A leitura sexy transmitida por um look boyish, o desafio do esporte interpretado em
desconstruções, o apelo romântico do jeans folk e decorativo, e alguns devaneios da era
Vitoriana. Nova Iorque, Londres e Milão: todos estes centros de moda já apresentaram
suas propostas para o mercado ready-to-wear global. Mas enquanto
Paris não bate o martelo encerrando a temporada e endossando os temas e
inspirações mais direcionais para o Inverno 2017 internacional (em tese, referente ao Inverno 2018 nacional), algumas conclusões já podem ser tomadas.
Em todas estas referências, o jeans internacional tomou o rumo de
dois sentimentos distintos: o primeiro mais maduro, explorando sensualidade em tom de
empoderamento através de volumes amplos, cortes rígidos e silhuetas radicalmente
cobertas. Phillip Lim, 6397, Monse e Victoria Beckham são alguns exemplos. O segundo,
dotado de romantismo, leve, dialogando com florais cítricos, cortes ciganinha, saias
rodadas, desenho evasê da manga ao giro da saia ou entrepernas de calça. Roberto
Cavalli, Tanya Taylor, Tory Burch e Alice+Olivia constam entre as referências.
No mix de calças, os designers reafirmaram a presença dos fits
setentistas como flares e pantalonas, dividindo a importância com as skinnies na
estação. As pantalonas, foram sugeridas quase sempre em acabamento uniforme,
diferenciadas por bainhas mais largas ou fendas profundas agregando movimento de
saia longa. Já os modelos de flare, de maneira unânime apresentaram visual floral
adornado – seja por tachas, bordados, pinturas manuais, aplicações laterais ou um mix
de todos os elementos na mesma peça. As boyfriends, por sua vez, não foram
apresentadas como opção – mas como conceito. Trabalhadas em patches com jeitão
usado, batido e guardado no armário.
As lavagens variaram do caimento alfaiataria em denim leve, aos
índigos pesados trabalhados em lavagens, até chegar nos tons macios de delavé. Como
formas, além das estruturas retas, os desfiles salientaram o desenho do franzido
camponesa em saias e o corte eves definindo vestidos, mangas e silhuetas. Nos
detalhes, amarrações trançadas, bordados florais, patches atrelados à
leituras esportivas, e franzidos substituindo estruturas formais de alfaiataria foram
consenso. O Inverno 2017 também misturou mais as estações –
tivemos menos peles, e uma ênfase menor no outerwear – apresentando-se como um
prudente artifício de transição para o calendário oficial, que visa alinhamento com o
conceito see now buy now.
VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO















