A Lunelli promoveu na última semana, mais um encontro do Walk The Talk – Diálogos para um futuro mais responsável – série de conversas que vem acontecendo sob o comando da empresa e que visa levar discussão e estratégias sobre assuntos pertinentes. Este último, realizado na Denim City SP trouxe o tema: Ecossistema – Boas práticas para gestão ambiental e menor impacto, sob mediação de Flavia Feliz – diretora executiva da We Flow – consultoria de ESG, e com a presença de Viviane Lunelli, presidente do Grupo Lunelli, Camila Zelezoglo – coordenadora de sustentabilidade e inovação da ABIT, Hiago B. Martins, administrador, responsável pela Lavanderia Cristal e Paulo Roberto Sensi Filho, Diretor comercial do Grupo EuroFios.
“Aquilo que a gente fala precisa fazer sentido com o que a gente pratica. Levantamos dentro do departamento estratégico de sustentabilidade e trazemos quatro temas que elegemos como prioridades”, comenta Viviane.
Flávia coloca que as boas práticas ambientais trazem uma redução nos custos das empresas com inúmeros benefícios, ainda mais dentro de uma Cadeia completa como acontece em nosso país.
Alguns dados segundo a ABIT: O setor têxtil produziu 8,1 bilhões de peças de confecção em 2021 com um faturamento de 190 bilhões de reais, sendo que o setor representa 5,5 do PIB do país. O Brasil é o quarto maior produtor de vestuário do mundo.
Para Camila Zelezoglo, o país tem um potencial enorme por abranger todos os elos da cadeia; Já Viviane diz que a Lunelli mantém há 20 anos a gestão ambiental onde utilizam viscose certificada pela Lenzing para fabricação de suas malhas, o algodão orgânico com o selo BCI, entre outras práticas.
Hiago Martins comenta que a lavanderia sempre foi vista como uma vilã dentro de todo o processo de confecção do jeans, por isso, Lavanderia Cristal vem trabalhando para mitigar seus impactos ao meio ambiente, através do tratamento de efluentes, utilização de produtos químicos adequados conforme o selo ZDHC, lodo destinado a outra empresa que o transforma em tijolo, menos água, entre outros.
A Eurofios que trabalha com os resíduos da cadeia têxtil aponta a economia circular como um excelente caminho para a questão da sustentabilidade. No caso da Lunelli, a empresa faz a gestão das aparas que podem ser usadas para outras finalidades ou voltar para produtos dentro da própria confecção.
“Pequenos detalhes fazem toda a diferença no final – são desafios enormes – mas com essas boas praticas, dá certo”, comenta Paulo Roberto Sensi Filho, Diretor comercial do Grupo EuroFios.
O executivo também ressalta a importância do Ecodesign que é a construção de uma peça já pensada para a reciclagem, trabalhando de uma forma sistêmica, envolvendo toda a cadeia e com uma comunicação clara para entender o que acontece do começo ao final.
Todos concordam que as certificações tem um papel importante em todo o processo, melhorando as ações, mas com grandes desafios.
Camila Zelezoglo conta que a ABIT atua de diferentes formas para defender o interesse do setor. “Oferecemos soluções e conectamos as empresas para trocar informações para fomentar as boas práticas em diversos níveis da cadeia”, afirma Camila.
“Ações que agregam valor é um diferencial competitivo”, acrescenta Hiago Martins da Lavanderia Cristal.
Segundo o profissional, as novas gerações procuram por produtos com menor impacto e, se não mudarem os processos pode ser que o jeans, que tem mais de 150 anos, acabe. Se não mudar o método de fabricação da peça em jeans, esse novo cliente não irá consumir, preferindo peças mais sustentáveis. Hiago conta que a Lavanderia está evoluindo o tempo todo através de processos mais sustentáveis.
Paulo acredita que é importante também combater a mentira – o greenwahsing – através de uma comunicação transparente com o consumidor, trazendo valor e credibilidade para as marcas. Além disso, o governo também precisa estimular as boas práticas dentro da indústria têxtil. Ele também diz que é preciso adequar o produto à realidade financeira da população brasileira.
“Há diversas maneiras do resíduo gerado pela indústria voltar em novos produtos e, até de outros segmentos como artesanato”, comenta Paulo.
Para Viviane, os resíduos, quando bem trabalhados tornam-se novos produtos, como acontece na Lunelli onde utilizam os fios reciclados, processos que usam menos água e químicos, aviamentos responsáveis, com um circuito fechado mais sustentável.
Em relação à economia circular e economia reversa, Camila diz que a cadeia é longa onde entram vários processos, por isso, o produto final tem muito valor. Além disso, é um compromisso de todos dentro da cadeia têxtil informar sobre o tema em uma linguagem mais prática e objetiva.
Hiago acredita que essas informações podem ter início dentro da empresa, como acontece na Lavanderia Cristal, onde há treinamento com os funcionários também para eles praticarem em casa.
“É necessário buscar novas formas de produzir de uma maneira mais sustentável, incentivando a educação e pequenas ações”, diz Paulo. “O propósito, o discurso precisa estar alinhado com o que a empresa faz”, continua.
“O consumidor dita a regra e esses movimentos vão gerando uma maior consciência da cadeia de produção”, comenta Viviane
Com foco em zerar o aterro industrial, a Lavanderia Cristal vem testando amaciante vegano e já utilizada o produto biodegradável. Segundo Hiago, é difícil competir com o mercado asiático que não segue muitos processos sustentáveis.
Consumidor bem informado
Segundo Viviane, apesar da Geração Z estar de olho em produtos e serviços que colaborem com o meio ambiente, muitos compram ainda em fast fashions mais baratas e sem nenhum cuidado desde o tecido até descarte de resíduos. Apesar disso, a Lunelli está sempre buscando se comunicar com o consumidor final através de Tags que contam um pouco a história da peça e também nas redes sociais. Isso é um grande desafio para o Grupo que tem apenas uma marca, a Lez a Lez, com lojas próprias e franquias, as outras estão presentes em multimarcas. A empresa ainda pretende rastrear toda a cadeia com o cadastro de produtos.
Para essa comunicação ir adiante, Paulo acredita que eventos como esse promovido pela Lunelli são muito importantes. O profissional confia também no aumento de materiais reciclados, superando desafios e trabalhando iniciativas em conjunto.
“A força do conjunto faz a diferença. Não tem como fechar o olho para as mudanças climáticas, temos que fazer esse movimento para a consciência ficar tranquila, para um futuro melhor”, diz Viviane.
Camila fala em cadeia integrada em um segmento inspirador, criativo e partir de fato para a ação onde a comunicação é uma grande aliada, de maneira orientativa e não só marketing.
Hiago cita as pessoas como parte desse processo, “olhar para o chão de fábrica” e entender também os problemas dos colaboradores e parceiros, porque sem eles não há produção.
Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Divulgação









