Fórum debate sobre algodão geneticamente modificado

Representantes do setor têxtil e de confecção do Brasil e de outros países prestigiaram o congresso do ITMF (International Textile Manufacturers Federation) que teve iníciono dia 17.10, em São Paulo, com um debate sobre algodão geneticamente modificado. Jeff Elder, vice-presidente da J.G. Boswell, Haroldo Cunha, presidente da Abrapa e Terry Townsend, diretor executivo do ICAC participaram do painel.

Jeff Elder abriu a sessão abordando o tema “Algodão geneticamente modificado é sustentável? Uma visão dos EUA”, substituindo Don Cameron, gerente geral do Terranova Ranch. Baseado na apresentação de Cameron, Elder explicou que a terra para o plantio do algodão é restrita devido ao aumento da urbanização, cujo crescimento é de 3% a 4% ao ano. Além disso, o planeta tem recursos limitados, e isso obriga a indústria repensar em como atender a demanda, que cresce cada vez mais. No entanto, ele afirmou que haverá mais algodão em 2011 na Califórnia. “Alcançaremos 2,5 milhões de hectares. As commodities agrícolas estão indo bem por lá”, disse.

A respeito da sustentabilidade, Elder lembrou que existe um relatório feito pela ONU, “Nosso futuro comum”, que trata de como é possível diminuir os impactos ambientais. Segundo ele, essa preocupação já existe antes mesmo do relatório. Além disso, o governo dos Estados Unidos mediu impactos ambientais das plantações de milho, soja, trigo e algodão, e chegou à conclusão que a degradação do meio ambiente diminuiu.

Através de gráficos, Jeff Elder mostrou que o uso de transgênicos aumentou nos EUA, melhorando a tolerância das plantações a agrotóxicos e insetos. “A retórica de que transgênicos fazem mal está ficando cansativa, e usar a tecnologia é uma escolha do agricultor. Já o algodão orgânico não tem agrotóxicos e seu rendimento é menor, menos de 1% da produção mundial”, comentou. Disse, ainda, que o algodão biotécnico é o mais sustentável.

“É sempre muito interessante acompanhar a visão de outros países sobre o assunto, em especial, Estados Unidos”, comentou o coordenador do Comitê de Algodão da ABIT, Ivan Bezerra Filho. “No que se refere ao transgênico, acreditamos que ele pode baratear a cultura da fibra”, adicionou.

ABIT | FOTOS: REPRODUÇÃO