Indústria do jeans adere à moda sustentável

Entre os segmentos mais importantes da moda, a indústria do jeans carrega ainda o peso de enquadrar a lista dos mais poluentes. A produção demanda uma quantidade considerável de água, além dos impactos ambientais causados pelos processos de tingimento com corantes e a energia gasta com transportes. E é por isso que grandes nomes da área estão buscando novas alternativas e investindo em soluções sustentáveis para o processo.

Este cenário abre espaços para grifes como a EZE Denim, nascida no Carandaí 25, que vem se tornando uma referência em jeans sustentável.  “A indústria do jeans está ciente dos danos causados e busca caminhos alternativos que unam tecnologia e muita pesquisa”, disse Claudia Schiessl, uma das sócias da marca, ao Fashion Network.

“É apenas questão de escolha; temos no mercado tecidos e produtos para lavanderia que reduzem drasticamente o uso de recursos naturais e químicos, por exemplo. É por isso que é importante que o consumidor esteja atento ao que consuma e faça escolhas baseadas no conhecimento em torno da origem desses produtos — de como e aonde foram feitos. Esse sim é o nosso maior desafio!”, completou.

Em seu compromisso pela sustentabilidade, a EZE Denim busca diminuir o desperdício aproveitando-se das sobras, que acabam se transformando em novos produtos. A marca ainda aposta em um tingimento das peças com produtos como romã, catuaba e erva-mate e em sua lavanderia consciente só entram produtos naturais biodegradáveis.

“Costumo dizer na fábrica para meus funcionários que ninguém precisa de mais uma roupa hoje em dia, mas o planeta precisa de um novo estilo de vida. Por conta de toda essa mudança de paradigma que estamos iniciando, fazemos uma moda equilibrada e ética — mas que, sobretudo, não seja datada. É preciso durar, para não desperdiçar”, finaliza Claudia.

E a jovem grife não é uma exceção na indústria. Recentemente, a Forum anunciou a linha “Forum Green”, que economiza 90% de água e energia em sua lavagem, bem como passa a utilizar na cadeia produtos químicos sustentáveis extraídos da própria natureza e que não agridem o meio-ambiente. O selo ainda adotou um algodão com certificado internacional BCI de qualidade e gomas naturais que reutilizam resíduos e descartes da indústria alimentícia em sua produção.

Ainda neste meio, no último mês de novembro, o Movimento ECOERA – da especialista em sustentabilidade Chiara Gadaleta – e a Vicunha Têxtil, maior produtora mundial de índigos e brins, lançaram o projeto “Pegada Hídrica Vicunha”. A iniciativa principal objetivo identificar o consumo de água no processo produtivo do jeans e busca promover transparência na cadeia da moda.

Outro projeto nesta busca por uma moda mais sustentável é o “Re Jeans”, da Renner. A linha é formada por produtos reciclados, reutilizados de resíduos da própria produção da marca. Vale destacar que a C&A já havia aderido a pauta, em março de 2016, quando lançou uma coleção de jeans confeccionada com algodão mais sustentável e produzida com menos uso de água e produtos químicos.

No exterior, é possível apontar a Stella McCartney como pioneira no quesito sustentabilidade de seus jeans, que só utiliza algodão orgânico na produção do material. A Tommy Hilfiger lançou modelos de jeans pra coleção de Primavera-Verão 2019, cuja linha de costura é feita a partir de garrafas plásticas 100% recicladas, os botões são de materiais parados no estoque e as etiquetas são feitas com papel reciclado. Além disso, o uso de água e energia é reduzido  pela tecnologia laser aplicada na lavagem final.

Fonte: Redação | Fotos: Divulgação