Mercado global esclarece ambiências e materiais em evidência

Enquanto a moda jeanswear se mostra mais acelerada e até reprodutível em relação aos demais segmentos, o interior de suas lojas possui característica completamente oposta. O vínculo com o passado, a criação da sensação de intimidade, e a construção de uma percepção diferenciada de tempo e velocidade, na grande maioria das marcas focadas em denim prevalece como missão principal. Sofás intercalando araras, manequins e calças posicionados em mesas de centro, a reprodução de salas de estudo, objetos pessoais deixados como pistas, e o acréscimo de plantas e folhagens comunicando um discurso “sinta-se-em-casa” são elementos que atualmente representam um verdadeiro consenso entre as mesmas.


Neste cenário a madeira é material chave, para comunicar aventura, criar intimidade, exalar cheiro e conferir textura ao imaginário do consumidor. A comunicação de um lifestyle personalizado e impessoal, representa o ponto alto da experiência de visual merchandising no mercado denim global, e por esse motivo, nesta matéria oportunizamos uma análise de ambiências recentes e direcionais, lançadas em lojas-conceito de marcas influentes do varejo global:


REPLAY



A nova loja que foi aberta juntamente com a semana de moda de Milão na semana passada, traz o vintage em uma leitura grandiosa e conceitual. Com pé direito alto, algumas pinturas irregulares no tom vermelho, a marca explora a madeira de uma forma menos íntima e mais intelectualizada. No quesito reprodução de interior de uma casa, temos uma “sala” de estudo, repleta de formalidades, e muito jeans. O visual é uma mistura de galpão antigo de criação, com arte moderna e intimismo.



LUCKY BRAND



A organização espacial reflete a transformação de uma companhia focada exclusivamente em moda denim, para uma marca repleta de lifestyle, através da fusão do estilo clássico de exposição com o bohemian chic. Enquanto os ambientes organizados com sofás, lustres, e cabeças empalhadas sugerem um interior de uma casa, a disposição das peças é claramente comercial, com as roupas posicionadas de maneira convidativa, misturando cores, salientando a idéia de sortimento, em meio à objetos pessoais e de decoração direcionando a leitura para a personalidade da marca.



IL BACIO DI STILE



Estratégia de ostentar em nichos as marcas desejo presentes no interior das lojas, e simultâneamente esclarecer a diversidade presente no seu interior, assegurada pelo bom gosto de grifes famosas. Nas entrelinhas dos nichos podemos reconhecer também influências fortes no varejo da temporada, como o apelo comercial do animal print, o magnetismo gerado pelo visual total denim na alfaiataria (vitrina Trussardi), e o poder de convencimento do jeans colocado como objeto de status.



TIMBERLAND



Os materiais – madeira e tijolos – são mais rústicos e relacionados à uma mistura de discurso de passado, atelier de criação, fábrica antiga e interior de uma casa. Assim, temos folhagens, mesas de centro, realizando dueto com aviamentos e elementos vinculados à criação. Toques coloridos deixados por peças vibrantes atualizam um mix com apelo vintage. O denim tem um nicho especial, com luzes e exposição de fits, sinalizando a existência de um mix importante e caprichoso composto pelo material.



DIESEL



Cultura underground é o novo direcionamento conferido por Nicola Formichetti à marca, sendo assim a exposição dos produtos ganha um status de instalação conceitual. As imagens são da loja aberta no Brooklin em agosto deste ano. Os manequins, desta vez não vendem os produtos, mas um estranhamento geralmente característico de exposições de arte. Aqui está presente a idéia de cultura digital, renovação e atitude.

VIVIAN DAVID | FOTO: REPRODUÇÃO