Evento enxuto destaca moda viável com identidade forte

Apesar do primeiro dia da 37ª edição da Casa de Criadores ter nos contemplado com uma moda mais comercial, o segundo dia foi mais performático e contou com desfiles que sempre foram a cara da Casa. Já o último dia trouxe de volta o apelo comercial que vimos nos desfiles que abriram essa edição.


Segundo Dia:


Raphael Debei desfilando pelo Projeto LAB mostrou uma coleção dedicada à moda masculina. Roupas de linho em cores neutras e que, vez ou outra, ganhavam toques de cor com o laranja aceso e o vermelho burgundy. O clima era de férias em Portofino.


Felipe Fanaia apresentou sua visão das tribos urbanas e, para isso, apostou muito no denim e na sarja. A inspiração vem do filme “The Warriors” de 1979. “Mergulhei no ambiente do filme e, de lá, fui montando as peças, que não possuem continuidade entre si. Cada look representa uma gangue, cada uma com seu estilo”, comentou o estilista. A Vicunha Têxtil, sempre presente nas passarelas, teve três de seus tecidos utilizados pelo estilista: a sarja Cher, o black denim Beverly, e o índigo Tasmania.


Fernando Cozenday colocou um ponto de interrogação na cara dos mais conservadores ao colocar modelos transgêneros na passarela. A definição de homem e mulher foi, na verdade, completamente deixada de lado por Cozenday, que mais uma vez mostrou seus collants lúdicos e peças divertidas.


Fabia Bercsek voltou à Casa de Criadores depois de seis anos afastada das passarelas, seu último desfile foi no SPFW Inverno 2010. Segundo o FFW, sua volta foi uma das estratégias para promover o lançamento do high lace tennis boot, novo modelo de sapato que é o primeiro grande lançamento de Fabia como diretora criativa da marca de calçados Cravo & Canela, patrocinadora do evento.


Terceiro Dia:


Karin Feller nos reserva sempre uma coleção com charme feminino e uma boa dose de referências comerciais, mas nada tediosas. Pelo contrário, Karin aposta em estampas, mix de tecidos e formas que sempre deixam suas coleções bem balanceadas e desejosas. Para a temporada de verão 2016, vestidos sobre calças, macaquinhos e pantalonas cropped ganharam destaque. A estilista usou o brim Ypoá da Vicunha Têxtil para construir algumas peças da coleção.


Martins apostou no preto e branco elegante para roupas que podem ser de praia ou piscina, ou podem também serem usadas para causar frisson na noite. Toques de transparências, fluidez e geometria formaram a base para a coleção.


Ale Brito olhou para o sportswear ao apresentar uma coleção solta, formas limpas e toque de brilho.


Gralias apresentou um desfile com toques de lúdico e referências circenses. A dupla vem apostando nesse universo e chamando a atenção não só no Brasil, como também no exterior com suas coleções que são comercialmente viáveis, mas ao mesmo tempo com uma identidade bem particular.

MARINA COLERATO | FOTOS: Marcelo Soubhia/ Ag. Fotosite