Feira Pop Plus discute inovação e tecnologia na moda plus size

Na última semana, a feira Pop Plus realizou sua 28ª edição em São Paulo, reunindo as principais novidades para o segmento plus size. O evento, que contou com apoio da LYCRA® Brasil, também reuniu debates sobre inovação e tecnologia na produção de moda e seus diversos campos dentro deste mercado.

No primeiro dia de evento, Alexandre Grilo, gerente de comunicação para a América do Sul da LYCRA® Brasil, Juliana Medina, especialista em denim e professora da Denim City SP, Amanda Momente, co-fundadora da Wondersize e do projeto Revolução Plus Size, se uniram em um debate guiado por Thamiris Rezende, jornalista, podcaster e gordoativista.

O painel ressaltou como, no mercado de moda plus size, a tecnologia e inovação pode vir em diversas direções, como na oportunidade, na grade de tamanhos, no conforto e em produtos que se adaptem ao consumidor final.

No caso da LYCRA®, por exemplo, seu fio entremeado nos tecidos permite uma elasticidade nas peças, criando “memória” e fazendo com que haja maior durabilidade e conservação. “Revolucionamos o modelo de consumo de roupas, pois a LYCRA® impacta performance de atletas, faz com que roupas modelem melhor o corpo. A LYCRA® estava presente nas roupas do primeiro homem que colocou o pé na lua”, contou Alexandre.

Para Amanda Momente, a oportunidade nasceu no Pop Plus. “Vim com uma roupa que fiz com uma costureira e as pessoas perguntavam de onde era”, conta. Assim, entendeu a oportunidade de criar a Wondersize, primeira marca de performance para gordas. “Sempre amei esportes e não encontrava peças que me auxiliassem na performance, usava várias coisas que não respeitavam meu corpo”.

Antes mesmo do design e da beleza, a inovação está na preocupação com usabilidade. “Pra mim, usabilidade é a coisa mais importante em uma roupa para pessoa gorda, sempre testo todos os produtos pois sou muito preocupada com mobilidade e liberdade”, diz Amanda.

Juliana conta que em comum, a pessoa gorda e o jeans são muito marginalizados. “Percebi isso quando vim para São Paulo estudar, a gente está à margem da moda”.

A especialista produziu uma pesquisa sobre o consumo de jeanswear para a Associação Brasil Plus Size sobre o mercado denim e concluiu que “o consumo do jeans cresceu absurdamente na pandemia, porque ao comprar online a pessoa não vive o fator constrangimento da compra”. Um reflexo da necessidade de discutir moda plus size.

Completa, ainda, que até mesmo o visual merchandising tem impacto no assunto. “Eu me pergunto se as pessoas realmente querem vender para gordo, porque colocam vários modelos lindos na vitrine e quando chegamos no nosso setor, não tem nada daquilo”.

Com sua experiência no mercado de jeanswear, Juliana explica que é preciso compensar os tecidos com tecnologia. “O corpo gordo é um quando está em pé, outro quando senta e outro quando agacha. Existe linha para costurar jeans, por exemplo, que é elastizada e muita gente não usa”.

“Há muita informação circulando por aí”, propõe Alexandre, “mas, às vezes, é surpreendente como tantas informações tão relevantes e cheias de oportunidade não necessariamente chegam onde tem que chegar. E tem que chegar pra pessoas que vão viabilizar e desenvolver mais peças e produtos”.

Sobre as tecnologias propostas pela LYCRA®, ele conta que “temos tecnologia pensada na melhoria e conforto dos tamanhos de peças. Temos tecnologia para leggings, por exemplo, que evitam transparência, outras que cuidam da questão térmica. E agora um fio que chamamos de tecnologia inclusiva, que funciona para todos os tipos de 48, por exemplo, muito mais generoso com esse processo de esticar e voltar as peças”.

Quando questionada sobre o papel das fast-fashion, Amanda lembra que “primeiro, eles precisam ter vontade de aprender [com as pequenas produções]. Já visitei algumas e vejo que não há mão de obra qualificada para fazer esse trabalho e, no mercado, isso se torna uma barreira no desenvolvimento”.

Juliana e Amanda concordam no recado: quem acha que moda plus size é um nicho, está enganado. É um mercado com demanda reprimida que representa mais da metade da população. O lembrete é direto: “estilistas, estudem o corpo gordo, olhem pra esse cliente, porque o tecido a gente já tem”.

Fonte: Redação | Fotos: Divulgação