Sinditêxtil-SP indica queda de 41,6% no varejo de vestuário

Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP) apresentou o balanço do primeiro semestre das empresas têxteis paulistas, que representam cerca de 30% do setor nacional – sendo primeira em produção de vestuário, exportação e empregos.

Segundo o presidente da entidade, Luiz Arthur Pacheco, a produção têxtil no Estado caiu 29,8% entre janeiro e maio, em comparação à 2019. Já a produção de vestuário sofreu queda de 37,1%, enquanto que o varejo de vestuário teve uma deflação de 41,6%, número mais expressivo devido ao comércio fechado.

O setor têxtil não sentiu tanto porque este inclui também uniformes hospitalares, cama, mesa e banho, inclusive para hospitais e máscaras. Em relação aos empregos de janeiro a maio, 17.195 postos de trabalho foram fechados.

Comércio Exterior

As importações despencaram 23,72% em comparação ao mesmo período de 2019, enquanto as exportações tiveram queda de 2,92%. O IPCA do vestuário caiu 1,8% e o geral ficou em 0,3% em São Paulo.

Segundo pesquisa realizada com empresários que mostra o sentimento sobre o cenário econômico, até março eles mantinham expectativas positivas. Após a pandemia, esse sentimento se alternou, principalmente entre os meses de abril e junho.

Em junho de 2019, 67% tinham uma avaliação otimista em relação à produção, vendas, emprego, exportações, entre outros. Em março, esse número subiu para 87% e, em junho desse ano, despencou para 7%.

Impacto do novo coronavírus nas empresas

67% das empresas estão com 50% ou menos de utilização da capacidade instalada, enquanto 69% das companhias demitiram até 20% dos colaboradores. Tudo isto reflexo, mais uma vez, do varejo fechado e as medidas tomadas em termos de redução de jornada de trabalho, suspensão de contratos de trabalho, entre outros.  Agora, espera-se uma retomada tímida do setor têxtil com a reabertura do comércio.

50% dos empresários disseram ter procurado seus bancos em busca de crédito, contudo, 75% não tiveram sua demanda atendida. “É importante que as empresas se programem para uma retomada e, sem crédito, vai ser mais difícil”, afirma Luiz Pacheco. Ele ainda afirma que será necessário discutir alternativas para preservar o capital de giro.

Em relação à produção industrial, os setores de confecção de artigos de vestuário e acessórios tiveram uma queda expressiva de 70,1%, em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Já em relação à volta gradual do comércio, 80% dos empresários do setor têxtil e de confecção de São Paulo, acreditam em uma retomada em até 12 meses, o que é muito positivo e reflete a capacidade de enfrentar esse cenário.

Perspectivas para 2020 e 2021

Para o restante do ano de 2020, as projeções são: PIB com uma retração de 6,1%, queda de 15% na produção, deflação de 20% no varejo. A exportação deve cair 12% e a importação terá um declínio de 5,2%, além da perda de 10 mil empregos.

Já para 2021, a previsão é de crescimento de 3,5% no PIB, aumento de 9% no varejo, 7% na produção, 3% na exportação, 10% na importação, além de uma recuperação de 6 mil postos de trabalho.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução