Síntese das tendências apresentadas durante a semana de moda

Referências do estilo biker, leitura esportiva do Japão, anos 70 em versão madura e

essencial; e a ideia do jeans de estimação colocada de forma mais romântica e afetuosa.

Estas foram algumas das inspirações colocadas nas apresentações das coleções ready-
to-­wear de Nova Iorque, para a temporada correspondente ao Inverno

2017 nacional.

Nela, o denim apareceu mais escasso, e menos recorrente nas

peças especiais ­ ficando mais reservado às calças e ao outerwear. O material apareceu

interpretado em três discursos distintos: no visual denim de estimação,

esportivo com jeitão de alta moda, e o retrô maduro. Os macacões vieram mais

esportivos, as saias mais numerosas e diversificadas, as camisas menos contempladas,

e os vestidos em total harmonia com os moletons e a tendência arthleisure. Nos fits,

tivemos a pantacourt como proposta fashion desejo, o resgate das retas em comprimento

cropped, as flares mais românticas e maduras, e as cinturinhas altas ­ novamente em

alta.



Sport couture: Denim esportivo, chic e estiloso. Índigos ou black denim

com caimento de alfaiataria, jogados em fisionomias esportivas amplas e retorcidas. O

acabamento é uniforme, e o denim tem construções mais conceituais e rebuscadas,

abusando de efeitos como sobreposições fingidas, repetições de cós, amarrações e

volumes amplos. Como exemplo temos as coleções V. Files, Gipsy Sport e Public

School. A ideia principal, é apresentar uma construção nova em volume confortável, em

denim molinho, em nível mais elevado levando o visual alta moda para o dia­-a-­dia. As

peças-­chave são: a saia em construção habilitada a andar de tênis, a jaqueta com jeitão

de agasalho neoprene, as capas, as pantalonas e os macacões lisos, que podem ser

quebrados formando conjuntos. O estilo biker está presente como uma inspiradora

referência para as interpretações.



Retrô maduro: Denim discreto, feminino e retrô. As peças são mais

enfeitadas, e exalam inspirações regadas a naftalina; e foram bem representadas pelas

coleções de Michael Kors, Red Valentino, e Sonia by Sonia Rykiel. Aqui temos a

influência dos anos 70, do estilo cargo, do brechó, da camisaria e do romantismo. A

pantacourt á a modelagem que mais representa a ideia, seguida da flare. Enquanto a

pantalona e a pantacourt aparecem mais essenciais, a flare é mais enfeitada e

elaborada. Entre os detalhes, além de bordados coloridos volumosos, temos barras mais

largas, respingos, costuras mais evidentes em tons de argila, e micropoás salientes. Os

efeitos relacionados à linguagem do jeans, no entanto, são comedidos e aplicados com

discrição. As peças oscilam entre extremos: ou são menos lavadas, e destacam o valor

intimista do azul profundo; ou optam pela delicadeza dos delavés e dos tons pastéis

uniformes. As retas são reapresentadas como uma escolha fashion dentro do mix, com

barras desmanchadas. Pecas chave: saias mídi, flare, reta, pantacourt, vestidos

apresentados em sobreposição às malhas.



Jeitão upcycling: Jeans recortado, manchado e com jeitão usado.

Tendência grunge mesclada à moda essencial e ao minimalismo. Apresenta aplicações e

reservas de pigmento, variações nas nuances, rasgos, buracos e toda sorte de

aplicações ou detalhes que dialoguem com a ideia de upcycling. Aqui a palavra de ordem

é excesso, exclusividade. As peças variam do estilo esportivo, ao essencial e romântico.

Modelagens antiquadas como a reta são renovadas pelos comprimentos cropped, assim

como bermudas em comprimentos midi. Colagens, tampões, franjas e reservas de

pigmento são artifícios recorrentes. A modelagem reta é forte nesta proposta, assim

como as jaquetas concertadas e toda sorte de peças essenciais remendadas.

VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO