Países emergentes florescem na feira Apparel Sourcing em Paris

A feira Apparel Sourcing Paris deixou de ser um espaço apenas para grandes produtores e tem dado cada vez mais destaque à mercados emergentes, como o Sri Lanka. Na mais recente edição do evento parisiense, entre 16 e 19 de setembro, estiveram presentes mais de 648 expositores de 17 nacionalidades diferentes.

Entre as representantes asiáticas, esteve a JK Garments, especialista na produção de vestuário de exterior e de performance. A empresa, que tem duas unidades de produção, emprega 1.300 pessoas e inclui departamentos de design e desenvolvimento. “Trabalhamos com grandes marcas europeias e americanas, como a Calvin Klein, Levi’s, Gap, Speedo e Decathlon”, revelou, ao Journal du Textile, Isuru Wijayasinghe, diretor de desenvolvimento de produto da empresa.

“Especializada sobretudo em activewear, roupa interior e vestuário de desporto, a indústria têxtil do Sri Lanka gera diretamente 400 mil postos de trabalho. As exportações registaram, em 2018, um valor próximo dos 5 mil milhões de euros, daí a importância da nossa presença numa feira como esta”, explicou.

Além disto, os produtores etíopes, que marcam presença na Apparel Sourcing desde setembro de 2017, têm vindo a reforçar a sua aposta na Europa. Cerca de dez empresas juntaram-se no pavilhão organizado pelo Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) Ethiopia, um organismo alemão de financiamento e cooperação, incluindo a Desta, com t-shirts éticas, Sabahar, com acessórios em tecidos de lã, e a Mafi Mafi, com túnicas jacquard.

“Os compradores estão em busca de produtos mais personalizados, mais cuidados, mais artesanais”, indicou responsável da Mafi Mafi.

Pesos-pesados em mudança

Países com um maior peso no sourcing estiveram igualmente presentes na Apparel Sourcing Paris. Bangladesh contou com dez expositores e a Turquia teve três representantes, enquanto a China somou 577 stands. “Nos reunimos com uma gama variada de clientes e surgiram muitas oportunidades”, assume uma assistente da Meisiya Garment, uma empresa de Dalian especialista em vestuário técnico.

O secretário-geral do CCPIT Tex, o conselho chinês para a promoção do comércio internacional, que esteve presente na Apparel Sourcing, destaca, contudo, que o modelo de negócio da indústria chinesa está a mudar, não só com a possibilidade de fazer pequenas encomendas como com certificações de sustentabilidade. “A oferta foi reestruturada”, sublinhou.

“Muitas empresas que participam regularmente nas nossas feiras para produção de vestuário conseguiram excelentes resultados e fizeram alguns contactos de elevado calibre entre os nossos visitantes. Foi o que me disseram representantes de Myanmar, da Etiópia e da China, que estou a seguir de perto. Também observo o desenvolvimento do circuito de pequenas quantidades, em particular em nome dos nossos associados chineses, tendo mais de 100 que oferecem esta possibilidade”, declarou Michael Scherpe, presidente da Messe Frankfurt France, num balanço aos resultados da Apparel Sourcing Paris.

“Estou contente por ver que os nossos expositores são capazes de responder tanto às exigências da indústria como às da alta-costura”, completou.

A edição da feira apresentou uma nova configuração e novas designações para as diferentes áreas – All about her, Fashion Accessories, Intimate, Kids, Knitted, Service, Sport & Leisure, Tailored e Vêt’Image – com o objetivo de facilitar o trajeto dos visitantes, que ascenderam a 14.862, partilhados com a Texworld Paris. O evento volta a acontecer de 10 a 13 de fevereiro de 2020.

Fonte: Portugal Têxtil | Fotos: Reprodução