Inverno 2017 transita do visual indefectível ao upcycling

Quadradinhos e furos aplicados ao jeans, quase sempre

são associados ao vintage reciclado, com suas memórias e

nostalgias. O formato logomarca, por sua vez, tem a

capacidade de induzir esta mesma linguagem para o

aspecto agressivo, poluído e punk. Do que se deduz que

no jeans, um patche é dotado de uma

capacidade de comunicação tão democrática e bem

posicionada, quanto um outdoor. Guardadas as devidas

proporções, o visual e o contraste formado pela aplicação é

capaz de transpôr a tarefa do design; e levar junto com seu

visual mensagens de afinidade, conforto, e até valor

agregado para o consumidor.



Para o Inverno 2017

busca pelo refinamento do guarda-­roupa essencial, a volta

do luxo e as leituras sedutoras do elemento simplicidade

bem que poderiam representar uma redução na aplicação

do recurso. No entanto são justamente estas referências,

que mais recorrem aos patches como ponto de partida

inspiracional.



As evidências começam logo no importante mix

black da temporada, onde a linguagem

se mostra insistente e evoluída pela aparência do couro;

elemento bem quisto determinante para rebuscar a fama

chic do jeans preto da estação. No material, o formato

quadrado se altera para a silhueta de brasões e

logomarcas, e o detalhamento fica resignado à sugestão

pelo relevo.



Nas versões onde retorna ao seu formato convencional

geométrico, são os metais que se encarregam de induzir a

leitura do remendo, do artifício antigo para o discurso da

modernidade. Tal transformação se dá graças a

organizadas fileiras de tachas preenchendo ou

contornando o formato da aplicação.



Quando chegamos no apelo simplicidade, uma das

aparências mais bonitas da estação é dada pelo diálogo

entre as lavagens azuis e os contrastes criados pelos

delavés descarregados ao extremo. Assim; temos calças

brancas imperfeitas, ostentando retângulos de índigo em

versões macias e uniformes. Também neste mix, a calça

pode virar um mosaico, formado por recortes longos e

curvos.



Por fim temos o patche setentista, étnico

e rico, cujos preenchimentos e sobreposições incluem

texturas e volumes. Neste tema, as interferências variam

dos micropadrões aos paetês, das estampas de bicho aos

materiais felpudos, e das reservas de pigmento aos furos

lembrando descascados de parede.



Em síntese, se no jeans grafite e escuro

da estação o patche soa mais como uma conquista ou

condecoração, nos confortáveis e batidos o remendo

aposta no upcycling. Nele, o consumidor encontra

justamente as texturas que combinam com seu estilo

pessoal: seja ele um toque de afeto, um jeitão de balada,

ou o espírito de liberdade que mora na poluição dos muros

sem reboco das ruas.

VIVIAN DAVID | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR