Novas maneiras de pensar sobre o varejo são abordadas pela GS&MD

Agora é o momento de se reinventar, não há como escapar. O momento pede reflexões, alternativas e novidades para buscar alternativas para um consumidor, que com certeza não será mais o mesmo. Para abordar estas transformações, a GS&MD, empresa do Grupo GS&, apresentou a webinar “Retail Trends”.

A transmissão abordou os insights e tendências vistos nas visitas técnicas na NRF Big Show, o maior evento de varejo das Américas, realizado em Nova Iorque, e no Retail Executive Summit, sugerindo uma adaptação para a realidade do mercado brasileiro.

Marcelo Toledo, CEO da GS&MD – Conteúdo e Relacionamento, abriu o evento apontando que o momento requer planejamento. Já Eduardo Yamashita, COO do Grupo GS&, apresentou as “Tendências do Varejo na Ásia e o Cenário da Convenção 2020”, da National Retail Federation nos Estados Unidos.

Eduardo afirma que é impossível falar de futuro e tendências sem falar de Ásia. “O mercado asiático tomou medidas de um modo exemplar, saindo dessa crise muito bem. Enquanto os Europeus, EUA terão impactos mais profundos. Diz-se que o século da Ásia acabou de começar – é a maior economia do mundo”.

Segundo Eduardo, das grandes potências no setor privado, 210 são asiáticas. E dentro do eixo Ásia-Pacífico, temos como exemplos Indonésia, Filipinas e Mianmar. Uma das grandes tendências é a maior penetração do e-commerce na venda total do varejo, além da eliminação gradual do dinheiro em papel, como acontece nos países asiáticos.

As empresas terão que repensar sobre sua cultura e estratégias. Pensamentos tradicionais não terão mais espaço. “Em dez anos teremos apenas três tipos de empresas: as que vão fechar, as que conseguiram se reinventar e as que já nasceram com um novo modelo de negócio ou que conseguiram se adaptar”. E, continua: “Estamos entrando na era do varejo humano lógico, na proximidade com as pessoas”.

Além disso, Eduardo acredita que a transformação através do digital vai acontecer em todos os mercados, alguns mais rapidamente, outros menos.

Karen Cavalcanti, sócia-fundadora da MosaicLab, apresentou as principais “Macrotendências e o Varejo do Indivíduo”, que abordam a evolução da grande captação de dados dos clientes e a importância de dividir esses dados coletados com seus parceiros. Algumas lojas de diferentes segmentos como moda, petshop ou supermercados sem caixas e nem vendedores utilizam da tecnologia para entender quais produtos estão saindo, quantidade de estoque, relação entre marcas e clientes, entre outros.

“De tijolo em tijolo se cria uma cultura de dados. Comece pequeno mas faça algo. Informação sem ação não tem função”, afirma Karen. “Sua loja pode gerar tantos dados quanto qualquer outro canal digital. Se você não está usando dados para alcançar seus clientes, outros estão”, acrescenta.

Varejo do Indivíduo

Hoje vivemos uma cultura do caos, com muita informação e tudo acontecendo ao mesmo tempo. Nesses momentos precisamos buscar o resgate do que realmente é verdadeiro e real, valorizar as raízes, nosso passado, valores humanos e reais, abordar sentimentos. “Tudo isso contribui para o movimento ascendente da cultura centrada no indivíduo. Muitas vezes a gente tenta fazer o que o consumidor quer mas acabamos fazendo o que os departamentos da empresa mandam. Os consumidores precisam de sonhos” comenta Karen.

Karen apresenta como exemplo a loja Nordstrom que oferece serviços de reparos, costuras também de peças que não são da marca, além de embalagens de presentes para outros produtos. Já seguindo um novo luxo consciente a Louis Vuitton além de oferecer uma experiência sensorial personalizada na escolha do perfume ideal para cada cliente, a grife recebe frascos usados na compra do refil da fragrância.

Ações não faltam para chamar atenção do cliente. Vale a pena investir em impressoras que produzem estampas exclusivas, máquinas de bordados, joias personalizadas, customização de peças de um jeito prático, rápido e acessível.

Segundo pesquisas, as pessoas estão dispostas a compartilhar dados se receber serviços personalizados baseados em suas experiências individuais. “Entender o comportamento do consumidor real time possibilita personalização de recomendações no ponto de venda com conexões humanas, elevando a experiência de compra”, comenta Karen.

As impressoras 3D também colaboram para esse novo varejo, onde é possível imprimir o produto na hora, sem a necessidade de grandes estoques. O consumidor sofreu transformações, é preciso olhar para ele, mas também para o que a sociedade deseja também.

Dicas para varejo do indivíduo que passa do personalizado ao pessoal:

– A cultura centrada no indivíduo requer um olhar focado nas necessidades únicas. Um olhar base zero, não apenas adaptações de estratégias para se aproximar das necessidades latentes;
– Acompanhar tendências de comportamento, antecipar ações com agilidade;
– Usar tecnologia para alavancar recomendações personalizadas;
– Esforço e consistência é muito importante, mas o movimento não é fácil.

Lyana Bittencourt, diretora-executiva do Grupo Bittencourt abordou o tema “Industrialização do Varejo e Varejo em Tempo Real”. Segundo ela, a Indústria 4.0 já é um fato real e, no varejo, o quanto de tecnologia trouxemos? Automação na logística, integração multicanal, lojas autônomas, pagamento móvel, entre outras novidades.

As lojas LAB são ótimos exemplos de experimentações para aplicar novas tecnologias. “A industrialização forçará o varejo a usar a tecnologia para uma maior precisão na tomada de decisões, para compras mais assertivas”, afirma Lyana.

A diretora comenta sobre as novas etiquetas que trazem diferentes informações sobre estoque, valor, como e por quem é consumidor. “A tecnologia está a nosso favor e cada vez mais cabe no bolso”, diz Lyana. E continua: “Estamos na era do “quero tudo agora”, o varejo deve ser em tempo real, como as lives que estamos fazendo atualmente. A voz vai entrar em cena”, apontou.

“Alguns entendem que estamos vivendo a era do M-Commerce (Mobile Commerce), mas na prática estamos vivendo o voice-commerce. Essa é a grande tendência do varejo. Você está preparado para falar com a sua geladeira? Comprar um tênis correndo na esteira ou pedir comida para o seu cachorro no carro, apenas com a sua voz? O seu consumidor está”, completou.

O ato de comprar vai ser mais rápido e poderá ser realizado em qualquer lugar. “Se a gente imaginar que o celular já gerou um crescimento rápido, a voz vai ser exponencial e onipresente. A voz gera mais intimidade com as pessoas, isso pode ocasionar um relacionamento mais duradouro e valioso. O varejo e a indústria terão um papel importante como prestadores de serviços”, comenta Lyana.

Segundo dados da Total Retail Magazine, a previsão é que a Alexa (assistente virtual da Amazon) irá gerar mais de US$ 5 bilhões por ano em receita até o final deste ano. Todas essas tecnologias também devem ser muito bem trabalhadas devido à privacidade de dados. Segundo Lyana, os próximos desafios serão:

Confiança:  sem a tela com a imagem, o consumidor terá que confiar ainda mais nas descrições do assistente virtual;
Acuracidade: consumidores serão ainda mais específicos e “naturais” em suas demandas, como se estivessem falando com uma pessoa;
Privacidade: agora os dispositivos deliberadamente escutam e interpretam o que está ao redor e isso significa a vida íntima do consumidor.

Os temas “Mentalidade de Startup e a Era da Disrupção dos Modelos de Varejo” foram abordados por Alexandre Machado, sócio-diretor da GS&Consult, que comentou sobre a eficiência operacional, a integração de todas as áreas com a inovação e a tecnologia a favor da experiência.

Um bom exemplo são os sensores e câmeras nas lojas que conseguem medir por onde os consumidores passam, onde consomem mais, onde ficam mais tempo….são coletas de dados que geram insights. Há ainda espaços intimistas com produtos divididos por estilos em novos formatos na exposição das peças.

“É preciso pensar ‘fora da caixa’ para ter outros resultados”, apontou Alexandre. Shopping centers estão mudando a forma de se relacionar porque o consumidor mudou também, além disso surgem novas formas de consumir através de serviços de delivery, operadoras de food service. Ele ainda afirma que “disrupção” é diferente de “inovação” e ocorre quando novos modelos ganham volume e escala e interrompe o curso normal de um processo.

A nova geração prefere vivenciar o produto do que ter cada vez mais peças de roupas em seu armário, por isso a crescente demanda pelo aluguel. É necessário oferecer experiências relevantes que vão de encontro ao propósito da marca.

Confira algumas dicas:

– Definir o papel do Lab;
– Definir modelo de governança;
– Gerar Integração com todas as áreas;
– Definir regras e os processos operacionais;
– Trabalhar os dados coletados exaustivamente.

Além disso, ele ressalta a importância de repensar seus negócios investindo na unificação de canais, exclusão de categorias, se necessário, ampliação do sortimento, serviços ou conveniência, novos formatos de lojas e parcerias.

“A Jornada Tech Touch e o Varejo com Alma” foi apresentada por Luiz Marinho, Sócio-Diretor da GS&Malls que afirmou que o varejo está vivendo uma crise e pós-Covid-19 as pessoas irão buscar cada vez mais produtos com significado, e não somente a aquisição de coisas. Guilherme Baldacci, sócio-diretor da Friedman, trouxe ainda “A Cultura Centrada no Time e Liderança para uma Nova Sociedade”.

É possível conferir a transmissão ao vivo na íntegra clicando aqui.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução