O jeans que ninguém esquece

Quem não guarda na memória uma saudade nostálgica daquela tão estimada calça jeans, usada até a exaustão, companheira dos melhores looks de sua vida? Aquela que quando manchou virou bermuda, rasgou e virou short, até o dia em que despediu-se dolorosamente do seu guarda-roupa (provavelmente por causas naturais)?


O fato é que a moda também não quer aposentar esse jeans. E se depender da memória afetiva que continua viva nos consumidores amantes do jeanswear, os vintages jamais sairão de cena no mundo da moda. A prova de tal afirmação provavelmente ainda está no seu guarda-roupa – real (caso você ainda guarde nele seu jeans predileto) ou imaginário (caso ele já tenha se perdido no tempo porém permaneça muito bem guardado em uma divertida e saudosa história de sua vida).


E para buscar inspiração para criar efeitos e customizações dentro do conceito vintage, nada melhor do que simplesmente perguntar às pessoas próximas, como era o “jeans de sua vida”. As respostas, de alguma forma, certamente estarão marcando presença nas araras das grandes marcas, e ainda podem servir de referência para a criação de peças extremamente originais, como os depoimentos coletados à seguir:


Minha calça preferida era um modelo simples, em jeans claro. Gostei pelo caimento, pelo corte em si. Usei-a em várias ocasiões, derrubei tanto vinho que ela ficou rosada, então por causa disso resolvi tingi-la de rosa para continuar usando. Para tingir usei várias bolinhas de papel crepom, que eu esfregava na calça. O tingimento durou pouco, foi superficial, mas eu continuei usando até que ela rasgou. Decidi então rasgar mais no joelho, e depois acabei tirando a bainha. Só a aposentei porque ficou muito velha, com os botões caindo.”


Marcio Ojida Fucks

28 anos, produtor musical




Tenho coleção de calça jeans, a preferida é uma calça larga, tenho há 12 anos. Não sei definir a modelagem, está toda detonada e eu uso com camisa comprida. É super confortável e atemporal, bonita. Ainda a uso, nada me faria aposentá-la vou usar até que ela se desmanche totalmente.


Patricia Fantinel

32 anos, estilista.



“Na minha adolescencia estava na moda a “calça LEE”, só encontrávamos importada e depois de quebrar barreiras consegui adqurí-la com as economias da mesada, pois os pais daquela época não simpatizavam com o uso. Após a compra o primeiro passo era retirar os bolsos e aumentar com um “triângulo” a boca e transformá-la em “boca de sino”. Foi ficando velhinha, desbotada e desfiada. Na medida que o tempo passou, os compromisssos mudaram e o guarda-roupa também. Apesar de não usar mais a tradicional calça LEE, continuo adepta ao jeans até hoje para os momentos de lazer.”


Maria E.C.A. Blaz

53 anos, Psicóloga



Eu tinha um que eu usava até quando ele rasgou perto do cavalo. Gostava dele porque caía bem e eu me sentia confortável. Mas chegou uma hora que rasgou tanto que não consegui mais usar. Foi o jeans que me acompanhou no meu primeiro dia de faculdade, e eu estava sempre com ele.


Glauber Goes,

27 anos, publicitário




Para terminar, encerro com meu próprio depoimento. Quando era adolescente, ganhei uma calça de cós baixo, slim, com braguilha abotoada. Achei-a básica demais, e antes de começar a usá-la, desfiei a barra e costurei umas correntes. Achei que não ia dar muito certo mas ficou linda. Na época, eu era nova em um colégio, e a calça me ajudou a ser mais confiante, pelo visual criativo, acabei chamando a atenção sem muito esforço e de primeira fiz muitas amizades.


VIVIAN DAVID | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR