Técnicas para acelerar a leitura do mix em denim

Assim como o jeans evolui com velocidade própria, também as técnicas relacionados ao visual merchandising com foco no universo denim, visivelmente trabalham uma linguagem diferenciada com relação aos demais segmentos. Além dos temas que diferem, e da linguagem sempre mais próxima de uma proposta casual e corriqueira, as vitrines e os espaços reservados ao segmento jeanswear organizam-se de forma a comunicar suas prioridades mais comerciais e vendáveis, e tornar mais clara e imediata a leitura das opções de lavagens, fits e cores, em ambiências que se relacionam diretamente com a linguagem e a origem do jeans. Nesta semana agrupamos alguns exemplos de influentes marcas, para orientar e contextualizar os leitores com as técnicas mais recentes:


TEMAS E ORGANIZAÇÕES DAS VITRINES: A sugestão do movimento e de uma ação coletiva e quotidiana congelada, predominam nos mais diversos conceitos propostos nas vitrines. A Hans Boodt, uma das mais influentes fabricantes de manequins, vem fabricando modelos cada vez mais “vazios” de fisionomias, para salientar a característica de “repetição” e aglomeração, dispersando a atenção para a cena criada. Temos como conceitos mais explorados a ambiência vintage, a alfaiataria casual, a proposta sedutora das baladas e mesmo cenários e posicionamentos comunicativos da vida quotidiana passando sem pressa, retratando beijos, baladas, ócio, entre outros. A idéia é mostrar a moda todo-o-dia, que sabemos, é acelerada e está em constante movimento. Portanto, manequins parados olhando para a frente dificilmente cativam o observador que está imerso no ambiente volátil e acelerado, exceto pela repetição exata e congelada da mesma posição. A idéia principal, é urbana, móvel e inconstante.


TÉCNICAS DE EXPOSIÇÃO DOS MANEQUINS: A repetição dos bonecos, igualados pelas roupas e pela posição, vem sendo adotada frequentemente pelas marcas de jeans, temos como exemplo a exemplo da G-star, e a própria Bread&Butter. Em algumas situações, o jeans mudou a lavagem – excelente técnica para esclarecer a diversidade de beneficiamentos e colors de maneira quase instantânea. Em outras, a aparência mais representativa do visual da estação, foi eleita para sublinhar sua importância nas coleções através dos looks. Manequins pensativos, alguns sentados, outros em pé, cada um com uma ação diferente, ou representando interações como a sugestão de jogos de olhares, mão nos cabelos, pernas cruzadas, e costas recostadas em paredes, são algumas cenas pertinentes. Lembrando que as lavagens semelhantes do mix, e algumas cores, sempre devem estar dispersas em mais de um look, evidenciando a coordenação funcional das peças, exceto quando a idéia é mostrar diversidade, quando novamente a sugestão é a repetição de uma cena congelada.


ESPAÇOS INTERNOS: No caso do jeans a idéia de repetição adentra os espaços internos da loja, tanto através dos manequins, como pelas peças dobradas ou exposições em cabides, a exemplo da marca Denham. Em boa parte dos espaços, é recriada a sensação de um imenso e nostálgico guarda-roupa pessoal, que induz à intimidade e vínculo com o possível comprador. Peças dobradas por cor, expostas com clareza de fit, prevalecem. Na decoração, temos desde folhagens remetendo à tendência eco-friendly, até o jeitão vintage das madeiras rústicas com respingos de tinta, como na loja Markham, no Sul da África. Em ofertas que se segmentam em estilos distintos, como na Street One Germany, alguns espaços se dividem em temas e atitudes diferentes, criando e instigando o interesse do observador em transitar por todos os ambientes da loja. Chão rústico, luminárias que remetem ao estilo industrial, e elementos como a bicicleta, são frequentemente requisitados nos espaços internos das lojas.


Nossa galeria agrupa imagens da feira Bread & Butter, de nomes influentes como Kings of Indigo, G-Star, e também lojas como Roxy, Markham, Jaggy e Street One, entre outras.


VIVIAN DAVID | FOTOS: PIETRO FANTONI