Qualidade no desenvolvimento em pauta

Não é raro, sempre me perguntam como traçar um molde que resulte em uma peça perfeita. Respondo, quase que imediatamente, que quando descobrirem, me avisem, porque simplesmente ele não existe.


Peça perfeita, para mim, seria aquela que seja adaptável a um número “considerável” de corpos, em suas variedades bióticas.


Já o molde perfeito é aqueleem que as partes estejam bem definidas, segundo o modelo sugerido, com as indicações do fio de urdume e margens de costura, posições de piques e determinação das pences (em altura e largura) corretamente assinalados.


Dado o grande número de método existentes, seria um grande sonho (e erro) supor que todos eles vestem ou vestirão os diferentes corpos. Cada um à sua maneira satisfaz uma expectativa.


O mais indicado é que o profissional de modelagem conheça mais de uma forma de construção do diagrama. Assim, ele pode perceber, qual ou quais seriam indicadas, para este ou aquele modelo.


Neste caso, quando mais minuciosa for a verificação, menor a possibilidade de defeito ao final. Por conta desse dilema, como professor de modelagem, insisto com meus alunos que é melhor pecar por excesso do que por omissão quando forem traçar seus moldes, ou seja, revisem uma quantidade expressiva de vezes, para que seja garantida a qualidade final da peça confeccionada.


Abaixo, alguns tópicos, que devem ser considerados, quando for traçar o seu molde, em casa ou na empresa.


Medidas

a. As medidas existem para serem usadas. Não as desprezem. Para tanto, o uso de lapiseira é importantíssimo. Lápis, caneta e adjacentes, ESQUEÇAM! Sempre pense que os milímetros, às vezes desprezados ou acrescidos, na largura do molde são multiplicados por quatro. Isso quer dizer que sozinhos não significam nada, mas quando totalizados, podem causar um estrago total, um desperdício grande de matéria-prima – além de comprometer o caimento da peça. Esse é o motivo pelo qual aquele tomara-que-caia não entra no corpo, ou, que sempre cai…

b. Lembre-se: a milimetragem da régua e da fita métrica começa a ser pontuada a partir do zero, e não do um. Aqueles pontinhos não estão ali para “enfeitar” nada, eles têm uma importância ímpar. Portanto, se estiver no time daqueles que não sabe o que fazer com os milímetros, uma revisão do sistema métrico decimal é a solução mais indicada.

Fio de urdume

a. Tão importante, quanto as medidas no molde, a marcação do fio de urdume é de consideração inevitável. É ela que vai determinar se a peça terá bom caimento ou não. É muito comum encontrarmos pernas de calças entortadas, mangas mal posicionadas, blusas pendendo para lados opostos, etc…

Dica: o fio de urdume, no tecido, é paralelo à ourela. No molde é aquele que determina a posição do diagrama sobre o tecido. Mesmo quando a peça é enviesada, o fio no molde é marcado, para que este (o molde) seja posicionado à 45° em relação à ourela. Porém no tecido, o fio continua no mesmo local.

ROBERTTO DIAS | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR