G7 Fashion Summit mobiliza setores variados da moda

Retirada de plástico dos oceanos, zelo pela biodiversidade, busca pelo ideal emissão zero de gás carbônico. Na atual atmosfera de tensão política e ambiental que paira sobre as notícias atuais, todas estas metas se tornam ainda mais relevantes para constar na bagagem das marcas de moda com atuação e visibilidade mundial.

Prova disso foi a variedade no perfil dos “global players” do setor, reunidos pelo G7 Fashion Summit, um encontro que reuniu 32 empresas. Idealizado pelo presidente da França Emmanuel Macron, o evento reuniu em um só interesse, desde marcas de luxo até nomes relacionados ao esporte e fast fashion.

A convocação para o debate das ações e revisão do cumprimento (e descumprimento) das empresas participantes do pacto, foi motivada pela influência de François-Henri Pinault; empresário francês, presidente e CEO da Kering desde 2005, a quem Macron confiou a tarefa de convocar todos os demais participantes para a reunião.

O “pacto de moda” do G7 tem como objetivo desenhar iniciativas de redução na emissão de gás carbônico, as quais estão fundamentadas nos estudos científicos da SBT – a confiável empresa Science-Based Targets.

Com base em tais orientações, prioriza estacionar o aquecimento global: através da criação e implantação de um plano de ações para alcance do objetivo de zero emissão de gás carbônico até 2050, com o objetivo de manter o aquecimento global em um caminho inferior a 1,5ºC dos dias atuais até o ano de 2100.

A pauta também agrega a restauração  da biodiversidade, através da busca por objetivos baseados na ciência que tenham por meta restaurar os ecossistemas naturais e proteger as suas espécies. Além disso, a iniciativa busca proteger os oceanos através da redução do impacto negativo das industrias de moda nos oceanos através de iniciativas praticas, como a redução gradual do uso de plásticos de uso único.

Adidas, Bestseller, Burberry, Chanel, Gap, Giorgio Armani, Grupo H&M , Inditex, Ralph Lauren, Moncler, Karl Lagerfeld, Kering, Nike, Nordstrom, Prada,  PVH (detentora de marcas como Calvin Klein e Tommy Hilfiger), Puma, Stela MacCartney e Selfridges constam entre os influentes nomes que já assinaram o pacto. Uma alquimia entre luxo, esporte, e fast fashion singular, que reflete a relevância que este tema tomou em todos os setores da moda.

O encontro trouxe a tona também algumas criticas. Entre elas, a de que o Pacto de Moda é um ótimo guia para a industria, mas não possui respaldo jurídico – o que não o torna efetivo. Também o problema da cadeia de suprimentos: de acordo com os participantes, é neste ponto, onde são fabricados os insumos, que os dados relacionados ao impacto ecológico são mais “mentirosos”.

De acordo com os participantes, os fornecedores que produzem o material bruto, têxteis quimicamente tratados, e bens que são enviados para o final da cadeia, são intermediadas por fornecedores que encomendam pedidos para fabricas locais da China, Índia e Bangladesh – prática que segundo eles, compromete a transparência e precisa ser cada vez mais vigiada.

E finalmente, a questão que continua pairando sobre a mente dos produtores de moda: não estariam as companhias de fast fashion, com suas constantes trocas de coleções e lançamentos,  alimentando nos consumidores o desejo por um consumismo cada vez maior?

A redução do consumo seria boa para o planeta, mas todos concordaram – do luxo ao esporte – que incentivar o consumidor a comprar menos seria contraprodutivo em todas as áreas. Logo, a sustentabilidade em seu sentido mais atual e amplo, o qual inclui saúde financeira entre seus atributos, envolve consumir muito mais, de um produto com antecedentes cada vez mais limpos e transparentes.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução