Lições de sustentabilidade por trás das práticas da Nudie Jeans

Em momentos de revolução, nada como ter um bom ícone para se espelhar. E é um contexto tão definitivo quanto o que a indústria global do jeans está vivendo.

Calvin Klein, Levi’s®, True Religion e Diesel, todas estas marcas já foram destaque em diferentes décadas, por motivos diferentes. Mas a razão que move o mercado mudou. Respiramos uma era onde a sustentabilidade é o principal valor e, neste quesito, a Nudie Jeans vem superando todos os nomes internacionais anteriormente citados, e figurando como modelo para todo o setor.

Natural da Suécia, Gothenburg, e fundada em 2001 por Maria Erixon; a marca já nasceu com a missão de fazer os consumidores se importarem com suas roupas e sua manutenção longevidade. Em declarações abordando o motivo que a levou a criar a marca com tal formato, Maria justificou que “o jeans é a única peça de roupa que quanto mais você usa, maior é o toque de personalidade que você agrega”.  A beleza do segmento, na visão de sua fundadora, é que o denim é o único tecido tão vivo que vai mudando ao longo dos anos, feito para todas as idades e gêneros.

A marca já detém um ciclo produtivo completamente fechado. Desde 2012, a Nudie só produz peças com algodão 100% orgânico. Além disso, mantém como premissa firmar parcerias exclusivamente com empresas que seguem a mesma filosofia eco-friendly. O quesito transparência também é um ponto alto da Nudie – no próprio website da marca é possível identificar em um mapa exatamente o local em que cada etapa envolvida na produção do jeans acontece. Uma divulgação que é atualizada a cada lançamento de coleção.

Mas, seu principal diferencial sem dúvida é a concessão ao cliente do direito de reparo permanente à cada  jeans adquirido. Somente em 2018, a Nudie realizou reparos em 55.173 peças da marca. No mesmo ano a marca coletou 10.000 calças jeans no seu programa de reciclagem, o Re-Use. Em estimativas, a Nudie avalia que a cerca de 44 mil quilos de roupas tenham sido desviadas do mero descarte através desta trajetória de reaproveitamento.

E para os usuários da marca que estão sempre viajando a Nudie oferece mobilidade nos serviços de reparos, mantendo parceiros em variadas localizações geográficas. E na falta destes, oferece um kit de reparos gratuito. A prática se estende a outras marcas: em alguns pontos de venda físicos da Nudie, modelos de peças de qualquer origem podem ser recuperados, o que lhes dá direito a uma nova etiqueta: a “Good Environmental Choice”.

Com uso dos tecidos antigos, a Nudie tem ampliado seu mix incluindo acessórios como chapéus em formato “bucket” no seu mix. Além disso, recentemente firmou parceria com a companhia Rekotex – companhia de revendas e redirecionamento de estoques de tecidos ociosos.

Por fim, a marca tem um plano de incentivo, que funciona como um negócio paralelo à sua marca: o Nudie Re-Use. Nele, tanto o doador de um jeans antigo, quanto o comprador de uma peça transformada, são beneficiados por um programa de incentivo que concede 20% de desconto na compra de um novo produto Nudie com igual procedência. O programa já está em seu terceiro ano de atuação e pode ser medido pelo lançamento da 6ª edição da coleção Re-Use Jeans intrínseco ao mix.

São lógicas formulas em uma vida útil de produto que vai sempre além do ato da compra. E se pensarmos bem, acaba monetizando de forma contínua um processo circular fechado. Os holofotes globais voltados para esta marca, testemunham que estamos vivendo uma era onde a procedência é o mais valioso argumento comercial que se pode dispor na atualidade.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução