Indústria têxtil encontra janela de oportunidade em tecidos sustentáveis

Nesta quarta-feira, o Senai Cetiqt, em parceira com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), realizou mais uma edição do Café com Bioeconomia. A transmissão ao vivo discutiu a “Janela de Oportunidades para a Indústria Têxtil” dentro da sustentabilidade.

A lista de convidados para o evento online contou com Leandro Alves, sócio fundador da Musafiber, e Morgana Stegemann, diretora de marketing da DuMeio, ao lado de Adriano Passos, coordenador da plataforma de inovação em fibras do SENAI CETIQT, e Fernando Pimentel, presidente da ABIT.

O ponto de partida da discussão foram quais as ações que a indústria têxtil vem realizando para ser mais sustentável e circular, além de quais são as fronteiras tecnológicas na adoção de novas matérias-primas renováveis.

Uma delas é adoção da biotecnologia na moda, tendo o uso de bactérias para fabricação de tecidos, algo que é especialidade DuMeio. A prática permite a criação de peças exclusivas, livre de crueldade animal e biodegradáveis, mas ainda caminha em passo lento no mercado brasileiro.

“É um grande desafio hoje falar de biofabricação no Brasil, por mais que as coisas estejam crescendo, ainda se fala pouco e se produz menos ainda”, indicou Morgana Stegemann. “Já existe muita coisa no mundo, já é uma realidade […] Hoje, no Brasil, a DuMeio é pioneira na fabricação de tecidos com bactérias, mas temos também a Mush, que é uma empresa que está produzindo tecidos com fungos”.

Seguindo o curso da inovação, Leandro Alves destacou o crescimento destas alternativas sustentáveis dentro da indústria. Vale destacar que a MusaFiber é pioneira no ramo de produção de tecidos ecológicos feitos de fibra de bananeira.

“É um movimento que tem ganhado muito mais força, se olhássemos dez anos atrás, praticamente não se via tanto este assunto em pauta”, disse o sócio fundador da MusaFiber. “Nós vemos que o Brasil tem todas as condições de ser uma referência global nesta área de tecidos sustentáveis“, completou.

Contudo, como apontado por Morgana, o grande desafio é tornar essas novas matérias-primas tão eficientes quanto as já utilizadas em larga escala. O suporte da própria indústria para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis se apresenta como uma base para este salto.

“Inovar não é simples, você está partindo de algo que não existe. Ou se existe, não está plenamente desenvolvido […] Por isto, há a importância de se ter um ecossistema que dê suporte a toda essa agenda inovativa”, destacou Fernando Pimentel sobre o assunto.

Fonte: Thaina Barros | Foto: Reprodução