O consumidor do futuro é abordado na conferência online IntegrAbit

Em formato totalmente online,  a conferência internacional, IntegrAbit, acontece entre os dias 4 e 5 de novembro. O evento digital é promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Com o tema “Moda e consumo: onde estamos, para onde vamos”, o evento traz um panorama do comportamento de consumo global. O presidente da Abit, Fernando Pimentel deu as boas-vindas aos convidados ressaltando a importância desse encontro, mesmo que virtualmente. “É com muito orgulho que apresentamos o IntegrAbit. A nossa ideia é propor para o público uma nova maneira para trocar conhecimento. Buscamos reproduzir o calor humano que há em cada um de nós que participa do encontro”, disse.

Segundo Pimentel, se soubermos aprender com os problemas sairemos mais fortalecidos da crise, sempre com foco no cliente, respeito aos colaboradores e fornecedores, trabalhando constantemente por um amanhã em que a dimensão local e global se enriqueçam mutuamente. “Temos convicção de que a indústria têxtil e de confecção, por sua capilaridade, essencialidade e capacidade de se reinventar será um dos pilares para que alcancemos estes objetivos”, afirmou.

Vale destacar que o setor têxtil e de confecções representa, no mundo, a transformação de mais de 100 milhões de toneladas de matérias-primas por ano, empregando cerca de 75 milhões de pessoas. O comércio internacional atinge 760 bilhões de dólares, anualmente. O Brasil está entre os cinco maiores produtores do planeta e entre os oito maiores mercados varejistas.

Como será o comportamento do consumidor do futuro e o que espera das marcas?

Luiz Arruda, head da WGSN Mindset América Latina, apontou os principais comportamentos dos consumidores que vão ganhar força até 2022. O profissional destacou quatro sentimentos que vão impactar a nova mentalidade das pessoas e três perfis de consumidores. Confira abaixo:

Sentimentos

• Medo

Atualmente, o medo permeia a vida das pessoas, principalmente devido à pandemia, além da instabilidade política, econômica, crises climáticas. Esse sentimento traz alguns conceitos importantes como a Eco-ansiedade, que é a preocupação com o aquecimento global tanto pelas marcas quanto pelos consumidores, e o Contágio Emocional, pessoas que costumam reproduzir seus sentimentos compartilhando notícias sobre isso. Dentro desse contexto, as marcas podem aplacar essa ansiedade e medo e trazer segurança

• Sociedade Dessincronizada

“Em tempos de medo e incerteza, as pessoas anseiam por estabilidade e rotina. Os mesmos avanços tecnológicos que garantem à sociedade altos níveis de comodidade e produtividade vêm criando uma sociedade dessincronizada”, afirma Luiz Arruda. Isto quer dizer que, apesar da tecnologia ter seus benefícios, ela torna a pessoa a mais individualista.

Aqui os conceitos são: Aceleração Social, a sensação de que a sociedade corre numa velocidade em que não conseguimos acompanhar, e a Insegurança Demográfica, expectativa de vida aumenta e a taxa de natalidade diminui. Por isto, é preciso olhar também para essa população mais velha.

“Em 2060, o país terá mais idosos que crianças. Estima-se que até essa data um quarto da população brasileira tenha mais que 65 anos”, acrescentou.

• Resiliência Equitativa

Em épocas de incertezas, é primordial ter resiliência. “A capacidade de resistir, absorver, se recuperar e se adaptar à adversidade ou à mudança está rapidamente se transformando em uma prioridade emocional”, disse Luiz Arruda.

Aqui aparece o conceito do Paradoxo da Resiliência, onde é importante se manter com pensamentos positivos sem ignorar a diversidade, a mudança e com um diálogo aberto. Outro destaque dentro desse sentimento é a Positividade Tóxica.

“Os memes positivos inundam as redes sociais, e em tempos de instabilidade, isto não é necessariamente ruim. No entanto, inúmeros estudos apontam que, com o tempo, aceitar as emoções negativas, em vez de rejeitá-las, leva a menos sentimentos negativos”, detalhou o head da WGSN Mindset América Latina.

•  Otimismo Radical

Aqui é importante perceber como será a abordagem em relação ao otimismo com ação. O ano de 2020 está sendo um ano difícil, com mais motivos para chorar do que comemorar, porém até 2022, irão ocorrer mudanças deixando a negatividade para trás em nome da alegria e do prazer.

Um dos conceitos aplicados é a Crise Epistêmica. “Da pós-verdade às fake news, estamos acreditando em informações falsas e imprecisas. A sociedade está mais polarizada, gerando uma onda de catastrofismo: o que é errado e ruim é superestimado. As mídias estão substancialmente mais negativas, ampliando uma crise epistêmica”, comenta Luiz Arruda.

O outro conceito é o Otimismo em Prática, que valoriza a conexão, o crescimento como um refúgio contra a negatividade.

Consumidores

• Os Estabilizadores

Priorizam estabilidade e equilíbrio reunindo pessoas das gerações X e Millennnials, que buscam o bem-estar e uma rotina mais simples e prática. “A dessincronização está levando as pessoas à sensação de exaustão – um estado de alerta constante, que gera ansiedade e depressão. A otimização vem como uma reação a esse desgaste. Como otimizar minha carreira, minha vida pessoal, meu corpo e meu tempo?”, afirma Luiz Arruda.

Aqui, quanto mais simplificada for a mensagem e apresentação dos produtos, melhor será a comunicação com o consumidor. “Crie um ambiente de loja que facilite a experiência de compra e economize o tempo deles”, comentou o head.

A transparência também é muito importante, onde ser verdadeiro é melhor do que ser perfeito. “Pense em conteúdos que mostrem as dificuldades do dia a dia e tente normalizar essas questões sem julgamento”, completou.

•  Os Comunitários

Composto também pelas gerações X e Millennnials que vêm repensando a maneira como enxerga o trabalho o seu impacto na sociedade. Estão preocupados com o entorno, com um olhar para a economia circular, com mais tempo em casa, porém com uma separação entre a vida e trabalho, se interessam por lojas e iniciativas com um viés comunitário e sustentável.

“À medida que o comércio de venda direta entre pessoas continua roubando espaço, marcas e varejistas podem se aliar a esse grupo de pessoas. Identifique plataformas de comércio social e invista nas parcerias estratégicas que melhor se alinhem aos seus produtos”, comenta Luiz.

• Os Novos Otimistas

Grupo mais variado que compreende desde a geração Z até os Baby Boomers e, que têm diversos elementos em comum. Os mais jovens são ativistas da felicidade, arregaçam as mangas e buscam construir o futuro através de serviços voluntários, do aprendizado de emoções e da saúde mental. Já os mais velhos são engajados e criativos e buscam novas oportunidades de crescimento pessoal. Eles estão nas redes sociais e se comunicam de forma bem-humorada.

Aqui são destaques o comércio em transmissão ao vivo com promoções e opções em edição limitada e as compras em Realidades aumentada e virtual, onde é possível experimentar produtos em qualquer lugar ou no conforto de casa – soluções interessantes para quem não quer ir às lojas físicas, seja pelas questões sanitárias, ou pela otimização do tempo.

Luiz Arruda ainda destacou o perfil estabilizador para o Brasil, país mais ansioso do mundo, onde os consumidores estão mais angustiados, se sentem mais pressionados e precisam de soluções que aplaquem esses sentimentos.

O profissional afirma ainda que é importante entender as novas demandas dos consumidores como os canais digitais, o que não invalida as lojas físicas. Focar em marketplaces bem estruturados, além das vendas pelo Instagram e WhatsApp e, principalmente, no feedback dos clientes – ouça seu consumidor.

É preciso olhar para a moda como proteção, além do conforto e também para os novos modelos de negócios como as recompras, brechós, upcycling seguindo uma moda com vida útil mais longa.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução