Foram 8 dias de evento, mais de 750 painéis, dois mil palestrantes e mil horas de conteúdo que ocuparam os 20 palcos distribuídos pelo Parque Ibirapuera, com visitação de cerca de 50 mil pessoas. Essa foi a primeira edição do SP2B -– São Paulo Beyond Business , super evento que reuniu inovação, empreendedorismo negócios, cultura e moda com nomes como Luiza Helena Trajano, Alice Braga, Maísa, Felca, entre outros. O mais interessante, é que o público presente no parque, pode ver gratuitamente, alguns shows que aconteceram na marquise. O sucesso e conteúdo foi enorme e a próxima edição já está marcada entre 9 e 15 de agosto de 2027, no mesmo local.

Painel The Good Hacker: O Futuro da Sustentabilidade na Moda, com: André Salém- Blockforce, Taciana Abreu – Riachuelo, Cyntia Kasai – ASG e C&A e Artur Lemos – Grupo Soma, com mediação de Rita Wu – Instituto FabLab Brasil e Times Bradil.
Idealizado pelo CEO e fundador da Da20 Ventures, Rafael Lazarini, o SP2B nasceu com a proposta de criar em São Paulo um grande encontro brasileiro de alcance internacional, capaz de aproximar empresas, empreendedores, investidores, executivos, pesquisadores, criadores, artistas e lideranças públicas. Sob diferentes perspectivas, a programação discutiu inteligência artificial, liderança, crescimento de empresas, futuro do trabalho, novos modelos de negócio, cidades, saúde, sustentabilidade, comportamento e economia criativa.
“Quando imaginamos o SP2B, a ambição nunca foi simplesmente criar mais um grande evento. A ideia era construir um espaço capaz de refletir a complexidade do mundo em que estamos vivendo, onde negócios, tecnologia, cultura, comportamento, ciência e sociedade já não podem mais ser discutidos separadamente. O que vimos nesses oito dias foi essa visão ganhar vida”, celebra Lazarini. “Os números ajudam a dimensionar o que aconteceu, com centenas de painéis, milhares de vozes e uma cidade inteira se engajando nessa conversa, mas o que mais importa é a qualidade dos encontros, das ideias e das conexões que começaram aqui. Para uma primeira edição, isso nos dá a convicção de que existe algo muito maior a ser construído.”
Dentre tantas informações, confira o que foi relevante para o nosso mercado.
O painel The Good Hacker: O Futuro da Sustentabilidade na Moda, que aconteceu no espaço do BRIFW, trouxe André Salém, cofundador da Blockforce, Taciana Abreu, diretora de sustentabilidade da Riachuelo, Cyntia Kasai, gerente sênior de ASG e Comunicação na C&A e Artur Lemos, head de produto do Grupo Soma, com mediação de Rita Wu, diretora de conteúdo e comunicação do Instituto FabLab Brasil e analista de tecnologia da Times Bradil.
Sabemos que a cadeia de moda está mais transparente, mas como realizar outras mudanças concretas unindo tecnologia à sustentabilidade?
Cyntia disse que na C&A, a tecnologia é usada desde a parte do design de produto, passando pela produção, tecidos, lavagens, corte e na distribuição. Além disso, evitam produção em excesso, só escalando o que realmente os dados dizem que faz sentido criar.
Para Artur, do Grupo Soma, a tecnologia é usada em qualquer etapa e momento da cadeia, se abrindo a novos leques de opções como escalar modelagem em 3D, processos sustentáveis e pesquisas de tendências. André, da Blockforce diz que a tecnologia na moda tem muitos ângulos e várias abordagens e, principalmente para a empresa dele que trabalha a rastreabilidade levando maior transparência para a moda. Taciana da Riachuelo comentou do impacto das temperaturas e suas mudanças no vestuário e por isso, a necessidade de usar dados climáticos para colocar as peças nas lojas.
Rita abordou ainda os dados dentro da indústria da moda e sua importância para propor soluções. “Hoje não fazemos mais moda sem dados e com a rastreabilidade não é diferente. Nós organizamos e integramos e contamos histórias de vida de um processo produtivo. Uma parte pode ficar na empresa, mas outra, pode ser comunicada ao público, ao mercado. O blockchain leva informações ao consumidor e incentiva o consumo consciente”, afirma André.
Já Taciana disse que a rastreabilidade é uma informação importante para o cliente. “De onde veio a minha roupa, o algodão? É todo um processo dentro da cadeia que vai andando para trás para contar essa informação, onde não há fraude, com informações imutáveis”, esclarece Taciana.
E como passar essa informação ao consumidor? Por exemplo, como a C&A, que realizou sua primeira coleção jeanswear, rastreável em 2023. Porém, toda essa história ainda é muito técnica para o cliente poder decidir melhor na hora da compra. Outras alternativas, são o QRCode, informação nas lojas, sites ou até no ponto de venda, mas ainda é um caminho muito longo. Taciana lembra que a produção é muito pequena através do blockchain e o preço também é fundamental. E Artur concorda: “Hoje, nós tentamos usar como argumento de venda, mas no fim, o preço é mais relevante. Só vamos ver uma mudança de fato quanto tiver uma exigência regulamentar”, diz Artur.
Para Cyntia há muitos desafios no Brasil, como a pulverização da cadeia, que é enorme, níveis diferentes em tecnologia e parcerias.
Sobre a IA na criação de moda, Artur diz que o Grupo Soma já trabalha a tecnologia há muitos anos, operando de forma mais eficiente, tanto na compra quanto na distribuição mais assertiva. Para André, a IA é transformadora, integra dados, colabora com a produção e toda a cadeia.
Varejo de Moda
Objetiva, comunicativa, sagaz, repleta de informação – a querida Camila Salek comandou o painel, Da vitrine ao vínculo: quando a marca vira comunidade e, já começou a palestra dizendo que estamos passando por um momento muito especial de transformação do varejo, onde podem trabalhar novos modelos de negócios. Há diferentes pontos de contato e muitas marcas ainda estão acostumadas a tratar a jornada de vendas de forma linear. Hoje, há um novo funil de vendas com diferentes etapas que influenciam a decisão. “Você não controla quando o consumidor compra. O que você controla é se cada ponto de contato faz com que ele fique mais ou menos seguro da decisão”, afirma Camila. Segundo dados do Google, um consumidor novo quando entra em contato com alguma marca, passa, em média, por seis pontos como o whats, pesquisa em google, IA, dica de um amigo, anúncio de Instagram, loja física….
“Não é mais uma jornada do cliente, é uma rave do cliente. O valor passa a ser definido pela capacidade das marcas em gerar conexão emocional, relevância cultural e conveniência real na vida das pessoas”, comenta Camila.
Dentro desse contexto é muito importante definir quais são os canais que a marca vai trabalhar, como vão conversar e diminuir, ao invés de aumentar, se necessário. É importante fazer poucas escolhas de canais, para começar a gerar confiança por parte do consumidor. Volume por volume é raso, fraco.
Camila falou ainda sobre a Atenção, que não é vínculo. Segundo Camila, a primeira palavra mais falada durante a última NRF – maior feira de varejo mundial, foi Confiança, em seguida, Experiência. E o que constrói confiança? Para Camila há alguns pontos como ativar o legado e a herança daquela marca (se está há mais tempo no mercado), criar um storytelling liderado por fundadores ou CEOs, usar espaços físicos de forma experiencial. Camila diz que ninguém tem tempo, hoje, para entrar em lojas físicas de varejo, sem comprar, investir no processo da compra presencial, mudanças nos espaços físicos, onde há muito mais experiências de marca, para além do café, como exemplo, a nova loja da Zara, na China que não tem vitrine, mas uma entrada com instalações que vão mudando conforme o calendário, estúdio fotográfico no provador para compartilhar conteúdo, área de vendas toda editada através dos produtos que mais saem naquela região, provador com stylist e até salão de beleza, unindo bem estar e moda. “Ter uma loja hoje é ter um artigo muito potente dentro do processo de construção de uma marca”, afirma Camila.
Fantailing – nova economia de comunidades/fãs fala sobre uma era de experiências onde o consumidor quer estar mais no universo físico onde entram, além do consumo, entretenimento, eventos e cultura. “A relação com a comunidade dever ser construída, criando profundidade, não alcance. Deve ser direcionada aos clientes, seguidores fiéis, compradores recorrentes. O objetivo não é impressionar a internet, mas, fortalecer o relacionamento”, acredita Camila. E, finaliza: “A nova economia da comunidade recupera comportamentos que historicamente fazem parte das economias de vínculo: recomendação, cuidados, curadoria, encontro, hospitalidade, indicação, confiança entre pares, tempo compartilhado”.
No painel, Uma batalha atrás da outra: o futuro da moda à brasileira, as profissionais Camila Gadioli da C&A, Newton Coelho da Santista e Carolina Galvão da Grendene tiveram mediação de Maria Prata para discutir os diferentes segmentos da cadeia de moda e suas novas tecnologias.
Para Camila, a tecnologia deve estar integrada aos negócios com uma experiência no digital mais fluída e diz que o consumidor é cada vez mais um desafio na decisão, seja porque ele consegue pesquisar mais e encontrar melhor preço, seja porque vai ter mais repertório.
Newton destacou o desafio da Santista que está no começo da cadeia de moda, onde há a necessidade de ter um olhar antecipado, além de aprender com os erros. O diretor destaca a equipe de moda e tendências que sempre está de olho no comportamento do consumidor e relatou as mudanças dentro do mercado jeanswear, como o crescimento do denim moletom na pandemia, em seguida o sucesso do 100% algodão e há dois anos atrás a volta dos coloridos. Por isso, a empresa precisa se readequar constantemente.
Carolina destaca a importância de unir inovação e área de negócios e acredita que para o futuro a venda online vai mudar completamente e pode estar em qualquer canal.
Da Influência ao Negócio levou ao palco a atriz e apresentadora, Maísa, a creator Luana Benfica, Tatiana Ponce, CMO e vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Natura e Avon e moderação de Maiara Garbin, sócia e COO da Mudah.
Tatiana contou sobre a importância da escolha dos creators para a empresa. “Precisa entender muito bem qual a essência da sua marca, qual a essência dos seus valores, para que você comece, então, a construir a sua comunidade de creators e embaixadores”, comenta.
Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Redação
























