Grandes nomes da cadeia da moda como Lúcio Albuquerque, Ceo do Grupo Handara, Edson José de Souza, Diretor Comercial da Silmaq, Marco Britto, Ceo do Grupo GB Customização, Cristiano Buerger, Ceo da Tecnoblu, estiveram presentes no Painel Interativo – Trajetória transformadora da moda no mundo – Como a Indústria 4.0 Brasileira gera novos modelos de negócios com sustentabilidade, abordando como suas empresas estão se adequando à nova era da tecnologia.
Edson da Silmaq, que fornece tecnologia e informação para a indústria e confecção, iniciou a conversa afirmando que é preciso transformar os conceitos em realidade para usar na indústria de confecção. “Há três anos eu ouvia os fornecedores do mundo todo falando desse conceito. Há dois anos o Senai nos convidou para participar da implantação da primeira fábrica totalmente 4.0, no ano passado começaram a trazer os primeiros equipamentos adequados à indústria 4.0 e agora já são os clientes que exigem essa tecnologia”, afirmou Edson.
Ele disse ainda que é preciso desconstruir conceitos e reconstruir novos conceitos. Entender a necessidade de cada cliente e transformar em máquinas. Tudo isso tem gerado muito estudo e desenvolvimento por parte da Silmaq, além de capacitar fornecedores de grandes varejistas entre outras empresas. E dentro desse contexto, Edson apresentou também a máquina Wizard que realiza diferentes trabalhos sem geração de efluentes, unindo otimização de tempo e cuidado com o meio ambiente.
Já a Handara é uma empresa com sede no Ceará, fundada em 1995 e surgiu com o propósito de vender um jeans para o perfil da mulher do Nordeste e, que mantém atualmente, um esquema de distribuição de venda direta através das 5mil consultoras, comercializando 100 mil peças por mês, e com 25 showrooms no Norte e Nordeste, um em Portugal e com estudos para a abertura de mais um em Miami, além da loja virtual.
Segundo Lúcio Albuquerque, Ceo da Handara, é preciso se modernizar para obter maior velocidade e flexibilidade. “O tempo hoje é a principal variável da moda. Precisamos ter respostas rápidas para o que o mercado está querendo, por isso fomos em busca de tecnologias”, afirma Lúcio.
Todo o processo de desenvolvimento de produto começa através de softwares, não realizam peças pilotos, é tudo virtual. 70% da produção já é automatizada, sendo que atualmente 21 pessoas conseguem produzir 800 calças. Além disso, a Handara utiliza laser e ozônio em lavanderia, reduzindo o impacto ambiental e é uma marca com o selo carbono free.
Marco Britto da GB Lavanderia diz que não existe uma lavanderia totalmente 4.0, existem empresas que estão no caminho, buscando evoluir, diminuindo a utilização de água e de produtos químicos, colaborando para melhores condições de trabalhos tanto dos funcionários quanto do ambiente. Porém, ainda é uma pequena parcela no Brasil. Segundo Marco, mais de 70% das lavanderias brasileiras não são sustentáveis.
“Tecnologia é fundamental para a indústria 4.0. Várias empresas já têm equipamentos a laser, máquinas que unem processos como bigodes, useds e lixados, eliminando 50 a 60% da água e diminuindo a utilização de permanganato”, comenta Marco.
Marco acredita que o melhor investimento é apostar nas pessoas que irão operar ou colaborar para o processo e funcionamento das máquinas. Na GB, por exemplo, 70% da mão de obra é formada lá, sendo ainda o primeiro emprego. A empresa dá todo o suporte para capacitação de seus empregados. “Investir em pessoas é o caminho para chegarmos na Indústria 4.0 sustentável”, diz Marco.
Marco afirma ainda que o futuro do Denim é a educação e citou a escola Denim City, recém-criada na região do Brás, como grande colaboradora, além dos processos sustentáveis e do potencial do brasileiro que tem o poder de transformar o denim para ser o melhor do mundo. Além disso, ele diz que está acontecendo uma mudança que está vindo do consumidor e todas as empresas devem se adaptar junto aos clientes. Cristiano da Tecnoblu diz que é importante falar de gente, muito mais fácil fazer o trabalho em grupo.
Edson da Silmaq acrescentou que há um grande desafio em atender empresas tão diferentes – as grandes, médias e pequenas, estas últimas que somam 80% dos clientes e que precisam de opções tecnológicas dentro de suas possibilidades.
A conclusão é que estamos no caminho certo e que o Brasil tem potencial para acompanhar todas essas revoluções tecnológicas.
Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Equipe Guia JeansWear









