A 4ª edição do Paraty Eco Festival acontece agora em outubro e contará com palestrantes importantes, que visam a moda ética e a valorização da produção local. Entre eles Ronaldo Fraga, o estilista, ilustrador, pesquisador, empresário e, acima de tudo, incentivador da moda brasileira.
Em sua palestra, Ronaldo pretende abordar dois de seus recentes projetos: O primeiro intitulado Design na Pele, que deu origem a sua coleção Carne Seca (para o inverno 2014) e outro que envolveu seis meses de trabalho junto a artesãs no Sudeste do Estado do Pará e deu origem à coleção Um Turista Aprendiz Na Terra Do Grão-Pará, para o inverno 2013. Em comum entre os dois, a parceria com artesãos brasileiros e a valorização de suas técnicas e práticas tradicionais.
Na sua última coleção, O Carderno Secreto de Cândio Portinari, apresentada na São Paulo Fashion Week edição de Verão 2015, Ronaldo Fraga foi escolhido pela Rhodia para estrear o uso do fio de poliamida eco-friendly na passarela. Mas ao ser questionado sobre sua responsabilidade ética e ambiental voluntária, o estilista responde: Eu poderia falar que uso material orgânico, que trago o artesanato, mas prefiro mencionar uma questão muito maior, que é a humanização do processo, promover uma apropriação cultural da memória com seu entorno. É uma sustentabilidade estética: evitar o rompimento que é esta memória cultural indo embora por causa da industrialização. Outra coisa que faz meus olhos brilharem para uma nova coleção é ver como o designer funciona como ponte entre o Brasil feito à mão e a indústria. Trouxe isso em várias coleções, por exemplo, as joias em Tucumã, no Turista Aprendiz, e agora com a cultura do couro, no sertão do semiárido.
Ronaldo Fraga afirma ainda que esse tipo de atuação pode e deve ser ampliado: Há 15 anos, não entendiam minhas coleções, achavam que eu fazia traje típico, mas hoje vejo muitos novos estilistas entrando no mercado com essa visão. Isso não é exclusivo do Brasil, é um momento do mundo em tempos desmemoriados.
Por fim, para sua participação no Paraty Eco Festival, o estilista espera um diálogo de diferentes frentes com foco na mesma questão, especialmente neste momento em que a palavra sustentabilidade está desgastada, por ter entrado na moda e ser usada a torto e a direito qualquer pessoa que faça 3 camisetas de fibra de bambu já diz que tem trabalho sustentável; neste momento, acho importante levar a sustentabilidade para além da questão ambiental, finaliza ele.
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