As ruas de Milão estão mais esportivas do que nunca: vestindo
jaquetas manchadas com logos de marcas atléticas, e elegendo o
jeans black como o porta-voz da tendência athleisure por excelência.
Em contrapartida, nas mesmas calçadas em que as t-shirts transcorrem com make
esfumado de passarela; as produções do centro italiano destacam babados,
transparências dramáticas, e vestidos com jeitão de encomenda de celebridade pop.
Logo, como principal direção, deduzimos que no streetwear de Milão
até mesmo a moda comprometida com a ideia de desempenho, sobe alguns degraus no
quesito estilo, para agradar ao refinado paladar cultural da cidade.
As jaquetas com lavagens ácidas, foram os grandes coringas das produções: elevando
as composições oitentistas fundamentadas em logomarcas; e urbanizando
looks conceituais inspirados no luxo, repletos de tules e elementos de
passarela. O desejo de usar brilho metalizado, ousar mais nos tecidos combinados ao
jeans, tão mencionado em Londres e Nova Iorque também se
confirmou: tivemos shorts com cavas reveladoras permitidos por longos casacos
dourados, e a combinação tom de pele com jeans esfarrapado colocada como uma
sacada de moda atual. O mom jeans – jeans da mamãe – apareceu novamente como um
fit cool, capaz de apresentar a camiseta branca essencial associada à jaqueta térmica
esportiva em leitura conceito, pelo simples toque de atitude dado por uma gargantilha.
O jeitão rocker maduro, por sua vez, foi outro tópico interessante, colocado pelos demais
centros de moda: em Milão, veio associado à camisetas místicas,
sobreposições de volumes e bordados coloridos – tornando evidente a pronta adesão das
tendências do catwalk oficial, que tanto destacaram o jeans decorativo alterado por
aplicações, na moda de rua local.
Também em Milão tivemos o início da moda zen transmutada para a
ambiência concreto: com a jaqueta denim em acabamento ácido
somando pegada street à longos vestidos de renda brancos e colares étnicos; e
boyfriends caminhando de rasteiras e mantas artesanais. Mas o centro de moda italiano
não trouxe apenas confirmações: também apresentou idéias: especialmente a do look
total black, interpretado não apenas com camisas e shorts; mas também com cinturões
upcycling moldando o volume das peças. Das produções baseadas em camadas negras,
vieram os discursos de empoderamento, antes reservados ao padrão camuflado. Este,
por sua vez, mudou de opinião na moda de rua, e apresentou-se como
padrão street adepto de toda sorte de misturas e culturas.
Seja de pretinho indefectível, jeitão de luxo, ou look atlético; em consenso as produções italianas apontaram para uma menor ênfase na produção familiar, em prol de mais assimetria entre barras, mais
combinações entre segmentos opostos, e mais exagero em volumes. Confira.
VIVIAN DAVID | FOTOS: Phil Oh / diego zuko










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