Milão apresenta versão elegante dos fits fashionistas

Milão: centro de moda onde as produções de rua desfilam com menos apego ao discurso street; e mais jeitão de passarela. Desta afirmativa, conclui-se que a moda de rua da capital é um observatório muito mais ligado ao público maduro; do que ao jovem e esportivo predominante em Nova Iorque, por exemplo. Produções mais glamourosas, com falas de status social e bom gosto definem o streetwear italiano.



O agrupamento mais recente formado pelos desfiles ready-to-wear de Inverno 2017 não negou tal característica – e trouxe a versão do jeans fashionista mais atrelada aos cortes e silhuetas – do que a tendência do mais é mais . Até mesmo nas produções com falas de upcycling, que exploraram camadas de denim na parte inferior do look; e jeans rasgado no patamar buraco – o discurso principal foi o da elegância bem modelada. Os fits fashionistas pantacourt, cropped flare, baggy e e reto renunciaram ao tênis, e subiram no salto e no bico fino. Seus complementos ideais foram as peles sintéticas, jaquetas esportivas inspiradas nos anos 90, e casacos térmicos volumosos com visual blocked.



Os combos, tornaram-se altivos pela formação do look camisa utilitária e flare. Cinturas elevadas e entrepernas retos foram os contornos prediletos dos jeans que pontuaram os looks mais empoderados, marcados pelos sobretudos longos e pela camisaria com falas de look conceito. Milão endossou o retorno do jeans rígido, destacou as listras em linguagem formal, e registrou menos aparições de bordados e patches. E para o outerwear em denim; lançou a inspiração dos volumes experimentais alterando a modelagem de ombros e mangas de jaquetas. Uma proporção que já consta nos casacos de inverno de outros materiais; e que agora migra para o índigo com a função transformar o discurso essencial do índigo, em artigo com falas de alta moda.


VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO