O poder está nas mãos dos consumidores

relatório Green Report do portal Just-Style afirma que, apesar de existir um grande interesse pelas questões ambientais entreas indústrias têxteis, a maioria do setor ignorou as exigências de responsabilidade social. Além disso, o documento revela que os governos acham que apenas conseguem tentar convencer estas empresas a serem responsáveis, em vez de tomar medidas enérgicas. “O próprio setor está dividido entre a maioria silenciosa, que acha que não é da sua conta (que tem o objetivo de ganhar dinheiro) e a minoria que quer tomar uma posição moral ou igualar a sustentabilidade com as boas práticas empresariais”, revela o estudo.

As principais questões colocadas pelo relatório incluem se as empresas estão agindo de forma ética, se o que vendem é produzido de forma sustentável, se o comércio é conduzido de forma justa e se as empresas se comportam com responsabilidade social. O relatório examina estas questões através da análise das medidas tomadas pelos três grupos principais: governos e outras autoridades, indivíduos e grupos formadores de opinião, e as próprias empresas. O relatório também considera se o cumprimento é uma questão moral ou de boas práticas empresariais e também se o indivíduo visto como ecológico é uma ferramenta de marketing.

Uma pesquisa do mesmo site revelou que a maioria (83,5%) estava interessada ou muito interessada em questões ambientais, mas apenas 50% dos leitores estavam realmente envolvidos nesta área. Além disso, alguns entrevistados não conseguem separar as áreas da ética, sustentabilidade e comércio justo.

O relatório confirma ainda que as marcas de vestuário e os fabricantes têxteis, embora acreditem comportamento ético, ainda têm problemas na gestão da ética dos seus fornecedores – o que resulta na revelação feita pela imprensa sobre a forma duvidosa de como alguns produtos são fabricados e subcontratados.

O documento apresenta ainda uma análise crítica do papel dos vários grupos de pressão (como as ONGS), indicando que muitos têm identidade confusa que esbarram as fronteiras entre ética, sustentabilidade e o comércio. O argumento é que essa miscelânea, juntamente com a falta de ação e liderança do governo e outras autoridades legais, deixa nas mãos do consumidor a responsabilidade de cobrar das empresas para agirem de forma sustentável, ética e ecológica. “O fato de que nem o governo nem os interessados sentem que podem exercer mais do que uma sanção moral sobre o setor, significa que a pressão tem que vir do consumidor. E essa sanção é a recusa da compra do produto, se estes não estiver respeitando todas estas questões”, conclui o estudo.

PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO