Moda, arte e responsabilidade social no São Paulo Fashion Week

E começou a 48ª edição do São Paulo Fashion Week que acontece até sexta no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera. Com o mote “Mais que evento, mais que moda”, o SPFW traz um olhar além da moda com uma construção a longo prazo, promovendo discussões e novos modos de criar e fazer.

“O São Paulo Fashion Week celebra a potência da criação como expressão viva e afetiva das pessoas em sintonia com o tempo presente” afirma Paulo Borges, diretor criativo do SPFW.

Duas marcas fazem sua estreia na temporada: Ângela Brito e Isaac Silva. Interpretando raízes afro de maneiras distintas, ambos trazem em seu discurso a pluralidade e a liberdade através da moda, com muita sensibilidade. “É exatamente esta riqueza de criações e visões que buscamos na curadoria de marcas quando pensamos o evento”, comenta Borges. Ao todo, são 26 marcas lançando suas coleções na temporada.

Além dos desfiles, o evento conta com uma série de outras atividades como talks e palestras, exposição, oficinais e shows, como o Projeto Estufa – uma iniciativa do SPFW em parceria com o IN-MOD (Instituto Nacional de Moda e Design), que tem como objetivo promover debates e coordenar movimentos que estão acontecendo em todo o mercado.

Pela primeira vez em uma semana de moda, os desfiles do Projeto Estufa serão traduzidos em libras e terão audiodescrição fazendo com que sejam acessíveis às pessoas com deficiência auditiva e visual, além da acessibilidade arquitetônica. Este projeto pioneiro foi desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) e terá como comentaristas as jornalistas de moda Lilian Pacce, Erika Palomino além do consultor de tendências Dario Caldas.

Estruturado em três pilares – inovação e tecnologia, comportamento e criatividade, todos permeados pelo olhar da sustentabilidade – chama a atenção pela quantidade de bons profissionais que estarão discutindo temos da atualidade. Destaque para a participação da jovem estilista britânica Bethany Williams na masterclass “Moda Inspirando Mudança Positiva”.

Vencedora do Prêmio Queen Elizabeth II e finalista do Prêmio LVMH 2019, Williams vem falar sobre os desafios de criar uma marca de moda consciente e apresentar seu trabalho que combina práticas ambientais e sociais em busca de soluções de design sustentável para os grandes desafios do planeta.

Este ano, o Projeto Estufa traz Roberto Martini, um dos profissionais mais visionários e inovadores da indústria criativa brasileira, como inspirador da edição. Ele também é o idealizador da exposição “HumanX- Todas as Perspectivas são Realidades Alternativas” que acontece dentro do Pavilhão, durante o SPFW N48.

A exposição é um ensaio sobre as novas realidades sobrepostas que nos desafiam a interpretar o conceito do que é real, do que é verdadeiro e do que é humano. O espaço de instalação é dividido em duas etapas: ‘Galeria’, área de preparo e imersão de conteúdo sobre a obra e ‘Segundo Ato’ que une os conceitos de galeria e de uma experiência participativa.

Ao adentrar a área, uma passarela se estende para a caminhada, nas laterais são posicionados estrategicamente 6 pessoas virtuais que só se tornam visíveis através dos óculos de realidade mista. Elas estão presentes no mesmo espaço, não interagem, mas ali estão vivas, respirando, coexistindo com o público em uma camada sobreposta da realidade.

Ao caminhar pela passarela, o público entra em contato com o real através do digital. Observando essas pessoas, o cérebro imediatamente o reconhece como uma possível verdade, no entanto eles são imateriais. Ao todo, serão distribuídos 5000 ingressos para a visita da exposição para faculdades de moda e design.

O público pode conferir também os espaços da Sherwin Willians, onde participam de oficinas de customização de roupas com o spray Colorgim e, ganham uma camiseta ou um boné.

Chilli Beans levou ao evento alguns de seus óculos para um espaço super descolado onde os convidados podem tirar fotos e experimentar os modelos. A Truss, marca de cosméticos, oferece um produto aos visitantes e mantém um espaço para doação de cabelo para o projeto Cabelegria.

Já o Santander que vem contribuindo com toda a cadeia produtiva da moda, desde costureiras, modistas, estilistas, até as grandes marcas da indústria e comércios de vendas de roupas, calçados e acessórios, está com um stand no local. E no Farol Santander – o centro de empreendedorismo, cultura e lazer – existe uma agenda regular de encontros e debates com personalidades do setor aberto ao público.

Fonte: Redação | Fotos: