Sustentabilidade e economia circular na indústria da moda de Portugal

Em mais uma da série de lives promovidas pelo Fashion Innovation Bureau, em uma imersão sobre a indústria têxtil portuguesa, foram discutidas as aplicações da “Sustentabilidade e Economia Circular” na moda de Portugal. A transmissão teve como convidados Ricardo Silva, CEO da Tintex, e Eugenia Teixeira, do Grupo Valérius.

Fechar o ciclo de produção tem sido a chave para uma indústria mais sustentável. Dentro do conceito e pensando no impacto ambiental que um têxtil por gerar, Eugenia destacou que o Grupo Valérius recolhe diariamente resíduos de corte da própria companhia e também de parceiros. “Também estamos com um projeto de testá-los para outros fins”, afirmou.

O uso em “cascata” na produção entra neste quesito, que seria o ato de manter os materiais em seu maior valor possível e, conforme isto diminua com o processo, ainda seja possível explorar outras soluções.

A diminuição da pegada de carbono da Valérius, ainda segundo Eugenia, passa por diversas frentes. “Ter toda a maquinaria mais moderna reduz o consumo de energia e da água, por exemplo, o processo de tinturaria das malhas tem um grande reaproveitamento […] Os painéis solares está entre os investimentos que proporcionam isto também”, detalhou.

“Portugal deixou de usar carvão e podemos dizer que, por aqui, muita gente já consegue atinge o 50% da sua conta mensal de energia renovada“, completou Eugenia Teixeira.

Na Tintex, a incorporação da sustentabilidade como base para os negócios também ganha destaque. A empresa tingimento de tecidos evoluiu para a criação de têxteis próprios, sendo pioneira ainda no ínício dos anos 2000 na produção e transformação de malhas em Lyocell – fibra de celulose regenerada certificada da Lenzing.

Justamente esta transformação de matérias-primas por meio de reciclagem química, para Ricardo Silva, deve adentrar com cada vez mais força no mercado.

“Eu acredito muito na reciclagem química porque ela liberta todos os desafios da mecânica. Ou seja, não é a questão da qualidade do produto, pois as fibras vão ser do comprimento que quisermos por ser um processo artificial; não é a questão de problemas na separação das fibras, seja por cor ou por tipo, pois se consegue quimicamente separá-las […] Em teoria, podemos pegar toda a roupa que usamos, por em reciclagem química, tirar a nova fibra e voltar a colocá-la neste processo”, afirma Ricardo.

“E qual é o problema? É justamente o processo, quimicamente e termicamente o que acontece ali. Se forem seguidas recomendações e normas, como acontece nos ciclos fechados da viscose e Lyocell, eu acredito mesmo é uma revolução brutal que vai acontecer na indústria têxtil mundial”, completou.

Confira a live na íntegra:

Fonte: Thaina Barros | Fotos: Reprodução