Summit Talks reúne tendências na produção de conteúdo para internet

Tendências Instagramáveis, cor do ano inspirada na chegada da tecnologia 5G, e sobreposição da persona online à offline. Ninguém tem dúvidas de que a presença digital é o maior marketing que pode ser feito, por qualquer empresa. Todos estamos na internet, e a vida digital vem se sobrepondo à física.

Eventos, amizades, relacionamentos, atualmente em sua maioria, tem seu “start” inicial no ambiente digital, para depois de fato acontecer na vida real. Cada postagem é um recado para o mundo. Cada perfil, um banco de dados e informações sobre comportamento e consumo, riqueza. De acordo com Rafael Terra da Fabulosa Idea, Greta Paz, CEO da Eyxo, e Rafael Martins, CEO da empresa Share, é considerado o “novo petróleo do mundo”.

A produção de conteúdo de marketing relevante nas redes sociais mudou. E este foi o tema do Summit Talks, evento que reuniu “headers” do tópico em Gramado. O encontro apresentou uma prévia do que vai acontecer no Gramado Summit 2020, que contará com 140 palestras e estima receber cerca de 8 mil participantes.

Há dez anos, a mera presença das marcas em ambiente digital, por si só, era sinal de sucesso. Mas nos dias atuais isto já não basta. Hoje, de acordo com Rafael Terra, é preciso também ser uma empresa de tráfego. “Não podemos esquecer que as redes sociais foram criadas por engenheiros portanto é preciso agradar aos algoritmos; ou a relevância fica restrita a um número cada vez mais menor de pessoas”, afirma.

Ainda de acordo com Rafael Terra, para as marcas alcançarem compartilhamento é preciso pensar a internet como uma espécie de TV repleta de canais, onde o usuário está com o controle remoto. “Ele só vai dar alguns segundos da atenção dele, se encontrar conteúdo relevante para a sua vida”, explica ao apontar o maior erro cometido pelas marcas: falar de si mesmas.

“Se você é uma marca de sapato tem que dar dicas de como usar esse sapato. Engajar o outro é falar sobre o outro”, ilustra.

A opinião é endossada por Rafael Martins, que também exemplifica o modo como as marcas devem entrar nas conversas para ganhar alcance através da situação de uma mesa de bar. “Imagine sua marca entrar numa conversa de uma mesa de bar falando de condições de pagamento”, ninguém vai te ouvir.

Entre as estratégias indicadas pelos especialistas reunidos no evento, destaque para a busca de conversas mais comentadas, e assuntos em alta, para criação de conteúdo relacionado. “Se você trabalha com turismo, então pode entrar nas conversas mais comentadas sobre o assunto gerando uma nova conversa”, explica Rafael.

A precaução de se falar sobre assuntos coesos onde se tem domínio e propriedade, no entanto, foi um importante alerta colocado por Greta Paz. “Fale de sustentabilidade se você domina o assunto”, exemplifica. “Fale do que você pode falar, pois hoje a verdade está muito na cara então tem conversas onde é melhor ficar de fora”, aconselha.

A pesquisa de como o consumidor realiza as buscas na internet é também um tópico colocado como definitivo para o alcance das empresas. Por mais correto que seja falar jaqueta denim, por exemplo, se o seu consumidor faz a busca com a descrição jaqueta jeans, é dessa forma que deve contar no ambiente digital.

E assim como o panorama atual representa uma mudança drástica do passado, o futuro também prevê grandes tendências disruptivas para a presença digital das marcas na Internet. Uma delas, de acordo com os especialistas envolvidos é a ênfase nos podcasts, colocados como opção para tornar mais acessível o dito “textão” de blog.

“O consumidor não quer mais ler ele quer escutar”, explicam. Por isso, o blog, não vai desaparecer mas vai ganhar voz, com timbre alinhado ao conteúdo e público a que se dirige: logo vai continuar muito em alta.

O conceito de “Câmera First” também foi apontado como uma forte tendência. “Partindo do princípio de que todos tem celular, e todos tem o “toque digital” de acordar e visualizar a tela e as redes como primeira ação do dia, as pessoas vão criar conteúdos olhando para a câmera do celular, apontar para algum lugar ou alguma loja por exemplo, e fazer com que alguma ação aconteça”, explica Rafael Martins.

O ambiente Instagramável, partindo do princípio de que tudo vira conteúdo nas redes sociais, também foi colocado como uma tendência relevante. “Se você tem um restaurante, uma parede que chame a atenção para ter foto deve ser pensada”, explicou Terra. E o mesmo, pode ser levado para a moda – pensar em roupas fotogênicas e que funcionem bem com filtros, e que tenham a mesma linguagem do aplicativo, é um passo para o compartilhamento e o marketing natural.

Apesar do declínio do interesse pelo Facebook, a rede continuará forte e importante pois é o maior banco de dados de informações de comportamento que existe no mundo. Como diferença, o futuro dele está nos nichos e nas comunidades e não no mainstream. Como a própria Pantone anunciou através da cor do ano, o 5G desenha sem dúvida a maior mudança para o mundo.

“O 5G não é uma internet mais rápida, é uma conexão como nunca se viu”, anuncia Rafael Martins. “No Summit Portugal foi anunciado que seria uma mudança tão forte quanto a eletricidade: as portas vão avisar que chegou correspondência, a geladeira vai alertar que o leite está acabando, é uma comunicação nova que vai fazer parte da vida das pessoas, nós vamos literalmente falar com objetos”, explica.

Para a moda, o especialista opinou que o maior impacto do 5G talvez seja sentido nas lojas. Cenários onde um espelho vai ser dotado de inteligência artificial para opinar sobre roupa, atendentes com Inteligência artificial dando dicas do que vestir, provadores auxiliando escolhas poderão se tornar realidade. Logo, prevemos o retorno do interesse na loja física e uma conexão ainda maior com o consumidor e com o ambiente online.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução