Indústria 4.0 e os novos modelos de negócios na palestra de Maria José Orione

O primeiro dia do Denim Meeting 2019, promovido pela Style WF e o principal evento que une o segmento jeanswear, apresentou assuntos como a Indústria 4.0, Sustentabilidade e a história de sucesso do grande ícone François Girbaud.

O ciclo de palestras teve início com Maria José Orione, coordenadora Denim City SP e orientadora do curso de One Year Fashion Business do IED (Istituto Europeo de Design) que apresentou os “Desafios da força de trabalho frente às inovações tecnológicas”.

Maria José iniciou sua palestra apresentando o Perfil do Setor Têxtil e de Confecção com dados de 2018, onde o Brasil está em quarto lugar no ranking mundial de produção de vestuário, com 5,9 bilhões de peças de produção, faturamento de 51,6 bilhões de dólares, 27.500 empregos formais, 1 bilhão de dólares em exportação e 6 bilhões em importação.  Inserida nesse cenário qual o papel da Indústria 4.0? Será que a Inteligência Artificial vai colocar em risco nossos empregos?

“Estamos em uma nova era, novos modelos de negócios onde a 4 revolução industrial mescla conectividade e produtividade onde as máquinas e as pessoas irão interagir, onde vão surgir novas profissões”, afirma Maria José.

O mundo mudou e atualmente vemos que a empresa fotográfica mais valiosa não vende câmeras (Instagram), a maior companhia de táxis do mundo não possui veículos (Uber), o maior provedor de hospedagem não possui imóveis (Airbnb), o provedor de mídias mais popular não cria nenhum conteúdo (Facebook) e todas essas novas startups não prejudicaram o modelo antigo. Por exemplo, o Airbnb não está matando a hotelaria, mas sim a disponibilidade limitada e as opções de preço. O Uber não matou os táxis, mas sim o acesso limitado, o mal serviço e o controle das tarifas. A Amazon não prejudicou outros varejistas, mas sim o mal serviço e experiência do cliente.

Por tudo isso, é preciso entender a necessidade do cliente, senão estará ultrapassado. Ainda mais em um mundo que o ser humano vai viver 200 anos, assim temos que nos reinventar constantemente e encontrar novas formas de trabalho. As empresas precisam entender que é necessário existir pesquisa e desenvolvimento para os serviços de individualização e personalização. “A Zara é uma empresa de logística e não uma empresa de moda. É um modelo de análise de dados que conhece o consumidor e o seu produto. Este será o futuro. É necessário ter alguém olhando a informação como um todo, entender o que o cliente quer”, analisa Maria José.

Maria José apresentou ainda algumas inovações tecnológicas como o provador interativo que pode ser acessado dentro de casa, robôs que substituem o trabalho de costureiras, figurino feito através de impressão 3D para um filme, carros autônomos, compras sem filas para passar no caixa, entre outras.

E, qual a solução para todas essas questões da Indústria 4.0 dentro do segmento jeanswear? Segundo Maria José é a educação e planejamento e o Denim City SP, escola do denim criada recentemente na região do Brás irá agregar todo o mercado, baseada numa iniciativa de Amsterdam, considerada a capital europeia do jeans e a cidade que criou o conceito Denim City, onde o estudante sai da escola sabendo fazer, na prática. O objetivo é impactar o setor (O Brasil é a quarta maior indústria de denim do mundo), trabalhando com inovação e sustentabilidade, aproveitando a enorme demanda e capacidade de produção no país, introduzindo melhores práticas e elevação de níveis técnicos.  O Denim City SP dispõe de 4mil metros quadrados e reúne showroom, escola, restaurantes, coworking e concept store.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Equipe Guia JeansWear