Gerações têm prioridades de consumo opostas

A faixa etária dos consumidores pode ser determinante para moldar as perspetivas de compra. Por isso, e em campos opostos do espectro das gerações, os baby boomers e a geração Z revelam prioridades muito distintas para a indústria do varejo.

De acordo com o estudo “The State of Consumer Spending: Gen Z Shoppers Demand Sustainable Retail” (O estado dos gastos dos consumidores: os compradores da Geração Z exigem varejo sustentável, em tradução livre), as marcas revelam alguma dificuldade em cativar a geração Z ao mesmo tempo que aderem às políticas das gerações anteriores. O relatório foi publicado pela First Insight, uma plataforma de percepção do consumidor, e divulgado pelo Sourcing Journal.

A pesquisa mostrou que, mais do que qualquer outro grupo geracional, os baby boomers são os menos receptivos à mensagens sustentáveis. Apenas 39% dos mil consumidores questionados em dezembro de 2019 afirmaram preferir comprar produtos de marcas preocupadas com questões ambientais. Já os millennials e a geração Z atribuíram uma importância maior a este fato, optando por por marcas sustentáveis em 62% das vezes.

A geração silenciosa, referente à população nascida entre 1925 e 1942, favoreceu ainda mais as marcas sustentáveis (44%) apesar de ser mais antiga que os baby boomers. Contudo, segundo Greg Petro, CEO da First Insight, estes dados não são determinantes para as marcas, uma vez que estas não podem deixar a sustentabilidade para segundo plano, mesmo os varejistas direcionados para os baby boomers.

“Embora os baby boomers sejam os mais resistentes relativamente às práticas sustentáveis no mercado em geral, o estudo mostra que, a cada geração, a sustentabilidade está a integrar-se cada vez mais nas decisões de compra”, revela Greg Petro. “É consideravelmente importante que os varejistas e as marcas continuem seguindo a voz dos clientes“, afirma.

A pesquisa sugere que a maior parte da geração Z (73%) está disposta a pagar mais por um produto fabricado de forma mais sustentável. Na sequência aparecem os millennials, com 68%, e a geração X (1961-1981), com 55%. Uma vez mais, a geração Silenciosa mostrou estar mais receptiva às práticas ecológicas, com 50% a defender os preços mais altos a favor da sustentabilidade, comparado aos 42% dos baby boomers.

Sustentabilidade para todos

Independentemente da geração, quase todos os consumidores esperam que o mercado se torne mais sustentável. Surpreendentemente, quem lidera esta linha de pensamento não são os consumidores mais jovens, mas sim a geração X, com 84% dos participantes da pesquisa indicando prever ações sustentáveis por parte das empresas.

Os millennials seguem-se com 78% e a geração silenciosa com 68%. Já a geração Z e os baby boomers encontraram, finalmente, um parâmetro concordante, com 73% da população demográfica a antecipar um melhoramento nas práticas sustentáveis de comércio.

“Com a geração Z a caminho de se tornar a maior geração de consumidores este ano, os varejistas e as marcas devem começar a valorizar as práticas ecológicas agora, de modo a consigam acompanhar as expectativas à volta da sustentabilidade para os consumidores das próximas gerações, seja por consagração, upcycling ou até presentear nas épocas principais”, destaca a pesquisa.

A influência da sustentabilidade no mercado já está tendo impacto através das plataformas de revenda e da economia de r-ecommerce, o nome dado à venda de produtos novos ou usados em plataformas de distribuição que já tiveram um proprietário anterior. Apesar da revenda ser um modelo de negócio projetado para os jovens, é utilizado por todas as gerações, dado que nenhum grupo expressou aprovação inferior a 52%, taxa conferida pelos baby boomers.

Fonte: Portugal Têxtil | Foto: Reprodução