Senac Moda Informação revoluciona o mercado com novo evento

Uma nova ordem está surgindo. O mundo em constante transformação passa por momentos difíceis, crises, guerras, trocas no poder, instabilidade econômica e política, ansiedade, um volume de informações que ultrapassa todas as fronteiras por todos os cantos do planeta, tecnologia usada à nosso favor, o consumidor participativo, novas marcas, novas ideias, novos caminhos. E, o segmento de moda dentro desse turbilhão não pode ficar parado. Analisando tudo isso já algum tempo, o Senac Moda Informação que há mais de 20 anos apresenta informações sobre tendências e as principais diretrizes para o mercado, acaba de reformular totalmente seu evento.


A edição 1 de 2017, que aconteceu no Galpão Vídeo Brasil, em São Paulo, não destacou nenhuma estação, não abordou temas específicos e não apontou as tendências para cada segmento. Nessa nova proposta e nesse novo mundo, não há mais espaço para o “copiar lá fora e colar aqui”. Estamos passando por uma crise e, isso, às vezes, até é bom porque nos mostra o que não está funcionando. É hora de mudar, abrir a cabeça, renovar seu modelo de produção, integrar toda a cadeia e absorver informações de todos os cantos.


Dentro desse contexto foram apresentados variados assuntos que nos fazem pensar e analisar a moda de um modo único, diferente, mas exatamente do jeitinho do seu consumidor, com foco na produção autoral como uma das apostas para esse momento de transformações. “Nossos profissionais atuam agora de maneira mais polivalente e precisam tanto de um respaldo técnico dos produtos que delinearão uma coleção – já que até o conceito de estação caiu por terra – quanto de informações correlatas a essa criação, como negócios e desenvolvimento sociocultural”, afirma a consultora de moda Luciana Parisi.


O evento teve início com a palestra sobre Macrotendências de comportamento refletindo sobre como desenvolver modelos de negócios globais que atendam consumidores cada vez mais preocupados com os valores e o legado das marcas, ministrada por Evilásio Miranda, diretor do birô francês NellyRodi, na América Latina. A consultora de moda, Luciana Parisi abordou as mudanças do mercado de moda na palestra “Pesquisa Global – Projeto Local”: “A chegada da geração Z marca o início da era do consumo consciente que rejeita o modelo que sempre foi praticado”, afirma Luciana. O engenheiro têxtil, Flávio Bruno, autor do livro Quarta Revolução Industrial no Setor Têxtil e de Confecção,abordou as novidades do setor e Herman Bessler, cofundador da Malha falou sobre o futuro da moda e os novos modelos à vista.


Já a Arena Denim trouxe assuntos relacionados à lavanderia, shapes, branding e upcycling com nomes como o consultor Mauricio Lobo, Augustina Comas, que mantém uma marca com seu nome, Helson Andrade, da Aqua Doce Lavanderia e, Cristiane Ruiz, coordenadora de produto e estilo da Calvin Klein.


A pesquisadora de filosofia política, Djamila Ribeiro, o produtor Augusto Mariotti e as irmãs Tracie e Tasha Okereke, encerraram o evento com um bate-papo empoderado sobre as estéticas da periferia no universo da moda e os espaços que ainda precisam ser conquistados. Ao longo do dia, os visitantes também puderam conferir a Galeria de Sensações– uma instalação da artista visual Roberta Carvalho e do estúdio Rizomatique, que permitiu um mergulho nas cores, tecidos e estampas –, além de uma oficina de customização Sneaker Culture, comandada pela Vans.. Após o evento, a equipe do Senac comandou uma expedição de coolhunting pelas ruas da Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. O roteiro incluiu visita a uma livraria e um brechó, além de lojas de marcas instaladas no bairro, como a da estilista Fernanda Yamamoto.


Cores, tecidos e padronagens: sim ou não?


Como toda mudança choca, gera elogios, críticas, pensamentos diferentes e, deve ser feita aos poucos, Luciana Parisi abordou as cores, inspirações gerais e tecidos que mais foram vistos nas passarelas das últimas temporadas internacionais.


Época de incertezas traz o preto como a cor principal, seguido de tons de azul – do mais claro ao marinho, cinza e a volta dos marrons, além de cores suaves, vibrantes, naturais e metálicas com destaque para o vermelho, amarelo, prata e ouro.


Inspirações:


1. A mulher como destaque na época do empoderamento feminino mesclando o street, sportswear, workwear e o athleisure. Androgenia e militarismo com toques dos anos 80 e 90 também estão em pauta.


2.Falamos em futuro no tema acima então temos que falar do passado também. Aqui o feito à mão é valorizado assim como as peças que tem uma memória, são confortáveis, e remetem à renascença, épocas Vitoriana ou Barroca e ainda um toque asiático mesclando detalhes, vida no campo, folclore, dadaísmo.


3. Glamour é a palavra de ordem e, remete aos anos 20, 40 e 50 onde as mulheres divas valorizavam o romantismo, feminilidade e elegância.


Tecidos


É importante valorizar a qualidade, exclusividade, luxo, tecnologia e conforto em qualquer tecido. Aqui destacamos os chiffons, cetins, sarjas e denim, veludos, lãs, vinil, lurex, malha de algodão, moletom, tule, renda, bordados e transparências.


Padronagens


Inspiração nas artes, natureza, passado, ruas, artesanal e toques de exclusividade em abstratos artísticos, animal skin, esoterismo espacial (astros, astronautas, espaço, símbolos místicos), colagens florais, camuflagens, folk, insetos de jardim, xadrez dos anos 70 e 90, floral papel de parede, entre outros.


Formas


Um mix de modelagens para todos os públicos revelam a alfaiataria, calças amplas com cintura no lugar, clochard, baggy, cargo ou slim, cropped, macacões, saias assimétricas, envelope ou lápis, midi ou rodadas, plissadas ou pregueadas. Os vestidos passeiam entre os mais curtinhos, com recortes, slim, slip ou com referência aos anos 40. As jaquetas são croppeds ou oversizeds e, para aquecer, temos ainda parcas, trench coats, casacos militares, casacos alongados.

VANESSA DE CASTRO | FOTOS: EQUIPE GUIA JEANSWEAR