Em primeiro lugar: foco nos negócios. Atualmente esta representa a leitura predominante nos stands das feiras de moda relacionadas ao jeans. Temas, experiências e sensações cohabitam os espaços organizados pelas marcas, mantendo a cautela de seduzir o observador, priorizando o elemento fashion business como tópico principal, ainda que dissimulado por toques de espontainedade. Sendo assim, os lounges de feiras como Premium, caracterizados por tamanhos padronizados, e mesmo a Panorama definida por um visual mais estilizado, mostraram-se mais simples e menores do que a extinta Bread&Butter, com as marcas que migraram para estes eventos adaptando-se aos novos padrões sem deixar de comunicar e construir sua própria identidade.
Em segundo lugar: sustentabilidade. Planejar um lounge pensando no ciclo completo, da formatação do espaço ao descarte, é colocado como uma exigência. Sem tal conduta, a falas de planejamento e organização, tão coerentes e complementares ao ambiente negócios, podem comprometer a leitura bem sucedida que toda marca de jeans – e de moda – precisa transmitir quando deseja vender suas propostas. Como exemplo mais notável, tivemos a Seek, uma feira nova, que destacou seu apelo avant garde ao montar todos os espaços com madeira reciclável.
Em terceiro lugar, os materiais e o visual merchandising responsável por sinalizar os temas e tendências, da forma mais clara possível, e simultaneamente, criar vínculos e atrair o público. Neste quesito, a linguagem que reverencia a estabilidade do mercado denim, mostrou-se a grande sacada para convencer o lojista. Confira abaixo:
EFFORTLESS BUSINESS: Principal diálogo do visual merchandising com o conceito effortless chic. O effortless business busca criar a ilusão de um espaço de negócios despretensioso, onde a intenção da venda está oculta, para induzir o público com naturalidade para o seu interior. A idéia é dissimular o assunto comercial, ao não construir espaços tão conceituais em prol de ambientes familiares, para assim, torná-lo mais leve, natural e espontâneo. Aqui temos organizações bastante comerciais, equilibradas por um toque familiar reconhecível, como um sofá, um vaso de hortências, ou uma mesa com frutas, tornando mais forte o apelo de intimidade do que a real intenção da venda. Como exemplos de marcas que trabalharam este conceito, tivemos Haupt, Robins e Mustang.
ECO-SPACES: Ambiências relacionadas ao estilo de vida mais simples, a exemplo das marcas Rich Royal e Nine in The Morning, tais como cabanas ou jardins de fundo de quintal, imperam nesta lógica que está fortemente vinculado com o tema sustentabilidade. Sem explorar temas comerciais, ou tendências passageiras, o lounge desenha sua competência, afirma sua marca, e conquista o observador, ao elaborar seu espaço no elegante formato ecológico. Plantas, madeira e material reciclável, são o suporte para que os espaços apresentem suas apostas.
DENIM TOPIC: Lógica que valoriza o segmento denim como estratégia para conquistar o comprador. A idéia é atrair o público que reconhece no segmento jeanswear um investimento seguro, explorando e conferindo visibilidade aos seus temas icônicos. Aqui temos as gangues de motociclistas, exemplo da True Riders, valorizando senso de liberdade inerente ao jeans, os clichês do segmento, e todos os temas que dialogam com a trajetória histórica do jeans.
ViVIAN DAVID / FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR









