O mercado de moda no Brasil com dados divulgados pelo IEMI

Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado apresentou no último dia 18 de julho os dados do “Mercado de moda no Brasil: Desempenho, Desafios e Tendências”, no evento Road Show, realizado em parceria com a empresa Lectra. E, a primeira pergunta que o executivo faz aos empresários é a seguinte: Qual é o futuro que você deseja construir para o seu negócio? Segundo Marcelo não dá para querer absorver tudo que se vê por aí, mas sim filtrar o melhor para o seu consumidor, e evoluir sempre porque o mercado muda constantemente. Marcelo abordou os principais questionamentos para crescer e alavancar os negócios: Quem somos?, O que fazemos?, Quais são os nossos clientes?, Como eles nos encontram? Quais são os nossos diferenciais? Onde ganhamos dinheiro?


Confira os dados apresentados no evento.


Entre 2012 e 2016 a produção de vestuário caiu 7% em peças, mas teve um crescimento de 23,3% em valores nominais. Para 2017 as estimativas são de alta de 3,7% em peças e 6,8% em valores nominais. Nos últimos cinco anos a produção recuou 7% e os segmentos que mais sentiram foram de acessórios e profissional. Quem menos sofreu foi o mercado casual e moda íntima, incluindo aí peças para dormir. Em relação ao Comércio Externo de Vestuário, entre 2012 e 2016 as importações recuaram 43%, as exportações caíram 20,4% no mesmo período. Para 2017, as estimativas são de alta de 17,1% nas importações e de mais de 7,5% nas exportações.


Perfil do Varejo de Vestuário no Brasil


Marcelo apresentou ainda números interessantes sobre as compras em nosso país. 177 bilhões de reais foram vendidos em 2016, desse valor, 4,4 bilhões de reais foram comercializados em Brasília. O varejo físico vendeu 92,5% das roupas consumidas no país, com destaque para as peças expostas nas vitrines, responsáveis por 50% das compras. “O consumidor, muitas vezes, compra por impulso, encantamento”, afirma Marcelo. Segundo ele, as lojas de departamentos são as que mais irão crescer até 2018, onde grandes redes podem adquirir outros magazines, criando novos espaços. As lojas de departamentos, especializadas em moda lideram em faturamento com 31% do total, porém as lojas independentes (multimarcas) ainda são o principal canal de varejo do vestuário, em volumes de peças comercializadas, com 36% do total. Abordando a localização das lojas de varejo, 57 mil (35%) se encontram em shoppings.


Para 2017 estima-se uma alta de 3,4% nas vendas em volumes no varejo de moda, com uma recuperação lenta. “Depois de três anos de crise, o consumidor brasileiro precisa de tudo, pois está com uma demanda reprimida”, comenta Marcelo. Já em relação ao comércio eletrônico no país, 48 milhões de consumidores compraram online em 2016 com um crescimento de 22% em relação à 2015. O Brasil é forte no B2B (empresa para empresa) e os EUA e China são melhores nas vendas para consumidores, o B2C. 21,5% das transações foram realizadas por dispositivos móveis.


Segundo Marcelo, nesse período de pós-crise o mercado mais importante e que tende a crescer é a classe B, que vai se recuperar mais facilmente e deve ser o grande foco das marcas. Em cinco anos estima-se um crescimento acumulado de 15,8% para o mercado de moda, em média 3% ao ano, podendo gerar um recorde da produção local em 2021. Pensando em tudo isso, Marcelo recomenda investir em produtos diferenciados porque os consumidores não querem mais do mesmo, o básico não chama atenção. É importante não ter medo de agregar valor aos artigos, mesmo que com isso, seja preciso aumentar o tíquete médio.


Comparação entre 2014 (auge das vendas) e 2017 (crise)


Os hábitos de compras mudaram bastante entre 2014 e 2017. Atualmente temos menos consumidores dispostos a comprar, mas quando vão às compras não aceitam produtos inferiores aos que estavam acostumados à consumir, portanto, mesmo que sejam mais caros, eles preferem escolher uma peça que goste muito. Pesquisas realizadas pelo IEMI revelam que o valor gasto em cada compra aumentou em 25%, porém aconteceram menos compras (-10%). Produtos adquiridos somente para ir à uma festa ou evento também caíram de 20% para 16% e, aumentaram os gastos para a família (+20%) e as compras motivadas pela substituição de um produto já desgastado (+20%). “As pessoas estão comprando menos, mas adquirem produtos mais caros”, comenta Marcelo. Ele acrescenta que o consumidor está em busca de algo que dure mais, algo diferente, deixando de lado os clássicos e investindo em produtos novos e atraentes.


E, quais seriam os atrativos das principais lojas escolhidas pelos consumidores? Qualidade, design, localização, novidades e um mix de produtos diversificado chama a atenção dos clientes. Eles ainda se mantém fiéis às marcas e são exigentes em relação ao conforto e estilo. Atualmente há mais oferta do que procura, por isso será o encantamento que irá gerar lucro. “O consumidor não tem interesse pelos produtos já existentes, ele quer o diferencial”, comenta Marcelo.


Estratégias para aumentar as vendas


Para se antecipar ao mercado e alcançar o sucesso é preciso estar em regiões onde o consumo não diminui ou em algum lugar onde a marca ainda não esteja, se posicionando estrategicamente nos canais de varejo, agregar valor à marca, investir nos segmentos que sofreram menos com a crise e linhas de produtos que ofereçam maior potencial. É necessário estar atento à inovação sempre, ser versátil para poder se adaptar às demandas e explorar as oportunidades, ser único, e acessível em diferentes locais. A demanda está crescendo mas é menor que a oferta. Resumindo, a retomada da economia ainda será lenta e não será para todos.


Por fim, seguem algumas dicas, apresentadas por Marcelo, para refletir:


– Crie produtos para o mercado, não para você;

– Se a sua empresa pensa diferente do mercado, mude a sua empresa;

– Para encantar o cliente não basta pensar nele, é preciso pensar como ele;

– Você não escolhe o cliente, é ele que escolhe você;

– Esteja a um passo ou a um clique do seu cliente.

VANESSA DE CASTRO | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR / REPRODUÇÃO