Quando o marketing deixou de focar o jeans e olhou para o planeta

Como vimos na semana passada; historicamente, produzir uma calça jeans sempre implicou em custos excessivos relacionados aos recursos naturais e à saúde do trabalhador. De modo que o nascimento de tecnologias sustentáveis capazes de reduzir tais demandas, demonstraram ao mercado que a fabricação do jeans pelos métodos antigos, representava um mau negócio! Sendo assim, sustentabilidade no universo azul, passou a significar valor agregado, e com isso, novos rumos se apresentaram ao mercado.



Nasceu assim, uma nova macrotendência no segmento denim: a era do jeans cujo visual comunica o discurso eco-friendly. Mas afinal, qual a estética dialoga com esse novo paradigma? A reação das marcas globais referência responderam inicialmente com simplicidade, conforto, liberdade e inspirações refletindo relações pacíficas com a natureza. O visual do desapego, e da honestidade tomou o jeans em sua aparência mais funcional como sinônimo. Entramos então, na era da interpretação da five-pockets em seu sentido mais clean, onde é o personagem que o veste, juntamente com sua atitude mais verdadeira, o grande protagonista da peça. Nisto, todas as atenções se voltam para a qualidade, para a permissão do movimento, e para a concepção de um look honesto.



O marketing, torna-se então o grande alvo da fantasia e reprodução do desejo coletivo, e a calça deixa de ser o foco das imagens, que são mais direcionadas para o meio-ambiente e as próprias pessoas. O público é elevado em importância nas peças, se sobressai nas campanhas como o dono de seu destino e liberdade. O consumidor pode tornar-se uma celebridade filantrópica, e salvar o oceano da contaminação com plásticos vestindo um jeans. Dentro desta idéia, adentramos na era onde as campanhas de jeans falam mais do que a estética da peça em si. Como exemplos, temos a G-Star em sua linha Raw for the Oceans, desenvolvida em parceria com o astro Pharrel Willians. Outra linguagem tendência nas imagens de divulgação é a conexão com a moda de uma maneira mais honesta. Nestas, é o movimento e o senso de liberdade a bandeira principal. Como exemplo temos o Yoga Denim, desenvolvido com algodão certificado, lavado com processos que exigem no mínimo 50% de redução nos recursos naturais, e que não despejam produtos químicos. Nestas novas linguagens, a calça que dialoga com tal conceito é esportiva e confortável – básicamente a five-pockets.



As marcas icônicas não ficaram de fora. Um bom exemplo é a linha Levis Waterless, que incentiva a redução de água. O universo do jeans passa a orbitar ao redor de um estilo mais atemporal, com falas de desapego e processos produtivos mais honrados figurando como qualificação principal. O tecido e o modo de produção passam a ser alvos maiores de criatividade, e as misturas de composições que trouxeram maior sustentabilidade aos processos, caminharam lado a lado com a idéia de uma moda mais confortável e funcional. Trocando em miúdos: estamos falando da idéia de qualidade e elastano superior. Chegamos no atual, adentramos no hoje: logo, a partir da semana que vem não falaremos de história, mas sim de evolução do jeans. Até lá!


ViVIAN DAVID / FOTOS:REPRODUÇÃO