Reflexão e planejamento são chaves para varejo após crise da Covid-19

Como retomar os trabalhos após a Covid-19. Este tem sido um dos questionamentos levantados pelos varejistas nesta crise sanitária e econômica causada pela pandemia do novo coronavírus no mundo, que acarretou em fechamento de comércios e instituições na tentaria de conter o avanço do contágio. O tópico foi abordado em uma transmissão ao vivo da plataforma O Futuro da Moda na última semana, contando com a presença do escritor e articulista, mestre em história da indumentária e da moda, João Baptista Braga Neto, e o fundador presidente da MCF Consultoria, Carlos Ferreirinha.

Para pensar no futuro, é preciso olhar para o passado. João Baptista Braga Neto iniciou a conversa ressaltando que é importante puxar referências de ordem histórica para analisar o que pode acontecer daqui para frente. Assim como a Primeira e Segunda Guerra Mundial mudou o comportamento na moda, principalmente no segmento feminino, a atual pandemia do coronavírus também deixará marcas no futuro.

“O futuro é incerto e ainda está incerto em diversas possibilidades […] Existem previsões e estudos que podem nos ajudar, mas acho que podemos pegar referências de ordem histórica, principalmente na moda”, indicou o mestre em história da indumentária e da moda.

Seguindo o pensamento, Carlos Ferreirinha destacou que “para falar de futuro, é preciso entender o que está acontecendo agora”. De acordo com o consultor, a análise predispõe que o cenário de crise se deve mais a letalidade do mercado do que a do próprio vírus.

“É a primeira vez na história da humanidade que temos uma crise nesta proporção, com características quase épicas, que parou todo mundo no mesmo momento e da mesma forma. O que acontece é que o número atualizado indica que ao menos 5 bilhões de pessoas estão em isolamento social […] O mundo parou e os mercados não estão sendo compensados”, afirmou Ferreirinha.

A paralisação tem criado incertezas no mercado, principalmente quando se pondera que não há estimativa para um retorno. Contudo, pensar em uma volta repentina e sem contexto social bem aplicado pode trazer mais números negativos.

“Tem que tomar muito cuidado com essa pressão para abrir novamente. Se não houver uma dinâmica de uma interpretação social do que é possível, você sai abrindo todo o varejo, os custos físicos voltam a subir e o cliente não volta a consumir”, destacou Ferreirinha.

Um planejamento meticuloso deve ser necessário para atrair novamente estes consumidores, que assim como os empresários, estarão sofrendo com os impactos da crise. “Até os próximos meses, vamos ter que pensar em horários diferentes e em uma absorção de jornadas de trabalhos diferenciadas. São novos acordos, novas possibilidades. Quando se pergunta ‘se eu apresento a minha coleção’, apresenta para quem? Onde?”, completou.

Carlos Ferreirinha, entendendo que o momento traz angústia entre empresários e até mesmo se colocando entre eles, pediu questionamentos práticos nas ações futuras do mercado. “É um período que pede uma reflexão não ‘como eu volto para onde eu estava’, mas o contrário, ‘quem serei eu no final dessa travessia ?‘”, concluiu.

Confira a transmissão na íntegra:

 

Fonte: Thaina Barros | Fotos: Reprodução