la engajada. Em seguida, veio a MP do governo que também colaborou para ajustar férias, jornadas de trabalho reduzidas, entre outras ações.

Depois olharam para a cadeia de fornecedores, principalmente as empresas mais frágeis como as facções, onde mantiveram suas produções. Segundo Roberto, esse é o melhor caminho para sair mais rápido da crise: manter os empregos de toda a cadeia. O desligamento é uma decisão a curto prazo, porém, equivocada. “A obrigação das empresas é entender o que pode fazer pelos outros e também como cuidar da cadeia”, afirmou.

Mais uma vez o “tão sonhado” novo calendário de moda entrou na pauta, mas para o CEO, isso é insustentável e não vai existir. Isto porque quem define é o consumidor e não as marcas. “O mercado é muito pulverizado, não haverá um consenso entre as companhias. Eu não concordo com esse calendário, mas depende do comportamento do consumidor”, comenta Roberto.

Outra ação que não se encaixa em nosso mercado é a Black Friday, ação importada dos EUA realizada no final de novembro, que vem prejudicando as vendas de Natal. “Começamos a pensar em alternativas para isto, como coleções específicas para essa época”, diz Roberto.

Em relação ao comportamento dos consumidores, Roberto avalia que muita coisa vai mudar, da forma como as empresas se organizam com mais eficiência na hora da compra e até na aceleração digital. O grupo já detém 22% das vendas captadas no online e registrou um crescimento de mais de 240% neste momento.

“Não olhamos mais o e-commerce como um canal, mas como uma plataforma de transação e comunicação e, na quarentena, percebemos que as pessoas não gostam de comprar com uma ‘máquina’, elas querem uma venda assistida em toda a jornada digital com a ajuda de um vendedor. Estamos criando uma série de ferramentas para essa relação com o cliente. Essa migração para o digital está mais humanizada, a transação quase robótica a gente não acredita mais”, comenta Roberto.

Jornalista Lillian Pacce e Roberto Jatahy, CEO do grupo Soma, durante transmissão no Instagram

Sustentabilidade

Entre os projetos relacionados aos cuidados com o meio ambiente, o grupo Soma utiliza matérias-primas sustentáveis e reaproveitamento de materiais. Na Animale, por exemplo, já aconteceu uma ação onde a cliente levava peças antigas e trocava por vales para descontos em novos modelos. Essas peças foram doadas para comunidades carentes.

Multimarcas

Em relação às multimarcas, Roberto Jatahy acredita que é necessário reorganizar o relacionamento comercial entre elas e o grupo, pois ninguém está ganhando. “Precisamos trazer as multimarcas numa integração de estoques para melhorar o capital de giro”, disse o CEO.

Por fim, Roberto apontou que, com uma equipe feliz, unida, engajada e com um propósito, conseguirão sair dessa crise melhor. No grupo, todos os colaboradores tornaram-se vendedores, numa ajuda mútua entre funcionários e empresa.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução