Homens estão comprando mais roupas

A alemã Hugo Boss, que gera a maioria das suas vendas no vestuário masculino, pretende atingir lucro de 50%, chegando aos três bilhões de euros até 2015, suportada por uma mudança cultural internacional que levou mais homens a interessar-se por moda e a investirem em sua aparência. “Os homens estão despertando ainda para a preocupação de estar bem vestido”, afirmou Claus-Dietrich Lahrs, presidente-executivo da marca.


O mercado mundial de moda masculina de luxo está crescendo cerca de 14% ao ano, ou seja, quase o dobro do ritmo do vestuário de luxo feminino, isso de acordo com a empresa de consultoria Bain & Co. Com a procura na Europa caindo devido uma economia lenta, além de dúvidas sobre se o mercado de produtos de alto padrão chinês poderá manter o seu acelerado ritmo de crescimento, muitos empresas estão apostando no crescimento do mercado de luxo nos Estados Unidos.


A cadeia britânica de moda para homens, Alfred Dunhill, detida pelo grupo suíço do luxo Richemont, opera três lojas norte-americanas e pretende adicionar mais cinco dentro de dois anos. Já os planos da Hugo Boss para os EUA incluem a expansão da sua loja em Manhattan, revelou Lahrs.


Esta tendência é fomentada revisitações aos estilos de décadas como a de 1960, revitalizados por séries de TV como “Mad Men”, assim como pela proliferação dos blogs de moda.

Matthew Singer, diretor de moda masculina do Neiman Marcus Group, considera que os seriados de televisão estão sim tendo influência na forma como os homens estão vestindo-se. “O público masculino também está menos tímido em relação à compra de acessórios como pulseiras e lenços”, acrescentou o responsável.


A Coach Inc está também ampliando seu negócio com no segmento. Globalmente, a empresa norte-americana espera que as suas vendas de artigos masculinos cheguem aos 400 milhões de dólares este ano, ou seja, 8% das vendas totais, e atinjam 1 bilhão de dólares dentro de poucos anos. Para a especialista em artigos de couro, está é uma espécie de regresso às origens. A Coach começou em 1941 como um negócio dirigido aos homens. Em 1997, os produtos destinados ao mercado masculino ainda representavam 25% das vendas.


Os homens também estão alimentando as vendas de luxo na China, mercado que mais prospera, apesar da recente desaceleração no ritmo de crescimento. A marca de moda masculina, Trinity Ltd., um dos mais importantes no País, divulgou que as vendas para igual número de lojas subiram 19,5% no ano passado e que eventualmente planeija operar 500 lojas na China, atualmente tratam-se de 370. “Os homens não compram com tanta frequência, não compram muito, mas são consistentes. Os homens são muito fieis às marcas”, explica Sunny Wong, diretor executivo do grupo Trinity.


Mesmo sem levar em consideração o segmento de luxo, os homens nos Estados Unidos estão comprando mais vestuário. Em 2011, consumidores norte-americanos aumentaram os seus gastos em roupa mais do que as mulheres, adquirindo especialmente peças formais, à medida que a economia melhora. As vendas de vestuário masculino subiram 4% durante o ano, segundo os dados da empresa de pesquisa de mercado NPD Group.

PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO