Projeto BtoBe revela novos talentos da moda nacional

A 34ª edição da Casa dos Criadores, contou com a apresentação do projeto Btobe (Brazilians To Be) que veio substituir o antigo Ponto Zero. Ainda com o apoio da TexBrasil (Programa de Exportação da Indústria da Moda Brasileira, mantido pela Abit e pela Apex-Brasil) , a nova idéia é dar espaço também para jovens empreendedores.


Na noite de ontem, estudantes de Moda de todo o país apresentaram suas coleções e concorreram a oportunidade de integrar o line-up oficial da Casa de Criadores, assim como um acompanhamento da TexBrasil de capacitação profissional que visa tornar os jovens estilistas de hoje em empresários da moda brasileira no futuro.


A estudante do Senac, Giselle Vieira, apresentou para a primeira coleção de sua marca, Brado, um desfile em tons de cinza e preto. O tropicalismo urbano foi bem representado com uma trilha sonora que misturava sons típicos do Brasil com o rap das grandes cidades. Lã, sarja e moletom serviram de material para peças trabalhadas com texturas e relevos, em referência à massa poética escondida nas cidades de concreto.


De Fortaleza Cacau Francisco, da Universidade Federal do Ceará, trouxe para a passarela peças bem trabalhadas na superfície, com matelassês, tachas, tricots e costuras aparentes, no geral em tons sóbrios, quase neutros. A idéia do estilista é criar peças unisex com modelagens que façam jus tanto para os corpos masculinos tanto para os femininos. A inspiração do estilista veio da descoberta sexual, em referência ao personagem do filme franco-canadense Laurence Anyways e da sua experiência pessoal. As chaves eram alusões quase literais à questão “sair do armário”.


O estudante Fábio Lima Malheiros da Faculdade Santa Marcelina apostou no minimalismo do preto e branco, em peças largas e fluidas. Outra aluna que apostou na elegância do minimal foi Flávia Ventura, da Universidade Federal de Minas Gerais. Em uma coleção detalhada, com diversos trabalhados de superfície nos tecidos de tricoline, malha, sarjas, brins, gazár e tafetás, a referência ao artista Pierre Soulages foi capitada nos contrastes, volumes e texturas. A cartela de cores apresentou variações de preto, o azul, vermelho, ocre e branco.


Thiago Bernardo da Universidade FUMEC olhou para a arquitetura do começo do século XX e para os projetos de Walter Groupius para criar sua coleção austera. Com uma cartela de cor de apenas três cores: preto, branco e vermelho, o mineiro apostou nos materiais naturais como diferencial para sua coleção. Couro, seda e algodão se misturaram para criar peças que, de acordo com o estilista, foram pensadas para uma mulher elegante e feminina. O trabalho das pirâmides bordadas à mão para criar texturas, foi um dos pontos alto da coleção.


Os grandes ganhadores da noite e que vão estar na próxima edição da Casa, a marca Nosotros, dos estudantes da Universidade Anhembi Morumbi, Mellina Mel, Nathan Sousa e Roberto Hideo, usou como referência a literatura ficcional dos anos 60. A importância dos sentidos e como muitas vezes eles são antagônicos à razão em nossa percepção do que é real e do que é imaginário. As peças em lã e musseline foram criadas em três cores: o bege, que representa a pele e o tato, o vermelho, que faz alusão ao sangue e ao calor do corpo e o preto, que remete à solidão e o isolamento do ser.

MARINA COLERATO | FOTOS: AGÊNCIA FOTOSITE/EQUIPE GUIA JEANSWEAR