Os diferenciais do beneficiamento “ice-finishing”

Atualmente assistimos a definição de um cenário cada vez mais favorável para o denim no mercado de moda global. Uma considerável parte deste mérito, se deve aos notáveis avanços rumo à sustentabilidade realizados por lavanderias e tecelagens relacionadas ao segmento, que impulsionam o ambiente cada vez mais receptivo aos produtos que ostentam a aparência do índigo como linguagem principal.


Entre as “eco-soluções” atuais mais conhecidas na indústria do jeans, figuram o ozônio, e os tratamentos com laser – sendo que este último, definitivamente incluiu as lavanderias no universo das estampas e nos dilemas relacionados à resolução das imagens. Ambos são mais reprodutíveis, dotados de impressionantes estatísticas quanto à redução no emprego de água, produtos químicos e tempo. Em contrapartida, são tecnologias que “dispensam” o gesto habilidoso do homem, para reproduzir desgastes, identificar os melhores pontos para interferências e toques de moda. Um ritual que promete não desaparecer com as exigências de sustentabilidade, mas sim mudar, por processos menos populares como o da abrasão com partículas de gelo.


A lavanderia Italiana Martelli especialista em lavagens e tingimentos desde 1960, é um dos detentores desta tecnologia. A companhia, acaba de lançar uma nova plataforma ecológica voltada para pesquisa e desenvolvimento de tratamentos sustentáveis: a D.ECO.R (Development Ecology Research). Além do laser e ozônio, a plataforma ecológica D. ECO.R da Martelli, detém também a opção do “ice finishing”, um método que combina os três fatores vitais que tornaram as roupas beneficiadas tão especiais, e com tão alta demanda: eco-sustentabilidade, criatividade e habilidade.


A técnica consiste na aplicação de uma corrente de partículas resfriadas no tecido, utilizando abrasão mecânica para desbotar a tonalidade azul da superfície tingida do mesmo. O gesto manual é solicitado no processo, já que é preciso o manuseio de um habilidoso expert para a utilização do equipamento, com propriedade para “queimar” o gelo apenas nos pontos certos da roupa. O resultado final é muito similar ao visual envelhecido, produzido pelas técnicas de lavanderia tradicionais, porém livre da terrível técnica do antigo jato de areia, com o mérito da utilização de CO2 recuperado para produzir o o gelo utilizado nas correntes.


Neste sentido, a indústria de beneficiamentos em geral tem sido extremamente bem sucedida, ao contemplar dentro das exigências sustentáveis, todos os pontos de vista que envolvem o tratamento de uma roupa confeccionada em denim: reprodutibilidade, espaço para criação, e a preservação do gesto humano caprichoso no acabamento das peças. Algo que os admiradores apaixonados pelas roupas modificadas pelos vestígios do tempo, permanecem valorizando, como uma espécie de escola vintage a ser preservada.


VIVIAN DAVID / FOTOS: LAVANDERIA MARTELLI