Priscila Locatelli e François Girbaud refletem como alinhar propósito e marca

Vivemos tempos de conexão e otimização; onde motivações pessoais e profissionais urgem em busca de espaços concomitantes e paralelos na agenda do mundo atual. É o tal propósito, que não quer mais esperar para acontecer. E como o segmento denim está à frente em termos de velocidade, a hora de discutir e aprofundar essa busca, é o agora.

A consultora de moda Priscila Locatelli, também mestre em acabamentos JeansWear, foi quem refletiu esse desafio junto com o estilista François Girbaud. Aproveitando a presença do ícone, logo após sua apresentação, Priscila abriu o espaço para perguntas à Girbaud. O propósito foi o primeiro questionamento, dos ouvintes que gostariam de saber como conciliar vida e trajetória profissional com realização pessoal. François iniciou sua declaração afirmando que não se importava em seguir suas próprias opiniões, pois usou sua vida como trajetória. Falas que foram decifradas por Anne Marie “François disse que não se importa, mas na verdade passa muito tempo observando o que as pessoas vestem, o que eles fazem, e acaba desenvolvendo algo para essa demanda”, explicou. Refletindo sobre o modo de atuação de François, Marie destacou que nessa busca do propósito, é preciso decidir por si mesmo, você vai pedir um produto inovador ou um produto para si. “Depende de você seguir as tendências ou criar as tendências”, finalizou. Complementando as falas de Marie, François contou que ao longo da sua trajetória profissional, passou por muitos momentos em que se sentiu sozinho, e ninguém o ajudou. E só depois de muitos anos, pela evolução do mercado, pôde visualizar o que era sucesso. Convicção, de certa forma, foi sua resposta.

“A ideia de que o novo não surge do vazio, mas sim de uma constante evolução foi outro depoimento colocado por François, sempre parti de uma melhoria, nunca criei nada do zero”, explicou.  O estilista contou que a identidade dele foi se formando a partir do momento que ele ia atendendo a necessidade dos seus clientes. “Sempre me mantive muito presente na fábrica”, contou.

A importância do timing para introdução de um lançamento também foi abordada, quando François explicou a dinâmica entre seu trabalho e o de Marithé, sua companheira. “Ela tem ideias completamente diferentes, muitas vezes eu trago uma novidade e ela não se importa; eu sigo em frente: trabalho naquilo por muito tempo, quase desisto, deixo de lado. Então ela me alerta que é o momento certo de lançar”, compartilhou.

Pela curiosidade do público, as questões foram além do tema proposto e trouxeram tópicos que julgamos importante compartilhar. Entre eles a forma como François trabalha com a modelagem, segundo ele, guiado pelo tecido como principal diretriz, pensando sempre em uma visão completa da peça em 360º. Nesse modo de trabalhar, François conta que procura sempre desenvolver novos tecidos e novas fibras, mas se sente refém das indústrias. Concluindo sua forma de modelar, mencionou o que chamou de 3Fs: fit (o perfeccionismo da modelagem), foam (precisa ser apropriado para a ocasião que o cliente vai vestir), e funcion (a funcionalidade perfeita).

Respondendo ao porque de François não realizar mais desfiles, o estilista contou que não visualiza mais modernidade nisso. “Os desfiles tinham um propósito que é vender. Encarar as pessoas na realidade é muito mais pertinente”, explicou.

Encerrando sua participação, François agradeceu a possibilidade de conversar com todos, comentou que estava orgulhoso do momento, e que gostaria de ver o que vai ser criado a partir dessa influência e oportunidade. Da mesma forma, Mary falou que apreciou a oportunidade em encontrar tantas pessoas interessadas no universo denim.

Após a despedida, os presentes no evento tiveram o privilégio de desfrutar o conhecimento técnico repleto de orientações para o chão de fábrica, de Priscila Locatelli. Priscila iniciou com dados bastante específicos, como larguras de tecido, pesos de fio, presença de elastano. Em seguida falou de conceitos ultrapassados, entre eles o antigo ritual de pesquisa considerando o ambiente limitado do fast-fashion e da internet. Lembrou que na trajetória para o propósito, a engrenagem da moda é movida por pertencimento e disrupção.

O final de sua apresentação foi marcado por incentivos para o mercado denim nacional. “Somos um setor centenário e merecemos respeito”, afirmou. Motivando os participantes, lembrou: “somos o maior player do ocidente a ter a cadeia completa, desde o fio do algodão até o varejo”. Priscila também comentou que o Brasil é uma referência mundial em jeanswear, movimentando cerca de R$8 bilhões por ano e gerando fortunas pessoais para players que nasceram do zero. Finalizando sua apresentação, sublinhou que o ingrediente principal do mercado do jeans, é a inovação. E nós, apaixonados por denim como a consultora, concordamos que foi assim, desde o seu surgimento.

Fonte: Vivian David | Fotos: Equipe: Guia JeansWear