Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, o Brasil está envelhecendo cada vez mais, com expectativa de vida de 77 anos. Isso quer dizer que há uma demanda muito grande, em todos os aspectos, para a “geração prateada”, pessoas 50+ que, atualmente, estão trabalhando, se divertindo e cuidando da saúde. Dentro desse contexto, surge o MaturiFest, que está em sua 9ª edição e aconteceu entre os dias 13 e 15 de agosto, no Unibes (SP), reunindo seu maior público, com pessoas de várias partes do Brasil e um rico conteúdo nos três dias de evento. Foram mais de 30 painéis e palestras que abordaram assuntos como longevidade, futuro do trabalho, IA, carreira e saúde, além de oficinas, mentorias e stands com oportunidades de emprego em diferentes empresas.
“Essa nona edição marca um ponto de virada. A gente não está mais convencendo o mercado de que esse público existe, o mercado já chegou até nós. Isso ficou claro na quantidade de empresas, marcas e lideranças de RH que vieram entender de perto como transformar diversidade etária em estratégia. A expectativa que eu tinha não era só de público, era de relevância, e essa a gente superou”, afirma Mórris Litvak, CEO e fundador da Maturi.
Para Andrea Tenuta, líder de Novos Negócios da Maturi, o crescimento da presença de pessoas de outros estados foi um dos principais destaques do festival. Mas, segundo ela, o que mais chamou atenção foi a relação construída entre o público e o evento.
“O que mais me surpreendeu neste ano foi o crescimento dos relatos, abraços, lágrimas e sorrisos genuínos e emocionantes de pessoas que nos encontravam circulando pelo festival para contar como o MaturiFest tem transformado suas vidas. E também o aumento, ano a ano, de novos participantes que chegam ao festival porque alguém os incentivou a vir. Isso mostra a força da Comunidade Maturi.”
Pesquisa
A Maturi, em parceria com as especialistas Iza Dezon e Cecília Troiano, apresentou a Pesquisa Encontro das Gerações dentro de um contexto em que, pela primeira vez na história, temos cinco gerações convivendo no mercado de trabalho e um choque cultural entre elas. Por exemplo, os baby boomers, que aprenderam a não questionar suas lideranças, juntamente com a geração Z, que foi estimulada a questionar o sistema.
“Um millennial que associa sucesso a trabalhar até o burnout se vê liderando uma Gen Z que vê o trabalho como apenas uma das partes da vida”, afirma Iza.
Segundo a pesquisa, 45% das pessoas dizem já ter tido algum tipo de conflito com pessoas de gerações diferentes da sua. E a comunicação é o que as pessoas acham que mais causa conflito, porém, a causa real é a dedicação, limites e valores. Além disso, as pessoas admitem descartar opiniões alheias por critérios de idade.
7 em cada 10 profissionais dizem que a empresa não tem iniciativa, tem poucas ou não sabem se têm alguma iniciativa para diminuir conflitos entre pessoas de diferentes gerações.
Atualmente, a imagem de uma pessoa mais velha mudou, porém, algumas empresas ainda não se deram conta disso e utilizam imagens antiquadas para definir pessoas maduras.
Outra característica importante é que jovens sentem o baque de entrar num mundo que está pronto para julgá-los e os maduros se sentem cada vez menos pertencentes e relevantes. Então, como criar pontes? 65% dos entrevistados acreditam que o propósito ajuda a reduzir conflitos geracionais.
“O sentido da razão de ser da empresa, o quanto está contribuindo, o quanto ela está nos mobilizando, o quanto toca nosso lado humano”, afirma Cecília.
Já 58% acreditam que as empresas falam mais de propósito do que praticam. Por isso, ir além das gerações significa construir pontes na vida, nos relacionamentos e no trabalho.
“É muito importante que todas as gerações possam trabalhar e girar a economia”, comenta Cecília.
“É preciso olhar com mais curiosidade uns para os outros”, reflete Iza.
Creators
“Dos 50 aos 90: a nova geração de criadores e seus milhões de seguidores” trouxe o mundo dos creators maduros e contou com a presença de Pedro Oliveira, Vovó Maria e o Neto, Egnalda Cortês, com mediação de Marcelo Bonfá.
Todos afirmaram que o mercado publicitário deve olhar para os 50+ e que é preciso consistência e dar valor para a sua história. Egnalda incentiva: “Na dúvida, comece, o que você quer falar para o mundo? As pessoas se conectam com aquelas que sentem a construção de valor e preço vem muito do que você está construindo como comunidade.”
É hora de se reinventar. Pedro, que trabalhava em multinacional, adoeceu e resolveu falar sobre as coisas boas da vida, principalmente para o público 50+, como cuidar da saúde tanto física quanto mental. E o canal da Vovó Maria e o Neto diverte tanto eles, que produzem conteúdo, quanto seus seguidores.
Futuro
Lala Deheinzelin, futurista e pioneira em economia criativa, disse que estamos vivendo a maior transição da humanidade.
“Nos anos 2025 e 2026 aconteceram as maiores turbulências e, em 2027, a velocidade das mudanças cresce. O mundo virtual é diferente e temos que lidar com ele com consciência”, afirma Lala.
Segundo a especialista, é preciso considerar os complementos tecnologia x humano, onde o futuro deve ser coletivo e compartilhado.
Empresas Age Friendly
O painel Empresas Age Friendly contou com Ana Malta, do Grupo HDI; Angie Stelzer, da Volkswagen; e Cindy Schwartz, da Capgemini, todas empresas com certificação Age Friendly, com mediação de Andrea Tenuta, que já começou afirmando que o futuro é geracional.
Angie contou que a geração prateada tem muito conhecimento, experiência e poder de consumo e que a Volkswagen mantém uma escuta ativa para os funcionários. Já o Grupo HDI, uma seguradora alemã, tem um programa específico para pessoas 50+. Além disso, traça estratégias para buscar novas gerações e se preparar para novas conexões, com um olhar atento, realizando o rastreamento das habilidades, além do conhecimento técnico.
Cindy, da empresa de tecnologia Capgemini, diz que há a promoção de eventos para falar de assuntos relevantes para todos, por exemplo, saúde.
“É importante ouvir os funcionários para criar conversas, para explorar cada vez mais a diversidade e isso só funciona porque todos participam”, comenta Cindy.
Ana comentou também sobre a necessidade de levar todos esses assuntos geracionais para os executivos da empresa, para que possam investir em novos projetos.
É importante mostrar aos executivos o porquê de todos esses projetos e, aí sim, eles vão investir nesse assunto.
Andrea ressaltou que a longevidade é uma pauta urgente, sendo que 27% da população está acima dos 50 anos e estamos envelhecendo em um ritmo acelerado.
Dafna Blaschkauer, Executiva Global (Nike, Apple e Microsoft) e autora best-seller de Power Skill, falou sobre as competências no mercado de trabalho, valorizando a disciplina, foco e mentalidade de crescimento. Ela trouxe o conceito de Liderança com propósito: Power skill x soft skill e a necessidade de mesclar os dois.
“O seu valor não é definido por aquilo que você sabe, mas por aquilo que você faz com o que sabe. Seu time não segue o que você fala, seu time segue o que você faz”, afirma Dafna.
Ela ainda diz que é preciso ter paixão, perseverança e esperança.
“Explore, cultive, não tenha medo de errar, descubra seus interesses, nossa infância é reveladora de nossas paixões. Tenha clareza, tenha metas realistas e viva o presente.”
O painel “Empreender não tem idade certa, tem hora certa” trouxe a chef e apresentadora Paola Carosella e a CEO do Grupo Blue Tree Hotel, Chieko Aoki, que assumiu a empresa após os 40 anos e diz que mantém o desejo de aprender e ser melhor todo dia. Ela tem como referência de sua empresa ser excelente, e excelência não tem fim, é somente um caminho.
Segundo Chieko, é preciso conhecer a alma do cliente, para oferecer sempre o melhor para ele.
Carosella se diz incansável e toca vários projetos, sem medo e com uma pitada de loucura.
Fonte: Vanessa de Castro Foto: Divulgação


















