Evento aponta as melhores práticas sustentáveis dentro das empresas

Idealizado por Chiara Gadaleta, “II Summit – A Moda pela Água” aconteceu em 22 de março, quando se celebrou o Dia Mundial da Água. O grande mote do evento foi: “Água e clima não são tendências, são garantia de futuro na moda”.

Segundo Chiara, 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa são produzidos pela indústria de moda, sendo que a produção têxtil libera cerca de 1,2 bilhões de toneladas desses gases. Em relação à água são consumidos 93trilhões ao ano, o que corresponde à 4% da captação mundial.

Dentro desse contexto, muitas empresas já vêm, há algum tempo, trabalhando para minimizar os impactos ao meio ambiente. E, foi para abordar essas boas práticas dentro do mercado de moda que o evento reuniu a ABRAPA, Damyller, Nilit e Malwee sob a mediação de Andrea Vialli em um produtivo painel. “Temos desde o algodão, setor químico, fabricantes e varejos que realizam boas práticas para todos os elos da cadeia”, afirma Andrea.

Júlio Cézar Busato, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA) ressaltou que a maior parte da produção do algodão no Brasil não precisa ser irrigado, somente 8% é produzido dessa forma. O país também é campeão na utilização de defensivos agrícolas biológicos. “Queremos usar cada vez menos inseticidas”, comentou. “Estamos trabalhando em defensivos menos agressivos tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente”.

Fabianne Pacini, diretora global de marketing e de conteúdo da Nilit, maior fornecedora de poliamida no mundo, conta que a empresa está voltada para desenvolver soluções que ajudem todos os elos da cadeia têxtil com produtos cada vez mais responsáveis e sustentáveis.

Uma das novidades é o fio que já vem tinto o que gera uma economia de 24 mil litros de água para cada tonelada de tecido. Foi desenvolvido ainda um projeto na fábrica localizada em Americana, para a redução de 40% de gases tóxicos. “Estamos trabalhando ainda em um produto que acelera a biodegradação do tecido em ambientes marinhos. Isso vai ser um enorme avanço e vem muito mais por aí”, afirma Fabianne.

Ela conta que vem aumentando muito a preocupação com processos mais sustentáveis. “Lançamos há 10 anos a poliamida reciclada, mas temos visto que a partir de 2019 essa demanda cresceu muito”, diz Fabianne que comentou que estão surgindo outros projetos em colaboração com a cadeia de moda.

“Ninguém faz nada sozinho, somos nós, indústria, com as tecelagens, com o varejo e também o consumidor final. Estamos com alguns projetos exclusivos para o desenvolvimento de soluções que atendam às necessidades das marcas como a reciclagem de resíduos, redução da poluição têxtil e da água”, completou a diretora.

A Damyller sempre se preocupou com as questões sustentáveis e mantém uma estação de tratamento de efluentes em sua sede, em Santa Catarina, com descarte de água limpa, além de trabalhar processos de beneficiamentos através do ozônio, evitando o consumo de energia elétrica, produtos químicos e a redução de quantidade de água. “Desenvolvemos produtos que utilizam menos 80% de água na confecção e beneficiamentos, a linha Zero Descarte com tecidos que evitam processos em lavanderia e corantes naturais para a realização de serigrafias tanto no jeans quanto na malharia”, explica o gerente de beneficiamento, Pedro Eduardo Daminelli.

Já a Malwee trabalha com moda sustentável há mais de 50 anos e vem reformulando sua comunicação com o consumidor final destacando a campanha “Moda sem ponto final”, com foco numa moda mais consciente, duradoura, sem falar, por exemplo, em Inverno 2021, mas vários invernos ou enquanto durar a nossa roupa porque ela não vive de uma só estação.

“A própria pandemia nos fez repensar sobre esses valores e também as novas gerações trazem esse novo jeito de pensar sobre a moda”, afirma Guilherme Moreno, gerente de marketing da Malwee.

Em relação à água dentro do universo fashion, ele destaca que é impossível fazer moda sem utilizar água – desde o plantio do algodão até o jeito que a gente tinge, lava e finaliza os produtos, porém o jeito que as empresas a usam é que faz a diferença.

A empresa mantém uma estação de tratamento de água em sua fábrica e, em 2019, criou a LAB Malwee Jeans com tecnologia vinda da Jeanologia onde são trabalhados produtos com até 98% de redução de água em uma moda acessível, sem cobrar a mais por isso.

O “II Summit – A Moda Pela Água” está disponível na íntegra no Youtube, confira aqui.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução